O comercial sugere, em seus primeiros segundos, a proposta de união entre dois homens. O personagem-mote é apresentado em uma mesa de jantar de um restaurante com uma aliança, falando com alguém que não é mostrado inicialmente. Quando a identidade da pessoa é revelada, vemos outro homem, robusto, gordo e sujo de graxa.
A partir da narração do locutor, podemos entender que o casamento sugerido pelo personagem-mote refere-se ao fato de, caso ele não tenha o carro anunciado no comercial, ele passaria o resto da vida dependendo do mecânico, tendo como única alternativa se casar com ele. Essa opção, no entanto, não é a “correta”. Como é apresentado no comercial, o casamento entre os dois seria a escolha errada do personagem-mote, que não tem o Renault Clio, com todas as características e vantagens apresentadas mais a frente no comercial, e sim um carro que precisa de diversas manutenções.
A sugestão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, no comercial, acaba surgindo apenas como uma resposta bem humorada com o fato do personagem-mote, caso continue com seu carro, ter de envolver tanto tempo com o mecânico, indicando uma aproximação tão intensa quanto a de um casamento. Sendo assim, mostra-se apenas como uma piada, regulando o caminho “certo”, com a voz do locutor logo aparecendo para falar de que maneira o personagem-mote poderia “se livrar” de tal acontecimento.
É importante perceber como tal sugestão de união do mesmo sexo, de certo modo, fica no segundo plano dos acontecimentos, com o comercial demonstrando até que o mais “estranho” ali seria o fato de um homem arrumado como o personagem-mote, que aparenta ter um nível social e intelectual alto (ou no mínimo razoável), teria uma relação não só com um homem, mas com o mecânico, representado como um homem bruto e sujo, de outra classe social, deslocado no cenário montado no comercial.

