Tag: HIV/AIDS

Amma Darko (1956)

Romancista ganense, nasceu em Tamale, região norte da então colônia britânica da Costa do Ouro. Foi criada pelos tios, que adotaram três outros de seus irmãos.  Depois de concluir o ensino secundário em Accra, estudou na Universidade de Ciência e Tecnologia e se formou em Design industrial (1980).

Trabalhou em Gana por um ano após a formação universitária mas devido às dificuldades decidiu buscar  melhores perspectivas na Alemanha. Porém, devido à combinação da xenofobia e do racismo, não conseguiu mais do que trabalhar como doméstica. Neste período difícil, escreveu o primeiro romance, Alem do horizonte. Após sete anos, durante os quais produziu vários manuscritos adicionais (não publicados), retornou a Gana para começar sua carreira como inspetora fiscal, casou-se e teve uma filha e dois filhos.  

A circulação do manuscrito de seu romance, até então inédito, chamou a atenção da Schmetterling Verlag, uma pequena editora de Stuttgart, na Alemanha, que aceitou publicá-lo. Além do horizonte foi publicado em tradução alemã com o título  Der Verkufte Traum (1991).  O romance explora os sonhos,  ilusões e a inocência da protagonista, Mara, que experimenta a opressão e o abuso desde o casamento forçado em sua aldeia com o mensageiro semiletrado Akobi, a vida desestruturada em Accra e em Munique, onde o marido a entrega para a prostituição.

Em   Housemaid (Empregada) (1998), o segundo trabalho de Darko, publicado em inglês  pela editora Heinemann, o olhar é dirigido para a realidade traumática da pobreza e a disposição de homens e mulheres para se entregar plenamente uns aos outros. Quanto o terceiro romance, Faceless (Sem rosto) (1996), gira em torno das vidas trágicas de crianças de rua em Accra, expostas às desigualdades sociais profundas, à desagregação social e aos riscos do HIV-AIDS. Já em Not without flowers (Não com flores) (2007), os(as) problemas dizem respeito aos dramas psicológicos do casal  Aggie e Idan, personagens de uma classe média emergente em cenários marcados pela confronto entre a estabilidade das estruturas tradicionais e questões inauguradas pelo mundo urbano moderno.

A narrativa de Amma Darko põe à nu as consequências das desigualdades econômicas sobre as necessidades humanas básicas, e os choques daí decorrentes, bem como a complexidade das relações individuais e afetivas. 

BIBLIOGRAFIA

ODAMTTEN, Vincent. Broadening the horizon: critical introduction to Amma Darko. Banbury: Ayebia Clarke, 2007.

ADEJEI, Mawuli. Male-bashing and narrative subjectivity in Amma Darko’s first three novels. SKASE Journal of Literary Studies, v. 1, n. 1, 2009: http://www.skase.sk/Volumes/JLS01/pdf_doc/04.pdf

Awa Marie Coll-Seck (1951)

Médica, pesquisadora, Ministra da Saúde.   Nasceu em Dakar, no Senegal. Desde o período escolar  chamou a atenção por sua inteligência a aptidão atlética. No final dos anos 1960 e início dos anos 1970 integrou a seleção senegalesa de basquete e em 1978 graduou-se em Medicina na Universidade de Dakar.  

Trabalhou em hospitais na cidade francesa de Lyon e em Dakar, e depois foi contratada pela Faculdade de Medicina da Universidade Cheikh Anta Diop – UCAD (1989), atuando também como médica executiva de doenças infecciosas no Hospital Público de Dakar. Nos anos 1990 Awa Marie ganhou renome pelas pesquisas e publicações sobre HIV-AIDS, o que a levou a fazer parte da diretoria do Programa das Nações Unidas para HIV/AIDS conhecido como UNAIDS (1996-2001) e a morar em Genebra  com o marido e seus quatro filhos.

