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Adenike Osofisan (1950)

Nascida em Osogbo, capital do atual Estado de Osun, na área cultural yoruba da Nigéria, frequentou o ensino secundário na Escola de Gramática para Meninas Fiwasaiye, em Akure, e na Escola Secundária de Ayetoro (1968), e realizou o seu primeiro curso universitário na Universidade de Ile-Ifé, com uma bolsa de estudo fornecida pelo governo.

A seguir, Adenike obteve título de Mestrado em Ciência da Informação e Computação no Instituto de Tecnologia da Georgia (1978), e Doutorado na Universidade Obafemi Awolowo, com a tese intitulada: Modelo de Processamento de Dados para uma Rede de Comunicação de Computadores com Acesso Múltiplo (1989). Também realizou mestrado em Administração de Empresas e Finanças pela Universidade de Ibadan (1993).

Adenike Osofisan começou a carreira docente no colégio Politécnico de Ibadan (1979) e ingressou na Universidade de Ibadan (1999), atingindo o nível de professora associada (2003)  e de professora titular (2006), com atuação pioneira na área de Informática e Ciências da computação. Paralelamente, é membro de núcleos de pesquisa e associações professionais das áreas de matemática e informática, e foi eleita presidenta da Sociedade de Computação da Nigéria (2017). Ela também é a presidente pioneira da instituição “Mulheres nigerianas em Tecnologia da Informação” (2003), e a primeira presidenta do Conselho de Registro de Profissionais de Informática da Nigéria (2005-2009). 

Em estudo publicado no International Journal of Global Business (2009),  Adenike e outros dois pesquisadores discutem o atual atraso da Nigéria em relação à tecnologia da informação que vem sendo desenvolvida em outros países na Europa e na América do Norte. No estudo, recomendam medidas e políticas de aceleração dos padrões digitais na sociedade nigeriana. 

BIBLIOGRAFIA

ARIPKO, Iwara; OSOFISAN, Adenike; USORO, Abel. Brindging the digital divide: the nigerian journey so far. International Journal of Global Business, v. 2, n. 1, p. 181-204, 2009.

SUNDAY, Idowu; OSOFISAN, Adenike. Cloud computing and sustainable development in higher education.  Journal of Emerging  Trends in Computing and Information Sciences, v. 3, n. 11, 2012.

LONGE, Olumide; OSOFISAN, Adenike. On the origins of advance fee fraud electronic mails: a technical investigation using internet protocol address tracers. The African Journal of Information Systems, v. 3, n. 1, p. 17-26, 2011.

Albina Africano (1945)

Albina Faria de Assis Pereira Africano é uma química e mulher pública angolana. Nasceu em Luanda, no período da colonização portuguesa e se formou em ensino técnico secundário  no Instituto Industrial de Luanda (1967).

Albina Africano deu início ao estudo de química em 1972 na então Universidade de Luanda (atual Universidade Agostinho Neto), concluindo os estudos apenas em 1982 devido às turbulências da guerra civil que assolou o país após a declaração de independência em 1975.  Especializou-se em ciências da produção de petróleo, incluindo intercâmbios e estágios em Antuérpia (1984), no Instituto Francês do Petróleo – Novas Energias (1987) e no Instituto para Estudos de Energia da  Universidade de Oxford (1989).

Integrante das fileiras do Movimento Popular de Libertação de Angola – MPLA, tornou-se em 1976 diretora do departamento de análises no Laboratório Nacional de Análises Químicas em Angola, onde permaneceu até 1983, quando entrou para a empresa privada Fina Petróleos de Angola (Petrangol), primeiro como química e depois como diretora-adjunta do Departamento de Refinaria (1985-1991).

Nos anos 1990 foi membro do conselho e integrou a diretoria-executiva da empresa  petroleira estatal Sonangol, chefiando-a até 1999. Foi Ministra do Petróleo e Ministra da Indústria, antes de se tornar Assessora Especial da Presidência para Assuntos Regionais e, no período de 2004-2012, presidenta da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

BIBLIOGRAFIA

MANGUEIRA, José Pereira da Costa Barroso. Políticas de formação e endogeneização de capital humano em países em desenvolvimento: o caso da indústria petrolífera em Angola. Dissertação (Mestrado- Engenharia e Gestão de Tecnologia), Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2004.

