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Albertina Nontsikelelo Sisulu (1918- 2011)

Ativista antiapartheid, esposa do líder do African National Congress – ANC (Congresso Nacional Africano) Walter Sisulu, ganhou proeminência por conta própria e recebeu a denominação MaSisulu, “mãe da nação”.

Nasceu em Transkei, no Cabo Oriental, sendo a segunda de cinco crianças. Frequentou a escola primária no distrito de Tsomo, a escola secundária e depois a faculdade católica chamada Maria Zell, que lhe permitu ser professora. Ela mudou-se para Johanesburgo em 1941 e foi treinada no Hospital Geral de Não-Europeus, qualificando-se como enfermeira geral e parteira. Trabalhava no Hospital Geral de Johanesburgo quando conheceu Walter Sisulu, que era membro da ANC, e com quem se casou em 1944.

Em 1949 Albertina passou a fazer parte da Liga das Mulheres do ANC, já durante o regime do Apartheid. Ela foi uma das 20.000 mulheres que marcharam rumo a Pretória em protesto contra as leis do passe (1956). Sua maior preocupação era com o impacto da segregação racial sobre as crianças em decorrência da Bantu Education Act (Lei de Educação Bantu), criada em 1953, que restringia a formação das crianças nas línguas bantu ao Departamento de Assuntos dos Nativos, criando além disso escolas segregadas, o que motivou reações, protestos e boicotes.

Por sua liderança ela foi presa em 1958 e detida em vários outros momentos, enquanto Walter foi condenado à prisão perpétua em 1964. Seu ativismo teve continuidade, e em 1983 ela foi co-presidente da recém formada Frente Democrática Unida, que a colocou mais uma vez na mira das autoridades sul-africanas que detinham o poder. Após a libertação do marido, em 1989, Albertina voltou a participar da organização da Liga das Mulheres e em 1994 foi eleita para o parlamento, onde atuou até 1999, quando ela e o marido deixaram a vida pública.

Em 2011 ela morreu aos 92 anos de idade, e continua sendo uma fonte de inspiração. Como disse: “Embora a política tenha feito minha vida áspera, não há absolutamente nada de que me arrependa sobre o que fiz e o que aconteceu comigo e com a minha família ao longo de todos esses anos. Em vez disso, eu fui fortalecida e me sinto mais mulher do que eu teria sido se minha vida tivesse sido diferente”.

BIBLIOGRAFIA

CHETTY, Suryakanthie. “Albertina Nontsikelelo Sisulu”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 398-399.

SISULU, E..   Walter and Albertina Sisulu: in our lifetime. Cape Town: David Philip, 2002.

WORDEN, N. The making of modern South Africa: conquest, segregation and Apartheid. Oxford: Blackwell Publishers, 1994.

Nafissatou Niang Diallo (1941-1982)

Nascida em Dakar, Senegal, frequentou a escola primária Champ de Course, o Collège Moderne e o Liceu Van Vollenhoven, e aos dezoito anos matriculou-se em uma escola para parteiras.

Aos vinte e três anos, já casada com Mambaye Diallo, deixou o país para estudar na França, tendo vivido em Toulouse. Trabalhou como parteira no Centre de Protection Maternelle et Infantile. Em sua autobiografia, De Tilène au Plateau: une enfance dakaroise (De Tilène au Plateau, uma infância dakarense) (1975), retratou o crescimento de uma criança em meio urbano na África ocidental.

É autora de três romances, em que descreve aspectos da vida cotidiana da moderna sociedade senegalesa. São eles:  Le fort maudit (O forte maldito) (1980); Awa la petite marchande (Awa, a pequena vendedora) (1981) e La princesse de Tiali (A princesa de Tiali) (1987). Nafissatou  atuava em serviços sociais como parteira e como diretora de um centro de saúde e maternidade infantil. Foi mãe de seis filhos.

BIBLIOGRAFIA

COLE, Jonathan. Engendering health: pronatalist politics  and the history of nursing and midwifery in colonial Senegal,  1914-1967. In: D’ANTONIO, Patricia et alii (Eds). Routledge handbook on the global history of nursing. Nova Iorque: Routledge, 2012, p.  114-130.

Pauline Berthé (1912–?)

Nascida em Sikasso, na área cultural Bambara, no Mali, de uma família muçulmana distinta na região. O pai, Keletigui Berthé, tinha sido chefe de guerra durante o período da ocupação francesa e se tornou chefe de administração local no período colonial; a mãe pertencia ao grupo étnico Senufo.

Na juventude, passou por treinamento em obstetrícia, tornando-se parteira, atividade que a distinguiu em toda a África ocidental. No período de 1920-1928 estudou em uma escola primária para crianças mestiças em Bamako e depois entrou para a Escola de Medicina e de Farmácia em Dakar (1931), onde estava a sede do governo francês.  

Ela atuou no período de 1931-1932, durante o período colonial, na Maternidade de Dakar, no Senegal, em 1939 casou-se com o médico Sidi Yaya Diallo, com quem teve seis filhos.  De retorno ao Mali, concluiu um estágio de um ano em Bamako, e a seguir trabalhou em hospitais em Nyoro, Djenné, em condições por vezes muito adversas. Diz-se que, em certas ocasiões ela se deslocava às aldeias em lombo de burro ou de boi.

Aposentada em 1969, continuou a atuar na direção de uma maternidade em Boundial, na Costa do Marfim por mais uma década.  Por sua notoriedade como mulher sábia, enfermeira e parteira, foi condecorada em 1992 com a Ordem Nacional do Mali, distinção reservada a apenas três mulheres até aquela época.

BIBLIOGRAFIA

KONARÉ, Adama Ba. Dictionnaire des femmes célèbres du Mali. Bamako: Editionss Jamana, 1993.

Pauline Berthé : la brillante sage-femme et petite fille de Kélétigui Berthé. In: Maliweb.net: virtuellement au Mali: https://www.maliweb.net/societe/femmes-celebres-mali-sage-femme-politiciennes-reines-meres-2295242.html

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