De retorno ao Senegal, assumiu o cargo de Ministra da Saúde (2001-2003), e por sua capacidade de gestão  assumiu a Secretaria Executiva do Programa das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde, o  Roll Back Malaria – RBM (Para Reverter a Malária) (2004) . Ela atuou como Ministra da Saúde e Ação Social (2012-2017) e foi convidada a atuar como Ministra de Estado do Presidente Macky Sall a partir de 2017.

Autora de cerca de 150 artigos científicos, por sua carreira e relevância acadêmica recebeu diversos prêmios, inclusive a Ordem Nacional da Legião de Honra, na França. Além de ser colaboradora do TED, da Fundação Sapling, organização estadunidense para disseminação de ideias, ela assumiu uma cadeira na World Health Assembly  (Assembleia Mundial da Saúde) da ONU (2003) e na West African Health Organization (Organização de Saúde da África Ocidental). Por seu trabalho árduo e sua grande competência, é reconhecida como uma das mulheres mais importantes das últimas décadas no combate à malária e uma das primeiras mulheres a assumir postos de comando no Senegal.

BIBLIOGRAFIA

African youth empowered to drive the Sustainable Development Goals. Speak Africa, 2019: https://www.speakupafrica.org/african-youth-empowered-to-drive-the-sustainable-development-goals/

COLL-SECK, Awa Marie .  Breaking the wall of child mortality. Falling Walls Fondation, 2013: https://www.youtube.com/watch?v=IT7Px5mqSzA

ROBERTS, Leslie. New malaria plan called ambitious by aome, unrealistic by others. Science, v. 322, n. 5898,  p. 26-27, 2008.

RICH, Jeremy. “Awa Marie Coll-Seck”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 117-118.

Christine Obbo (1947)

Veterana antropóloga ugandense, com contribuição teórica importante para o desenvolvimento das Ciências Sociais na África oriental. Deu início ao ensino superior na Universiy of Makerere, completando os estudos na University of Wisconsin, com passagem por outros estabelecimentos universitários norte-amerianos com bolsa da Fundação Rockefeller, completando os estudos pós-graduados em 1977. Como professora, lecionou no Wheaton College e na Wayne State Univesity.

Como pesquisadora, dedicou atenção especial a etnografia de Uganda, com estudos sobre as comunidades aldeãs de Buganda e ao estudo da condição das mulheres ugandenses migrantes para centros urbanos. Mais recentemente tem estudado de modo aprofundado aspectos sociais e culturais vinculados à disseminação da epidemia de HIV/AIDS e as políticas públicas concernentes.

Como eixo estruturante de pesquisa, Christine Obbo estudou as estruturas patriarcais que condicionam  posição subalterna da mulher na sociedade, bem como alternativas de inserção social sobretudo em relação às mulheres viúvas. Em 1980, escreveu o livro African woman; their struggle for economic independence (A mulher africana: sua luta pela independência econômica), em que fornece um amplo quadro analítico das aspirações e problemas das mulheres, em particular das migrantes. A partir de 1998 integrou a equipe internacional do Council for the Development of Social Science Research in Africa – CODESRIA (Conselho para o Desenvolvimento das Ciências Sociais na África), com participação em projetos internacionais de pesquisa, colóquios e seminários internacionais voltados para o debate sobre a criação de redes intelectuais e estrutura médica em interface com as agências internacionais que se dedicam ao problema da disseminação da epidemia do HIV/AIDS no continente.

BIBLIOGRAFIA

OBBO, Christine. AIDS in Africa: three scenarios to 2025. Genebra: UNAID Secretariat, 2005.

OBBO, Christine. Village trangers in Buganda society. In: SCHACK, William; SKINNER, Elliot (Eds). Strangers in Africa societies. Berkeley: University of California Press, 1979.  

OBBO, Christine. Dominant male ideology and female options: three East african case studies. Africa: Journal of the International  African Institute, v. 46, n. 4, p. 371-389, 1976.

