
A Fundação Projeto Pescar é uma instituição de assistência social que trabalha com dedicação desde 1976 oferecendo formações socioprofissionalizantes gratuitas para jovens, entre 16 e 19 anos em situação de vulnerabilidade social, em todo Brasil. No mês de abril (4), os professores do Centro Interdisciplinar de Educação Social e Socioeducação Maurício Perondi e Karine dos Santos foram os convidados da iniciativa Conexão Pescar, um podcast criado para comemorar os 50 anos de história do projeto.
No episódio 4, intitulado Juventudes e Educação Social: escutar, compreender e formar no presente, Maurício explicou que houve uma reconfiguração na compreensão desse conceito, não apenas em estudos, mas nas práticas sociais. O termo no plural acompanha as transformações do mundo atual como na cultura, relações, características, maneiras de viver. “Então, essa ideia de juventudes no plural e não no singular quer nos dar uma compreensão de que não existe uma categoria universal de juventude como se acreditava ou como durante muito tempo se operou com essa categoria”.
Há diferenças no contexto social que depende dos recortes como território, classe, gênero, níveis de escolaridade e realidades familiares. Há diferenças em tempos sociais e experiências sociais. Quando nos envolvemos em um projeto social é importante olharmos para as características dos sujeitos e particularidades que impactam diretamente no trabalho, nas metodologias e propostas a serem desenvolvidas. “Mesmo dentro de um mesmo recorte ou grupo social, percebemos que as experiências podem ser diferentes”, e continua: “Todo espaço que trabalha com jovens deveria começar com um diagnóstico, conhecer as realidades para fazer a adaptação pedagógica”.
A prof Karine, também revelou que existe uma vantagem para os educadores sociais de saber previamente as trajetórias dos sujeitos que chegam. O profissional atento a isso está enxergando como o jovem é em sua integralidade, compondo um repertório que alcance essas individualidades. “Dizer “Eu te vejo” é um passo muito importante, pedagogicamente falando. As práticas pedagógicas são construídas a partir dessas relações”, comentou.
O episódio abordou assuntos como a pedagogia da presença, importância do diálogo e do acolhimento, a demarcação geracional , desafios do mundo digital e formação de educadores. Além disso, os convidados trouxeram conselhos preciosos para quem atua na área de Educação Social ou trabalha com jovens: “[os jovens] conseguem perceber quando seus professores e educadores confiam nele e no seu potencial de transformação”, Ninguém dá o que não tem. Então tu não vai dar um espaço acolhedor se tu não é alguém que acolhe”, pontuou Perondi. E a conversa se encerra com um desejo: “o Brasil precisa de educadores que conheçam profundamente seus jovens e acreditem no seu potencial, focando em descobrir “o que faz o olho de cada jovem brilhar”

