Funmilayo Ransome-Kuti (1900-1978)
Pertencente a uma família aristocrática tradicional de língua e cultura yoruba, com nome de nascimento Francis Abigail Olufunmilayo, nasceu em Abeokuta, Nigéria, era professora de formação e se destacou como líder nacionalista, política, ativista em defesa dos direitos das mulheres e uma das primeiras feministas africanas a ter reconhecimento internacional. Foi a primeira mulher de seu país a dirigir um carro, liderou a campanha pelo direito das mulheres nigerianas ao voto, e teve papel determinante na luta anti-colonial.
Durante o período colonial, em 1949 ela liderou com sucesso as mulheres egbas da cidade de Abeokutá, no Estado de Ogun, contra o controle de preços e taxações pelas autoridades inglesas que contava com o apoio do alake (monarca) de Egba chamado Ademola II, sob a alegação de abuso de autoridade, o que levou à vitória do movimento e à renúncia do monarca africano. Na ocasião, ela foi descrita pelo jornal West African Pilot como “A leoa de Lisabi”. Algum tempo depois, em 1953, fundou a União das Mulheres de Abeokutá, a Federação de Sociedades de Mulheres e a vinculou à Federação Democrática Internacional das Mulheres. Ao ser expulsa do partido governista, o Council of Nigeria and Cameroons – NCNC (Conselho da Nigéria e dos Camarões), fundou o Commoner’s People’s Party (Partido Popular dos Plebeus), que passou a atuar como oposição ao governo.
No contexto da independência da Nigéria, seu ativismo e militância a aproximou do socialismo e a colocou sob vigilância dos poderes instituídos. Suas viagens à União Soviética, Hungria e China irritaram as autoridades. Em 1956 ela não teve o passaporte renovado na Nigéria e algum tempo depois não obteve visto de entrada nos Estados Unidos, sob a alegação de que era comunista.
Casada em 1925 com o reverendo e professor Israel Oludotun Ransome-Kuti, ela foi a mãe dos ativistas Fela Anikulapo Kuti, músico de renome internacional; Beko Ransome-Kuti, médico; e Olikoye Ransome-Kuti, professor, doutor, médico e ministro da saúde; e era tia do dramaturgo Wole Soyinka. Em 1968 foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Ibadan. Sua morte ocorreu algum tempo depois da comuna liderada por Fela Kuti ter sido invadida por militares armados, em fevereiro de 1978, quando ela foi jogada pela janela do edifício em que estava. Ela entrou em coma algum tempo depois, vindo a falecer.
BIBLIOGRAFIA
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OFOEGO, Obioma. Fumilayo Ransome-Kuti and the women’s of Abeokuta. New York: UNESCO, 2014. Disponível em: http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/CI/CI/pdf/publications/frk_en.pdf
