SEGAL, Edwin. “Christine Obbo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 533-534.

Everjoice Win (1965)

Nascida em Shurugwi na República do Zimbabwe, é uma destacada ativista em defesa dos direitos civis das mulheres de seu país. Concluiu o ensino superior na Universidade de Zimbabwe em 1988, com especialização em História Econômica. Quatro anos depois, em parceria com Terri Barnes, publicou o livro intitulado To live a better life: an oral history of women in the city of Harare, 1930-1970 (Para viver uma vida melhor: uma história oral das mulheres na cidade de Harare, 1930-1970), que ofereceu substantiva contribuição para o reconhecimento do papel das mulheres para o desenvolvimento urbano do país.

Sua militância feminista foi intensa nos anos 1990, quando atuou como deputada e coordenadora de comissões vinculadas a ação de grupos de educação popular para mulheres. De 1993 a 1997 dirigiu em âmbito nacional o capítulo do programa pan-africano Woman in Law and Development in Africa – WILDAF (Mulheres no Direito e Desenvolvimento na África), e atuou em mais de vinte associações pela garantia dos direitos das mulheres e por reformas políticas e sociais, o que a levou, em 1997, a ser uma das(os) fundadoras(es) da Assembléia Nacional do Zimbabwe. Seu prestígio lhe permitiu desempenhar papel de destaque na crise da coalizão do Zimbabwe.

Nas últimas décadas, tem ocupado cargos em diversas comissões internacionais na África do Sul, Inglaterra e Canadá, e participado de Organizações Não-Governamentais, onde defende iniciativas direcionadas a igualdade de gênero, para as populações pobres do mundo, em especial as mulheres, bem como iniciativas para o combate ao HIV/AIDS.

BIBLIOGRAFIA

GRANT, Miriam. “Everjoice Win”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 75-176.

WIN, Everjoice; BARNES, Terri. To live a better life: an oral history of women in the city of Harare, 1930-1970. Harare: Baobab Books, 1992.

WIN, Everjoice, Not very poor, powerless or pregnant: the african woman forgotten by development.  IDS Bulletin, v. 35, n. 4, p. 61-64, 2004.

Isatou Njie-Saidy (1952)

Figura pública da República de Gâmbia, com carreira política consolidada que a levou ao cargo de Vice-Presidenta do país e Secretária de Estado dos Assuntos da Mulher.

Nascida em Kuntaya, frequentou escola primária e secundária nos anos 1960 e nas décadas de 1970-1980 obteve formação em educação no Yundum Teacher Training College (1974), graduação e pós-graduação em administração e gestão industrial no Instituto de Pesquisa em Ciência da Administração, na Holanda (1979) e na Universidade das Filipinas, em Manilla (1981), e defendeu seu metrado na Universidade Britânica de Gales, em Swansea, com a tese The changing roles of women in agriculture in the Gambia (As transformações dos papéis das mulheres na agricultura da Gâmbia) (1989).

Desde a década de 1980, envolveu-se em pastas e secretarias executivas do governo vinculadas a projetos e programas de promoção da condição das mulheres, com atuação destacada no Conselho Nacional da Mulher em matéria de educação e de defesa de direitos, planejamento familiar. Também tomou iniciativas, sem sucesso, contra a prática da mutilação genital feminina.

Depois de ocupar diversas posições de liderança em organizações filantrópicas e acadêmicas (1990-1996), representou o seu país na Conferência Internacional das Mulheres em Pequim (1995), e coordenou medidas para a prevenção do HIV-AIDS e para o desenvolvimento econômico.

 Em 1997, alguns meses após a eleição presidencial de 1996 na qual Yahya Jammeh, que havia chegado ao poder por um golpe militar em 1994, saiu vitorioso nas eleições, Isatou Njie-Saidy foi nomeada vice-presidente da Gâmbia e Secretária de Estado da Saúde, Bem-Estar Social e Assuntos da Mulher. Participante de um governo conservador, com um líder com posições controvertidas em relação à AIDS e aos homossexuais, ela permaneceu no cargo durante vários anos, mas devido a gradual dificuldade de relacionamento na alta cúpula de governo ela apresentou sua renúncia em 2017, em meio a uma grave crise constitucional. 

