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Transformada de Laplace - Um Livro Colaborativo

4.2 Aplicação: Oscilador Harmônico


Uma mola elástica com uma extremidade fixada prende um corpo de massa m na outra extremidade (veja figura (4.1)). Considere que o corpo esteja sujeito a uma força de atrito proporcional a velocidade com constante de amortecimento γ e que a mola obedeça a lei de Hooke com constante k.


PIC


Figura 4.1:


Seja y(t) o deslocamento do corpo da sua posição de equilíbrio estático em função do tempo t. A equação do movimento é obtida a partir da segunda lei de Newton:

ma = ∑ ifi, (4.13)

onde a = y″ ⁡(t) é a aceleração e ∑ ⁡ if→i representa a soma de todas as forças. No caso tratado aqui, existem apenas três forças, a saber:

  • a força da mola, que é proporcional ao deslocamento (lei de Hooke), com constante de proporcionalidade k, f1 = −ky(t),
  • a força de atrito, que é proporcional a velocidade, com constante de amortecimento γ, f2 = −γy′(t), e
  • a força externa, f3(t) = f(t)

Logo,

my″ ⁡(t) = f1 + f2 + f3 = −ky(t) − γy′(t) + f(t), (4.14)

ou seja, a equação para o deslocamento y(t) é dada por

my″ ⁡(t) + γy′(t) + ky(t) = f(t). (4.15)

O modelo fica completo quando impomos as condições iniciais y(0) = y0 e y′(0) = y 0′. Agora, vamos usar o método da transformada de Laplace para resolver a equação. Aplicamos a transformada de Laplace na equação (4.15) e obtemos:

mL{y″ ⁡(t)} + γL{y′(t)} + kL{y(t)} = L{f(t)}. (4.16)

Aplicamos a propriedade 3.2.1 e obtemos

ms2L{y(t)}− msy(0) − my′(0) + γsL{y(t)}− γy(0) + kL{y(t)} = L{f(t)}. (4.17)

Impomos as condições iniciais para obter a seguinte equação subsidiária:

ms2Y (s) − msy 0 − my0′ + γsY (s) − γy 0 + kY (s) = F(s), (4.18)

onde F(s) = L{f(t)} e Y (s) = L{y(t)}. Resolvemos a equação para Y (s):

Y (s) = F(s) + msy0 + my0′ + γy 0 ms2 + γs + k . (4.19)

A solução do problema pode ser representado por y(t) = L−1{Y (s)}. O sistema massa mola pode ser classificado das seguintes formas:

  • Oscilador harmônico forçado: quando a força externa não é nula.
  • Oscilador harmônico livre: quando não há força externa, ou seja, f(t) = 0, o que implica em F(s) = 0. Nesse caso
    Y (s) = msy0 + my0′ + γy 0 ms2 + γs + k . (4.20)
  • Oscilador harmônico subamortecido: quando γ2 < 4mk. No caso F(s) = 0, temos:
    Y (s) = msy0 + my0′ + γy 0 ms2 + γs + k = msy0 + my0′ + γy 0 m s + γ 2m 2 − γ2 4m + k, (4.21)

    onde − γ2 4m + k > 0. Olhando os itens 13 e 14 da tabela de transformada A.1 e combinando com a propriedade 4.1.1, concluímos que as soluções são senos e cossenos multiplicados por exponenciais.

  • Oscilador harmônico superamortecido: quando γ2 > 4mk. No caso F(s) = 0, temos:
    Y (s) = msy0 + my0′ + γy 0 ms2 + γs + k = msy0 + my0′ + γy 0 m s + γ 2m 2 − γ2 4m + k, (4.22)

    onde − γ2 4m + k < 0. Olhando os itens 15 e 16 da tabela de transformada A.1 e combinando com a propriedade 4.1.1, concluímos que as soluções são senos e cossenos hiperbólicos multiplicados por exponenciais, ou seja, somas de exponenciais puras (lembre-se que 2 senh ⁡ (at) = eat − e−at e 2 cosh ⁡ (at) = eat + e−at).

  • Oscilador harmônico criticamente amortecido: quando γ2 = 4mk. No caso F(s) = 0, temos:
    Y (s) = msy0 + my0′ + γy 0 ms2 + γs + k = msy0 + my0′ + γy 0 m s + γ 2m 2 , (4.23)

    Olhando para o item 3 da tabela de transformada A.1 e combinando com a propriedade 4.1.1, concluímos que as soluções são polinômios multiplicados por exponenciais.

  • Oscilador harmônico não amortecido: quando γ = 0. No caso F(s) = 0, temos:
    Y (s) = msy0 + my0′ ms2 + k = sy0 + y0′ s2 + k m , (4.24)

    Olhando os items 13 e 14 da tabela de transformada A.1 concluímos que as soluções são senos e cossenos puros.