Awa Marie Coll-Seck (1951)

Médica, pesquisadora, Ministra da Saúde.   Nasceu em Dakar, no Senegal. Desde o período escolar  chamou a atenção por sua inteligência a aptidão atlética. No final dos anos 1960 e início dos anos 1970 integrou a seleção senegalesa de basquete e em 1978 graduou-se em Medicina na Universidade de Dakar.  

Trabalhou em hospitais na cidade francesa de Lyon e em Dakar, e depois foi contratada pela Faculdade de Medicina da Universidade Cheikh Anta Diop – UCAD (1989), atuando também como médica executiva de doenças infecciosas no Hospital Público de Dakar. Nos anos 1990 Awa Marie ganhou renome pelas pesquisas e publicações sobre HIV-AIDS, o que a levou a fazer parte da diretoria do Programa das Nações Unidas para HIV/AIDS conhecido como UNAIDS (1996-2001) e a morar em Genebra  com o marido e seus quatro filhos.

De retorno ao Senegal, assumiu o cargo de Ministra da Saúde (2001-2003), e por sua capacidade de gestão  assumiu a Secretaria Executiva do Programa das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde, o  Roll Back Malaria – RBM (Para Reverter a Malária) (2004) . Ela atuou como Ministra da Saúde e Ação Social (2012-2017) e foi convidada a atuar como Ministra de Estado do Presidente Macky Sall a partir de 2017.

Autora de cerca de 150 artigos científicos, por sua carreira e relevância acadêmica recebeu diversos prêmios, inclusive a Ordem Nacional da Legião de Honra, na França. Além de ser colaboradora do TED, da Fundação Sapling, organização estadunidense para disseminação de ideias, ela assumiu uma cadeira na World Health Assembly  (Assembleia Mundial da Saúde) da ONU (2003) e na West African Health Organization (Organização de Saúde da África Ocidental). Por seu trabalho árduo e sua grande competência, é reconhecida como uma das mulheres mais importantes das últimas décadas no combate à malária e uma das primeiras mulheres a assumir postos de comando no Senegal.

BIBLIOGRAFIA

African youth empowered to drive the Sustainable Development Goals. Speak Africa, 2019: https://www.speakupafrica.org/african-youth-empowered-to-drive-the-sustainable-development-goals/

COLL-SECK, Awa Marie .  Breaking the wall of child mortality. Falling Walls Fondation, 2013: https://www.youtube.com/watch?v=IT7Px5mqSzA

ROBERTS, Leslie. New malaria plan called ambitious by aome, unrealistic by others. Science, v. 322, n. 5898,  p. 26-27, 2008.

RICH, Jeremy. “Awa Marie Coll-Seck”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 117-118.

Ernestine Gwet-Bell (1955)

Nasceu de uma família do grupo étnico Bassa, na cidade de Sackbayèmi, no distrito de Puma, na costa de Camarões. Seu pai tinha sido um padre católico que depois se converteu ao protestantismo. Ela frequentou a escola primária em Camarões e cursou Medicina na Universidade de Paris 5, na França. 

Trabalhou pela primeira vez no Hospital Conseil des Eglises Baptiste et Evangélique de Cameroun – CEBEC (Conselho das Igrejas Batistas e Evangélicas de Camarões), e no Hospital Laquintinie.  Mas sua carreira avançou significativamente quando ela abriu na cidade portuária de Douala a Clinique Odyssée (1987), que se tornou uma das instalações médicas ginecológicas mais respeitadas em todo o país. 

Junto com outros cinco médicos veteranos, criou o primeiro centro de fertilidade assistida de seu país, o Centre des Techniques de Pointe en Gynecologie-Obsttétrique (Centro de Técnicas de Ponta em Ginecologia-Obstetrícia).  Gwet-Bell acompanhou o nascimento da primeira criança de Camarões gerada através de fertilização in vitro, Thommy, em 1998.  Somente os muito ricos de Camarões podiam pagar tais tratamentos, mas sua reputação atraiu mulheres inférteis da parte da República Centro-Africana e do Gabão  à clínica.