BIBLIOGRAFIA

CEESAY, Hassoum. Gambian women: profiles and historical notes. Kanifing: Fulladu Publishers, 2011.

NJIE-SAIDY, Isatou (Ed.). Report of second women’s bureau workshop on traditional practices that affect the health of women and children, held in Banjul. Banjul: National Women’s Council and Bureau, 1987.

RICH, Jeremy. “Isatou N’jie-Saidy”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 477-478.

Margaret Atieno Ogola (1958)

Nasceu em Nairóbi, capital do Quênia, onde estudou na Thompson’s Falls High School e na Alliance Girls High School. Em 1984 obteve um diploma de medicina e enfermagem na Universidade de Nairobi e, em 1990, obteve um mestrado em medicina em pediatria na mesma universidade. Alguns anos mais tarde realizou estudos de pós-graduação em Planejamento e Direção de Projetos de Desenvolvimento na Universidade Católica da África Oriental (2004).

De 2002 a 2004 Margaret coordenou uma filial regional da Hope for African Children Initiative, uma associação de várias ONGs internacionais destinada a prestar apoio a mulheres e crianças soropositivas, de modo a evitar a propagação da epidemia. Atualmente trabalha como pediatra em Nairóbi e é diretora do Cottolengo Hospice, um lar adotivo para crianças órfãs soropositivas; vice-presidente de aconselhamento para a vida familiar (Quênia); e se envolve em projetos de promoção da situação das mulheres africanas.

Margaret Atieno também é escritora, e em seu romance The River and the source (O rio e a fonte) (1994), retrata quatro gerações de uma família queniana em uma sociedade em rápido processo de mudança.  Outras obras de sua autoria são: Cardinal Otunga: a gift grace com Margaret Roche  (Cardeal Otunga: um presente de graça com Margaret Roche) (1999), I sweet by Apollo (Juro por Apolo) (2002) e Place of destiny (Lugar de destino) (2005).

BIBLIOGRAFIA

ODHIAMBO, Tom Odhiambo.  Writing alternative womanhood in Kenya in Margaret Ogola’s The River and the source,  African Identities, v. 4, n. 2, p. 235-250, 2006.

SIRINGI, Samuel. African initiative launched to tackle HIV/AIDS in children. The Lancet, 05/01/2002: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(02)07255-0

Marie-Louise Sibazuri (1960)

Escritora, dramaturga e ativista nascida na província de Kayanza, no Norte do Burundi, de uma família de etnia hutu. Durante os estudos secundários em uma escola católica participou da encenação de uma comédia de Molière, o que a inspirou a escrever sua primeira peça teatral quando tinha quatorze anos. Começou a vida pública como professora e bibliotecária em seu país de origem. 

Na década de 1980, atuou em defesa das mulheres, tornando-se vice-secretária geral da Union des Femmes Burundaises (União das Mulheres do Burundi). Isso a aproximou do governo de Pierre Buyoya, que a nomeou para integrar a comissão de unidade nacional em 1988. Na década de 1990 era dramaturga reconhecida por mais de setenta peças teatrais escritas e encenadas em seu país, França e Bélgica, onde tratava de temas importantes e difíceis, como guerra civil que devastou o Burundi no início daquela década, a disseminação da epidemia de HIV/AIDS e a violência contra as mulheres.

 Decidida a ajudar na promoção da paz entre hutus e tutsis, participou da Organização Não-Governamental  Search for Common Ground,  quando escreveu a novela Umumbanyi Niwe Muryango (Onde os vizinhos são nossa família), transmitida pela rádio nacional, que atraiu uma audiência de milhões de pessoas em todo o país. Contava a história das relações entre duas famílias vizinhas cujos laços de amizade e respeito eram mais fortes do que as diferenças culturais e tornava impossível sua identificação étnica.