Para ilustrar, tomemos um caso subamortecido, por exemplo, γ = 2, m = 1 e k = 5, sujeitos às condições iniciais y0 = 1 e y0′ = −2. A função Y (s) toma a forma:

Y (s) = s s2 + 2s + 5. (4.25)

A transformada inversa nos leva a solução do problema:

y(t) = L−1 s s2 + 2s + 5 . (4.26)

Para calcular a inversa olhamos os itens 13 e 14 da tabela A.1 e escrevemos s s2+2s+5 numa forma conveniente

s s2 + 2s + 5 = s (s + 1)2 + 4 = s + 1 (s + 1)2 + 4 − 1 (s + 1)2 + 4. (4.27)

Usamos a propriedade 3.1.1 para concluir o resultado y(t) = L−1 s + 1 (s + 1)2 + 22 − 1 2L−1 2 (s + 1)2 + 22 = e−t cos ⁡ (2t) − 1 2e−t sen ⁡ (2t).

Para identificar a amplitude e a fase, escrevemos a expressão em termos de exponencial vezes cosseno:

e−t cos ⁡ (2t) − 1 2 sen ⁡ (2t) = Ae−t cos ⁡ (2t+δ) = Ae−t cos ⁡ (2t) cos ⁡ (δ) − sen ⁡ (2t) sen ⁡ (δ) . (4.28)

Isso é verdade se A cos ⁡ (δ) = 1 A sen ⁡ (δ) = 1 2

ou seja,

A = 1 + 1 4 = 5 2 (4.29)

e δ é uma fase no primeiro quadrante onde

cos ⁡ (δ) = 2 5 = 25 5 , (4.30)

o que implica em δ ≈ 0,463648rad ≈ 26,570. Portanto,

y(t) = 5 2 e−t cos ⁡ (2t + 0,463648). (4.31)

A figura 4.2 ilustra o gráfico de y(t).


PIC


Figura 4.2:


Exercícios


E 4.2.1. Considere um oscilador harmônico modelado pelo problema de segunda ordem abaixo.

my″ ⁡(t) + γy′(t) + ky(t) = 0 y(0) = y0 y′(0) = y 0′

onde m = 3 Kg, γ = 4 Kg/s, y0 = −1 m, y0′ = 2 m/s e k é uma constante positiva. Encontre a faixa onde k pode assumir valores para que o sistema fique superamortecido.

Resposta. 0 < k < 4 3.

E 4.2.2. Use a transformada de Laplace para resolver os seguintes problemas de valor inicial

  • y″ ⁡ + 5y′ + 6y = 12et, y(0) = 1, y′(0) = −1
  • y″ ⁡ + 5y′ + 6y = 6u(t − 3), y(0) = 1, y′(0) = −1

Resposta.
  • y(t) = −2e−2t + et + 2e−3t
  • y(t) = u(t) 2e−2t − e−3t + u(t − 3) 1 − 3e−2t+6 + 2e−3t+9

E 4.2.3. (Ressonância) Considere o oscilador harmônico não amortecido com termo forçante descrito pelo problema de valor inicial dado por:

my″ ⁡(t) + ky(t) = F(t) y(0) = 0 y′(0) = 0 , (4.32)

onde F(t) = F0 sen ⁡ k mt. Use o método de transformada de Laplace para calcular a solução, observando que a frequência de oscilação natural do sistema coincide com a frequência do termo forçante.

Resposta. y(t) = F0 2k sen ⁡ k mt − k mt cos ⁡ k mt

E 4.2.4. Considere o oscilador harmônico amortecido com termo forçante F(t) = 2(u(t − 1) − u(t − 2)) descrito pelo problema de valor inicial

y″ ⁡(t) + 3y′(t) + 2y(t) = F(t) y(0) = 0 y′(0) = 0 . (4.33)

Use o método de transformada de Laplace para calcular a solução.

Resposta. y(t) = (1 − 2e−(t−1) + e−2(t−1))u(t − 1) − (1 − 2e−(t−2) + e−2(t−2))u(t − 2)

E 4.2.5. Considere o seguinte problema de segunda ordem que modela um sistema massa-mola-amortecedor my″ ⁡(t) + αy′(t) + κy(t) = f(t)

Onde f(t) é a força externa e a condições iniciais y(0) e y′(0) são nulas. Supondo m = 4 e κ = 1, responda às alternativas a seguir:

  • Encontre o conjunto de valores α para que o sistema seja amortecido.
  • Encontre o conjunto de valores α para que o sistema seja sub-amortecido.
  • Encontre o conjunto de valores α para que o sistema seja criticamente amortecido.
  • Encontre o conjunto de valores α para que o sistema seja superamortecido.
  • Encontre a resposta y(t) do sistema criticamente amortecido quando f(t) = δ(t − 1).

Resposta.
  • α > 0
  • 0 < α < 4
  • α = 4
  • α > 4
  • y(t) = 1 4u(t − 1)(t − 1)e−t−1 2

Creative Commons License Este texto é disponibilizado nos termos da licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada (CC-BY-SA 3.0). Página gerada em 26/7/2022 às 15:19:21.

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