Ela dirigiu os seus esforços também para os casos de autismo, e em 2005 criou a clínica Orchidée Home. Dois anos mais tarde, organizou o primeiro congresso sobre o autismo já realizado em Camarões, e contou com apoio financeiro de mulheres influentes, como Chantal Biya, a Primeira-Dama e de Catherine Bakang, Ministra dos Assuntos Sociais.

Ernestine Gwet-Bell é casada com Otto Gwet,  com quem tem duas filhas e um filho. Além de médica pioneira, preside o Lyons Club  de Douala.

BIBLIOGRAFIA

AMANI, Serge; TALLA, Mathieu. Les grandes pionnières du Cameroun. Yaoundé: Cognito, 2008.

RICH, Jeremy. “Ernestine Gwet-Bell”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 520-521.

Merieme Chadid (1969)

Exploradora, astrofísica e astrônoma. Nasceu em Casablanca, Marrocos filha de um pai que era ferreiro e mãe dona de casa. Apesar da origem humilde decidiu ser astrônoma aos 12 anos de idade quando o irmão lhe deu um livro do astrônomo Johannes Kepler. Passou  a adolescência leu intensivamente o que pôde sobre o céu, as estrelas e os planetas.

Em 1992  Merieme completou o Mestrado em Física na Universidade de Casablanca. Mudou-se para a França para continuar realizando seus objetivos profissionais na Universidade de Nice. Sendo uma mulher, marroquina, e trabalhando área dominada por homens e em um país colonizador, seus primeiros anos foram muito difíceis, mas graças a sua perseverança ela conseguiu completar em 1996 a formação pós-graduada com Doutorado em Astronomia e Astrofísica Universidade de Paul Sabatier, em Toulouse, França.

Merieme foi a primeira cientista a detectar ondas hipersônicas de choque pulsantes nas estrelas, além de explicar a origem dessas pulsações e assim contribuindo para melhorar o conhecimento dos mistérios do universo. Trabalhou no prestigiado Centre National de la Recherche Scientifique, em Montpellier. Liderou a equipe de instalação do maior telescópio do mundo, no deserto do Atacama, além de participar de um programa científico internacional no Polo Sul com o fim de instalar o maior observatório naquela região do Planeta.

Ela é a primeira astrônoma mulher e marroquina a pisar na Antártica e tenta incentivar que mais mulheres sigam a carreira das Ciências Exatas, como diversas conferências e mesas redondas sobre o assunto. Seu documentário sobre astronomia Tarik Annajah (A estrada para o sucesso) é apresentado na TV do canal Al Jazeera e é dedicado às  crianças. Ela ganhou em 2008 o honrado título de Young Global Leader (Jovens líderes globais), na cerimôna de encerramento  do Fórum Econômico Mundial de Davos, Suíça. 

BIBLIOGRAFIA

CHADID, Merieme et alii. Opening a new window on the Southern stars for less Money: PAIX the first Antarctica polar mission photometer. In: Proceedings, v. 9908, 2016: https://www.spiedigitallibrary.org/#

GLACIER, Osire. Merieme Chadid. In: Études Marocaines: https://etudesmarocaines.com/wp-content/uploads/2011/01/Merieme-Chadid.pdf

GLACIER, Osire. “Merieme Chadid”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2,  p. 54-55.

Rose Dieng-Kuntz (1956 – 2008)

Cientista da Computação e especialista em inteligência artificial senegalesa, nascida em Dakar. Frequentou a Escola Superior Van Vallenhoven em Dakar e a escola de Concours Général, em que conquistou as melhores posições em matemática, francês e latim, e a segunda em grego (1972). Recebeu uma bolsa para a Grande École Polytechnique de Paris, tornando-se a primeira mulher negra africana a ser admitida naquela prestigiosa instituição onde obteve o Doutorado em tecnologia da informação.

Logo Rose Dieng-Kuntz passou a fazer parte do Instituto Nacional de Pesquisa em Informática e de Inovação – INRIA. Enquanto isso, deu continuidade aos estudos e pesquisas, realizando pós-doutorado em Ciências da Computação na École Nationale Supérieure des Télécommunications com uma tese sobre a especificação do paralelismo.