Entretanto, ela e sua família passaram a ser hostilizadas por opositores políticos, o que a forçou a se mudar para a Bélgica em 1998, onde aprofundou os estudos na Université Catolique de Louvain.  A pedido do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Marie-Louise Sibaruzi escreveu uma outra novela de rádio, desta vez sobre as relações entre ruandeses e burundianos nos campos de refugiados da Tanzânia. 

Em 2013 escreveu o seu primeiro romance, Les seins nus (Os seios nus), e no ano seguinte foi eleita embaixatriz da francofonia. Nos últimos anos vive na Austrália com o seu segundo marido, Hilaire Bucumi, e publicou em 2019 a coleção de contos folclóricos do Burundi chamada La femme sur le sentier des interdits (A mulher no canteiro dos interditos).

BIBLIOGRAFIA

RICH, Jeremy. Marie-Louise Sibazuri”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 370-371.

ZACHARY, G. Pascal. The diversity advantage: multicultural identity in the New World Economy. Boulder: Westview, 2003. 

Nkosazana Clarice Dlamini-Zuma (1949)

Ativista anti-apartheid, médica e política sul-africana.  Nasceu em KwaZulu-Natal, filha de pai professor. Completou o ensino médio no Adams College, em Amanzimtoti (1967), estudando a seguir Zoologia e Botânica na Universidade de Natal.

Já durante o curso superior assumiu a luta anti-racista, filiando-se ao African National Congress – ANC (Congresso Nacional Africano) e de organizações estudantis durante a revolta de Soweto (1976), o que a levou a buscar o exílio em Botswana e na Tanzânia. A partir daí completou os estudos de Medicina na  Universidade de Bristol (1978), e atuou como pediatra na Suazilândia.  Casou-se com Jacob Zuma, ex-companheiro do ANC e que posteriormente viria a ser presidente da África do Sul (2009-2018), e realizou pós-graduação em Saúde Infantil na Universidade de Liverpool.

Quando retornou à África do Sul no período posterior ao Apartheid, Nkosazana Clarice atuou como pesquisadora no Conselho de Pesquisa Médica em Durban, com destacada participação no período de transição do país para a democracia. Atuou como Ministra da Saúde, inovou o sistema de saúde antes discriminatório, implementando serviços de saúde gratuitos para crianças menores e mulheres grávidas, programas preventivos do HIV-AIDS, embora tenha sido envolvida em acusações por irregularidades financeiras da qual foi formalmente inocentada – mas ficou com a imagem pública manchada.

Ainda que parcialmente enfraquecida em virtude das acusações mencionadas Dlamini-Zuma foi nomeada Ministra das Relações Públicas Exteriores (1999) e esteve à frente da Conferência Mundial contra o Racismo de Durban (2001), além de participar da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (2002) e da Comissão de Licitação que assegurava o direito da África do Sul a sediar a Copa do Mundo da FIFA (2010). Concorreu sem sucesso à presidência do ANC em 2017. Ela é  considerada a mulher mais poderosa da política sul-africana pós-apartheid.

BIBLIOGRAFIA

DU PLECIS, Carien. Woman in the wings: Nkosazana Dlamini Zuma and the race for the presidency. Cape Town: Peguin Books, 2017.

MURPHY, Gabrielle. South African health  care in black and white. The Lancet, v. 351, p. 1421-1424, 1998.

STRAUSS, Helene. Nkosazana Clarice Dlamini-Zuma”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 234-236.   

The two women who may determine the fate of South Africa and Zimbabwe – regional focus – southern Africa.  Africa Conflict Monitor, . v. 2017, n. 9, p. 39-45, 2017.

