Subestimar o planejamento de uma obra pode acarretar problemas muito maiores ao longo da execução, tanto devido à desconsideração da importância do planejamento quanto à sua realização de forma ineficiente. Dentre as causas para a ineficácia estão: (i) a dificuldade em encarar o planejamento como um processo, ou seja, como algo que não é isolado ou imutável, mas que funciona a longo prazo; (ii) a falta de cuidado em relação às informações coletadas durante ou anteriormente à obra, e a falta de preocupação em transmiti-las adequadamente; e (iii) a falta de monitoramento por parte da empresa, que pode não estar atenta às mudanças ocorridas e às adaptações necessárias.
Por exemplo, estipular prazos subestimados ou superestimados pode invalidar todo o planejamento, atrasando a obra. Isso pode ocorrer em função de uma análise superficial das tarefas a serem executadas, subestimando o tempo das atividades. Isso pode ser melhorado com a coleta de dados de outras obras, comparando prazos estimados e reais, e prevendo folgas no cronograma. Nesse sentido, existem três tipos de folga, (i) a folga total – não causa alongamento da duração do projeto; (ii) a folga livre – quando uma atividade é retardada sem interferir com o início de qualquer atividade sucessora; e (iii) a folga dependente – diferença entre a folga total e a folga livre, seu consumo poderá acarretar atraso de atividades sucessoras sem provocar atraso do projeto.
O gráfico de Gantt (imagens 1 e 2) pode ser utilizado para ilustrar o andamento de diferentes atividades de um projeto, situando-as cronologicamente. Utilizá-lo em planejamento de obra é relativamente comum, mas deve ser empregado corretamente, com o hábito de atualizá-lo constantemente. Todas as equipes atuantes no canteiro deveriam registrar suas atividades corretamente no gráfico, de modo que todos possam visualizar o desenrolar das etapas. À medida que a utilização dessa ferramenta melhora, podem ser realizadas reuniões com os responsáveis por cada atividade para que haja melhor controle do cronograma e que possa ser apresentada uma adequação do planejamento, caso tenha ocorrido algum atraso, por exemplo. Com a melhor comunicação dentro da própria obra, uma empresa grande pode empregar os dados coletados para melhor o desempenho da execução de outras obras.
Na construção, atrasos são comuns e praticamente considerados como regra. Contudo, com um planejamento eficiente poderiam ser evitadas muitas complicações na hora da execução. Infelizmente, muitas empresas insistem em desconsiderar a importância do planejamento, recorrendo a soluções improvisadas quando os problemas surgem na obra. Porém, com as medidas sugeridas acima, pode-se melhorar a qualidade da obra e diminuir os contratempos.
Matéria elaborada pela monitora Ana Carolina Voelcker a partir de pesquisa e imagens da aluna Jéssica de Souza em 2017/1.