Trabalhou na Digital Equipment e em 1985 estabeleceu uma parceria do INRIA com o Parque Tecnológico francês chamado  Sophia-Antipolis. Em 1995 foi nomeada chefe do projeto Acacia e permaneceu neste trabalho até a sua morte, em 2008. Como pesquisadora sênior e diretora deste projeto, desenvolveu métodos e ferramentas que se tornaram não apenas o fundamento da pesquisa sobre modelagem e aquisição de conhecimento, mas também um caminho para a evolução da gestão do conhecimento e da semântica na web.

Com o seu trabalho ela estimulou toda uma nova geração de cientistas e incentivou a educação de meninas. Foi uma pioneira que causou um importante impacto na pesquisa sobre inteligência artificial, o que a levou a ser agraciada com o Prêmio Irène Joliot-Curie para mulheres cientistas em 2005 e de ter recebido a distinção da Ordem da Legião de Honra  francesa em 2006.

BIBLIOGRAFIA

DIENG-KUNTZ, Rose;  MATTA, Nada. Knowledge management and organizational memories. Boston: Kluwer Academic, 2002.

KONATÉ, Dior. “Rose Dieng-Kuntz”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 199-200.

LE HIR, Pierre. Rose Dieng: un cerveau sans frontiers. Le Monde, 12/01/ 2006: https://www.lemonde.fr/planete/article/2006/01/11/rose-dieng-un-cerveau-sans-frontieres_729645_3244.html

MÜLLER, Heinz Jürgen; Dieng-Kuntz, Rose. Computational conflicts: conflict modeling for distributed intelligent systems with contributions by numerous experts. Berlim; Nova Iorque: Springer, 2002.

Webe Celine Kadima (1958)

Educadora e cientista, nasceu em Bujumbara, capital do Burundi e aos quatro anos foi levada pela família para viver na República Democrática do Congo, onde cresceu, estudou na Escola para Meninas do Instituto Janua Caeli, na cidade de Kananga, completando o ensino secundário em Kinshasa (1975).

Desde jovem interessou-se por matemática, química e biologia. Iniciou os estudos em Química na Universidade de Kinshasa e, um ano depois, transferiu-se para Montreal, no Canadá, onde concluiu sua graduação e foi assistente de pesquisa do Dr. Miklos Zador. Sua dissertação de mestrado em ciência analisou um análogo de paládio da cisplatina, uma droga usada no tratamento de câncer. Resultados da sua dissertação foram publicados na revista Inorganica Chimica Acta (1983). Durante o seu doutoramento em química bioanalítica na Universidade de Alberta, analisou a atuação do cádimo, um metal pesado tóxico, na corrente sanguínea.

Concluída a sua formação, Kadima atuou em diversas universidades, como a Universidade da Califórnia, em Riverside, na Universidade Real de Veterinária e Agricultura de Copenhagen, na Dinamarca, na Universidade Internacional da Flórida e na Universidade Estadual de Nova York, em Oswego. Suas pesquisas englobaram questões relacionadas à química e bioquímica da insulina no controle do metabolismo da glicose e a ação da preparação da insulina para diabéticos.

Em 2004 ela passou a colaborar com projetos de pesquisa sobre plantas medicinais com outros cientistas da Universidade de Kinshasa (UNIKIN), no âmbito do Programa Nacional de Promoção da Medicina Tradicional e das Plantas Medicinais, um programa interno do Ministério Nacional de Saúde Pública Congolês.

Ela criou uma organização sem fins lucrativos, o Instituto de Pesquisa Botânica Bioativa – BBRI, para a investigação de plantas medicinais usadas na República Democrática do Congo   a fim de desenvolver fármacos efetivos, seguros e acessíveis.

BIBLIOGRAFIA

BEOKU-BETTS, Josephine. African women pursuing graduate studies in the sciences: racism, gender bias, and Third World marginality. NWSA Journal, v. 16, n. 1, 2004, p. 116–135, 2004.

KADIMA, Webe. Kinetic studies of the interaction of inosine with Pd(en)Cl². Dissertação de Mestrado, Universidade de Montreal, 1982.

KADIMA, Webe. NMR Studies of the Interaction of Cd(II) with biological ligands and Red Blood Cells.” Dissertação de Pós-Doutoramento, Universidade de Alberta, 1986.

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