Pregs Govender (1960)

Feminista da África do Sul de origem indiana, ativista, educadora e política. Nasceu em Durban, filha de mãe professora e pai dramaturgo. Quando, em 1974, frequentou uma escola em Durban  para meninas indianas, começou a se envolver em atividades subversivas. Foi quando conheceu Jayendra Naidoo, seu primeiro marido e pai dos seus dois filhos mais velhos, Parusha e Yashodan.

Nos anos 1980, Govender lecionou durante algum tempo na Universidade de Durban-Westville, enquanto atuava numa base voluntária de organizações, como a Organização da Mulher de Natal, a qual ela se tornou membro junto com o movimento antiapartheid; e da Frente Democrática Unida.

Em 1990, mudou-se de Durban para Cidade do Cabo e em 1992 se estabeleceu em Johanesburgo com os filhos para dirigir a Coligação Nacional da Mulher – WNC, constituída por mulheres vinculadas ao African National Congress – ANC (Congresso Nacional Africano).  Foi indicada por esta coligação ao parlamento em  1994 e participou de uma ampla mobilização de associações e movimentos de mulheres que teve papel decisivo na elaboração da Carta de Mulher Sul-africana – documento que permitiu inserir as questões e interesses femininos na Constituição da África do Sul de 1996. Neste mesmo período conheceu Paul Benjamin, seu companheiro de vida e pai do seu terceiro filho, Saien.

Pregs Govender participou da elaboração do relatório do país que foi encaminhado para a Conferência Internacional das Mulheres em Pequim (1995), estabeleceu medidas contra a violência doméstica, os casamentos forçados ou arranjados e reivindicou melhorias concernentes à maternidade. Em 1996 se posicionou criticamente em relação à política neoliberal em curso na África do Sul,  defendeu o aborto e  forçou o governo de Thabo Mbecki a quebrar o silêncio oficial sobre os efeitos sociais do HIV-AIDS.

Por seu ativismo e seu espírito insubmisso, foi honrada  em 1999 com o prêmio de Associação Internacional dos Direitos das Mulheres em Inspiração do Desenvolvimento, que distinguia aquelas que contribuíram para a luta de igualdade de gênero. Em 2003 recebeu um doutorado honorário da Universidade de Durban-Westville. Crítica da marginalização das mulheres, Govender foi nomeada vice-presidenta da Comissão de Direitos Humanos da África do Sul em 2009.

BIBLIOGRAFIA

GOVENDER, Pregs. Love and courage: a story of insubordination. Auckland Park: Jacana, 2007.

STRAUSS, Helene. “Pregs Govender”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 497-498.

Promise Mthembu (1975)

Ativista sobre gênero, AIDS e direitos humanos, nasceu no distrito de Umlazi, de Durban, na África do Sul. Ela foi a primeira sul-africana a falar publicamente que vivia com AIDS. Durante o ensino médio, participou de um projeto de conscientização sobre AIDS. Ela descobriu que vivia com AIDS durante a gravidez, em seu primeiro ano como aluna universitária.

Aos dezesseis engravidou da sua primeira filha, uma menina chamada Mbali, que nasceu com paralisia cerebral. Sua segunda gravidez resultou em um natimorto. Mthembu tem bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de ZwaZulu-Natal.

Em 1996 se tornou ativista na National Association of People Living With HIV-AIDS– NAPWA  (Associação Nacional de Pessoas Vivendo com HIV-AIDS) e na National AIDS Convention of South Africa –NACOSA  (Convenção Nacional de AIDS da África do Sul) em Durban. O seu interesse na intersecção entre problemas de gênero e AIDS começou nesse período.

O seu marido na época a agrediu por atender às reuniões sobre AIDS e falar abertamente sobre seu diagnóstico, o que a levou a se separar dele. Na sequência, em 1997, Mthembu descobriu que estava grávida de novo. Ela solicitou um aborto, e os médicos apenas consentiram com a condição de que ela concordasse em ser esterilizada, o que acabou acontecendo à sua revelia.

