Unity Dow (1959)

Unity Dow | UN Photo / Jean-Marc Ferré
Fonte da imagem: United Nations Photo. Disponível em: https://dam.media.un.org/. Acesso em: 23 de dez. de 2020.

Jurista, ativista dos direitos das mulheres e dos direitos humanos e escritora. Nasceu em Mochudi, no distrito de Kgatleng, em Botsuana. Recebeu educação fundamental e secundário em Mochudi e cursou Direito na Universidade de Botsuana e depois na Universidade de Edimburgo (1983). Casou-se  em 1984 com Peter Nathan Dow, um cidadão americano, com quem criou três filhos(as).

Começou a atuar como advogada e logo depois assumiu o cargo de Promotora Criminal nas Câmaras Gerais de Attoney, em Gaborone. Depois voltou a advogar em prática privada, com foco nos direitos humanos e direitos das mulheres, fundando o programa Mulheres e Direito na África Austral  – WLSA, um grupo de pesquisa que se concentrou nos direitos das mulheres, além de participar de outras associações voltadas para os direitos de mulheres e crianças, como o Metlhaetsile Women’s Information Centre.

Unity Down ganhou renome nacional ao mover um processo contra o Estado de Botsuana que ficou conhecido como “Caso da Cidadania”, em que contestou com sucesso a constitucionalidade de certos dispositivos do Ato de Cidadania (1982) que a impedia, por ser mulher, de transferir sua cidadania para seus filhos. A lei botsuana até então estipulava que os filhos herdavam a cidadania apenas pelo lado paterno, em evidente discriminação contra as mulheres e fortalecimento de uma visão patriarcal da sociedade.

Durante o processo, ela contou com o apoio do grupo  Emang Basadi (Levantem-se Mulheres), organização fundada para pressionar pela reforma de leis discriminatórias como essa. O caso foi parar na Corte Suprema. Em duas decisões marcantes, a Suprema Corte e, posteriormente, a Corte de Apelação declararam as disposições da “Lei da Cidadania” inconstitucionais, e o direito das mulheres foi constitucionalmente reconhecido.

Em 1998, Dow quebrou outra barreira de gênero ao se tornar a primeira juíza do Supremo Tribunal de Botswana, e mais tarde foi nomeada para o Tribunal de Recurso como juíza interina. Por tudo isso, ela é vista na África e no mundo como uma personalidade marcante e influente em defesa da afirmação dos direitos das mulheres e dos direitos humanos.

No século XXI Unity Down deu início a uma carreira paralela como autora de diversos romances, entre os quais Far and beyon (2000), The screaming  of the innocent (o grito do inocente) (2001), Jugling truths (2003) e The heavens may fall (O céu pode cair) (2006), cujas protagonistas em geral são mulheres em busca de afirmação e reconhecimento.

BIBLIOGRAFIA

DOW, Unity (Ed).  The Citizenship Case: the Attorney General of the Republico f Botswana v. Unity Down. Gaborone: Lentswe la Lesedi, 1995.

GAGIANO, Annie. Entering the oppressor’s mind: a strategy of writing in Bessie Head’s A question of poweer, Yvonne Vera’s The stone virgins  nd Unity Down’s  The screaming  of the innocent. Journal of Commonwealth Literature, v. 41 n. 2, p. 43-60, 2006.

LEDERER, Mary; MACHARIA-MOKOBI, Elizabeth. “Unity Dow”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 248-249.

Última atualização em: 05/02/2021

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