Já são 36 mortos no pior acidente do trabalho na Bahia

O pior acidente já ocorrido nas estradas da Bahia, na madrugada de sábado (3), é provavelmente o pior acidente do trabalho já ocorrido na Bahia: três veículos colidiram no km 583 na BR 116, entre os municípios de Milagres e Brejões, deixando 36 mortos e 13 feridos.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), uma carreta carregada de gesso, de placa KBD-2342, de Criciúma (SC), dirigida pelo motorista Márcio Clênio Machado, 55 anos, perdeu a direção numa curva e bateu no ônibus placa AFW-0946, que transportava trabalhadores pernambucanos que retornavam à terra natal depois do corte de cana de açúcar no Mato Grosso do Sul.

O ônibus, desgovernado, atingiu um caminhão-baú, placa IOM-5967, que seguia ao lado, na mesma direção, que carregava de material de escritório. O condutor do caminhão-baú sobreviveu ao acidente. O motorista do ônibus e 33 trabalhadores da cana morreram na hora, dois a caminho do hospital e outra está com morte encefálica. Veja foto do ônibus após o acidente e de documentos das vítimas. O gráfico mostra o trajeto do ônibus que conduzia os trabalhadores da cana.

O transporte dos trabalhadores da cana, vindos de Jateí (MS) era feito num ônibus irregular pois não tinha autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mas circulava graças a uma liminar expedida pela Justiça de Pato Branco (PR) em julho. Segundo o cadastro da empresa TCB Transbrasil na ANTT, o ônibus “não está habilitado para o transporte de passageiros”.

Os trabalhadores mortos são pernambucanos que foram para Mato Grosso do Sul trabalhar no corte de cana e estavam voltando para passar o Natal em suas cidades de origem, Buíque (PE) e Pedra (PE), ambas na região do agreste. Os trabalhadores foram para Mato Grosso do Sul contratados pela Central Energética Vicentina, usina que fica em Vicentina, vizinha de Jateí, de onde partiu o ônibus.

A usina pertence ao grupo Seis Lagoas, sediado em Brotas, no interior de São Paulo. A empresa está instalada em Vicentina desde 2008. À época, o investimento divulgado era de R$ 96 milhões, com geração de 1,7 mil empregos no período de 15 anos. A plantação de cana da usina fica na fazenda Dois Córrregos, onde foram plantados cerca de 4 mil hectares de cana-de-açúcar.


 
As primeiras investigações da PRF apontam para negligência do motorista da carreta, mas não há ainda informações sobre para qual a empresa trabalha, qual a jornada de trabalho no período anterior e outros dados que permitam fazer conclusões sobre todas as responsabilidades pelas mortes. Também não há informações sobre quem contratou o ônibus, se os trabalhadores ainda mantinham vínculo com a Central Energética Vicentina e se foram cumpridas as formalidades para transporte de trabalhadores de um estado para outro.

Segundo o encarregado pela fiscalização dos transportes coletivos na PRF da Bahia, inspetor Ruvenal Farias, o ônibus pertence a uma pessoa física que fez o contrato de arrendamento de veículo para transporte coletivo junto à empresa TCB. Além da PRF, devem investigar o acidente a Polícia Civil, o Ministério do Trabalho e Secretaria de Saúde da Bahia.