Encontro no Recife trata de assédio moral no ambiente de trabalho

A ideia dos organizadores é expor soluções para trabalhadores que sofrem pressão inadequada; evento segue até sexta e inscrições custam um quilo de alimento não perecível

Da Redação do pe360graus.com

Para ajudar os trabalhadores que sofrem assédio moral, representantes de várias instituições participam do encontro “Saúde Mental e Trabalho” no Recife. O evento acontece até o dia 3 de dezembro, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Social (Sindsprev).

Especialistas em segurança do trabalho afirmam que, a cada dia, aumenta o número de pessoas com a saúde mental comprometida por causa dos problemas no ambiente de trabalho. Muitas vezes, o funcionário recebe cobranças exageradas para atingir metas, sofre assédio moral – que é aquela exposição a situações humilhantes e constrangedoras, que se repetem durante a jornada de trabalho – e passa por outras situações que acabam provocando doença e afastamento da empresa.

Uma das instituições que participam do encontro é a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho – Fundacentro. O órgão, que existe há 40 anos, é liagado ao Ministério do Trabalho e faz a assessoria de trabalhadores e sindicatos.

José Hélio Lopes, psicólogo, técnico de segurança do trabalho e educador da Fundação, fala que o assédio moral está presente nos locais onde se tem relações autoritárias de trabalho. Há lugares até em que o trabalhador é proibido de fazer suas necessidades fisiológicas, o que é proibido pela lei.

“Os problemas se manifestam fisicamente e psicologicamente. O xingamento, por exemplo, mutila a alma. O trabalhador assediado se fragiliza e muitas vezes acontece um pacto do silêncio dos colegas de trabalho, com medo de sofrer represálias”.

Fernando André Sampaio (foto 2), coordenador do Conselho Regional de Igualdade e Oportunidade da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), contou que o trabalhador tem direito a receber indenizações, mas é preciso ter provas.

“O trabalhador deve se preocupar em obter provas. Sempre que falar com a pessoa que assedia, é bom ter alguém presente, guardar e-mails, gravar a conversa. É preciso comunicar ao gestor superior –, à ouvidoria ou o departamento de Recursos Humanos da empresa. Se ele perceber que há uma cadeia de assedio estrutural na empresa, ele pode procurar Ministério do Trabalho ou seu sindicato”, explicou.

O coordenador falou que os casos de discriminação – contra sindicalistas, grávidas, etc – são os mais graves. A indenização pode chegar a dez vezes o maior salário pago pela empresa.

O assédio moral causa grandes transtornos. Há casos em que houve término de casamentos, depressão, tentativas de suicídio, insônia.

“A pessoa com problema pode fazer tratamento e se desligar do trabalho, uma vez que a causa é interpretada como acidente de trabalho. Há casos de pessoas que ficaram seis anos afastados. E não pode ser demitido”, contou André Sampaio

Segundo dados do Ministério do Trabalho, as três categorias que mais demandam denúncias é o de supermercados, teleatendimento e comerciários.

Já houve empresas que teve assédios por parte do trabalhadores, mas esses casos são minorias esmagadoras, de acordo com Sampaio.