Em 2003 Promise se tornou advogada global por direitos sexuais e reprodutivos na International Comunity of Women Living with HIV-AIDS – ICW (Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV-AIDS), em Londres e logo depois passou a participar da Womandla AIDS Network – WIN,  em que ativistas sul-africanas produziram uma declaração de direitos das mulheres em contexto de epidemia.

Em 2010 ela se tornou líder do Her Rights Initiative (Iniciativa pelos seus Direitos), uma organização de mulheres vivendo com AIDS na África do Sul, que promoveu o acesso a serviços de saúde para prevenção e tratamento de câncer de útero.

BIBLIOGRAFIA

BELL, Emma; Mthembu, Promise.  Sexual and reproductive health services and HIV testing: perspectives and experiences of women and men living with HIV and AIDS.  Reproductive Health Matters, v. 15, p. 113-135, 2007: https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1016/S0968-8080%2807%2929029-9

MBALLI, Mandisa. “Promise Mthembu”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 278-279.

MTHEMBU, Promise.  A positive view. Agenda, v.14, n. 39,p.  26-29, 1998: https://doi.org/10.1080/10130950.1998.9674428

Yvonne Vera (1964–2005)

Romancista, ensaísta e contista zimbabweana, nasceu em Bulawayo, na época colonial chamada de Rodésia do Sul, filha de pais professores: Ericah Gwetai e Lambert Gwetai. Foi educada na Mzilikazi High School, em Bulawayo, e começou a carreira como professora de inglês. Casou-se com o canadense John José, em 1987. Na América do Norte, completou o curso de graduação na York University, em Toronto, e no ano de 1995 defendeu a tese de doutorado The prison of colonial space: narratives of resistence (A prisão do espaço colonial: narrativas da resistência).

Em 1997 retornou ao seu país, de 1997 a 2003 dirigiu a Zimbabwean National Gallery (Galeria Nacional do Zimbabwe), em Bulawayo, onde desenvolveu diversos projetos com artistas profissionais, jovens talentos e crianças em idade escolar. Neste período, editou a importante antologia de textos de escritoras africanas, intitulada Opening spaces: an anthology of contemporary african’s women’s writings (Abrindo espaços: uma antologia de escritoras africanas contemporâneas) (1999). 

Pertencente a geração de jovens escritoras africanas, Yvonne Vera foi autora de diversas obras de ficção, entre as quais a coleção de contos Why don’t you carve other animals? (Porque você não esculpe outros animais?) (1992), seguida de cinco romances, alguns deles ganhadores de prêmios internacionais: Nehanda (1993), Whitout a name (Sem nome) (1994), Under the tongue (Sob a língua) (1996), Butterfly burning (A queima da borboleta) (1998) e The stone virgins (As virgens de pedra) (2002).

Em sua prosa ela explorou os problemas decorrentes da herança colonial em seu país (como o Massacre de Matabeleland), desenvolveu biografias de mulheres fortes (Nehanda) e temas considerados tabus, como a violência sexual contra as mulheres.

Seus trabalhos foram publicados no Zimbabwe, Canadá e outros países, incluindo traduções em língua espanhola, italiana e sueca.  Faleceu vítima de meningite, relacionada à AIDS, no Canadá, onde procurou tratamento para a doença.

BIBLIOGRAFIA

HUNTER , Eva. Shaping of the struggle: an interview with Yvonne Vera. Current Writing, v. 10, n. 1, p. 75-86, 1998.

MUPONDE, Robeert; TARUVINGA, Mandivavarira (Eds). Sign and taboo: perspectives on the poetic fiction of Yvonne Vera. Harare: Weaver Press, 2003.

SHELDON, Katleen. “Yvonne Vera”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 121-122.

VERA, Yvonne (Ed). Opening spaces: an anthology of contemporary african’s women’s writings. Portsmouth: Heinemann, 1999.

Theme: Overlay by Kaira.