Ativista antiapartheid, esposa do líder do African National Congress – ANC (Congresso Nacional Africano) Walter Sisulu, ganhou proeminência por conta própria e recebeu a denominação MaSisulu, “mãe da nação”.
Nasceu em Transkei, no Cabo Oriental, sendo a segunda de cinco crianças. Frequentou a escola primária no distrito de Tsomo, a escola secundária e depois a faculdade católica chamada Maria Zell, que lhe permitu ser professora. Ela mudou-se para Johanesburgo em 1941 e foi treinada no Hospital Geral de Não-Europeus, qualificando-se como enfermeira geral e parteira. Trabalhava no Hospital Geral de Johanesburgo quando conheceu Walter Sisulu, que era membro da ANC, e com quem se casou em 1944.
Em 1949 Albertina passou a fazer parte da Liga das Mulheres do ANC, já durante o regime do Apartheid. Ela foi uma das 20.000 mulheres que marcharam rumo a Pretória em protesto contra as leis do passe (1956). Sua maior preocupação era com o impacto da segregação racial sobre as crianças em decorrência da Bantu Education Act (Lei de Educação Bantu), criada em 1953, que restringia a formação das crianças nas línguas bantu ao Departamento de Assuntos dos Nativos, criando além disso escolas segregadas, o que motivou reações, protestos e boicotes.
Por sua liderança ela foi presa em 1958 e detida em vários outros momentos, enquanto Walter foi condenado à prisão perpétua em 1964. Seu ativismo teve continuidade, e em 1983 ela foi co-presidente da recém formada Frente Democrática Unida, que a colocou mais uma vez na mira das autoridades sul-africanas que detinham o poder. Após a libertação do marido, em 1989, Albertina voltou a participar da organização da Liga das Mulheres e em 1994 foi eleita para o parlamento, onde atuou até 1999, quando ela e o marido deixaram a vida pública.
Em 2011 ela morreu aos 92 anos de idade, e continua sendo uma fonte de inspiração. Como disse: “Embora a política tenha feito minha vida áspera, não há absolutamente nada de que me arrependa sobre o que fiz e o que aconteceu comigo e com a minha família ao longo de todos esses anos. Em vez disso, eu fui fortalecida e me sinto mais mulher do que eu teria sido se minha vida tivesse sido diferente”.
BIBLIOGRAFIA
CHETTY, Suryakanthie. “Albertina Nontsikelelo Sisulu”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 398-399.
SISULU, E.. Walter and Albertina Sisulu: in our lifetime. Cape Town: David Philip, 2002.
WORDEN, N. The making of modern South Africa: conquest, segregation and Apartheid. Oxford: Blackwell Publishers, 1994.
Última atualização em: 05/02/2021
































