
A partir de março de 2026, o projeto de extensão Apoio Matricial em Socioeducação passou a se chamar COGUS: Coletivo de Garantia de Direitos no Universo da Socioeducação. Em bate-papo, a professora do Departamento de Psicologia Social e Institucional da UFRGS, Oriana Holsbach Hadler, compartilhou as mudanças do projeto que coordena.
Criado em 2016, o projeto busca assegurar a proteção integral prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no âmbito da execução da medida socioeducativa e para aquelas vidas que foram atravessadas pela socioeducação, atuando principalmente nos seguintes temas: direitos humanos, políticas públicas, práticas narrativas, sociopsicodrama, juventudes e processos de subjetivação.
Segundo Oriana, as mudanças foram graduais e surgiram, após pandemia, novas políticas. Ela destaca que uma das principais implementações foi o Acompanhamento Juvenil (AJ), que surgiu em 2024. A coordenadora comentou a necessidade de olhar para os jovens que estão atingindo a maioridade.
O projeto segue realizando o atendimento matricial, mas também conta com novas ações. O novo nome pretende comunicar essas novidades. A mudança para Cogus, proposta pelos estagiários Gustavo Ribeiro Cardoso e Giovani Scariot, abraça o conceito da antropóloga Anna Tsing em seu livro: O Cogumelo no Fim do Mundo.
Oriana explicou que, antes da metamorfose para Cogus, o conceito utilizado para a comunicação visual era a lógica do rizoma, que trabalha a noção das ideias crescendo e se ramificando. Em contrapartida, o cogumelo possui conexões micorrízicas que permitem, parafraseando Tsing, “infraestrutura de interconexão entre as espécies”.
Nesse sentido, o nome, além de explicar que a Socioeducação é um Universo e fazer esse divertido jogo de palavras, também fala da relação com outros seres. Os fungos, diferente do rizoma, não precisam brotar para proliferar e se adaptar ao ambiente. Durante a conversa também foi pontuada a nova identidade visual: “o logo é um cogumelo que lembra um polvo. Apesar do cogumelo tradicional ser muito bonito, o desenho escolhido provoca um estranhamento justamente por sua imperfeição, e isso representa as diferenças e a diversidade do ser humano”.
AÇÕES E PROJETOS
Além dos núcleos atuando dentro do Projeto, como o processo formativo e trabalho coletivo, o Cogus promoveu de diversas iniciativas, como o 1° Seminário em parceria com o CREAS Aquarela Gravataí, sobre crimes digitais e violência transgeracional. Outros eventos são os Espaços de Grupo e os encontros de Psicodramas, que ocorrem na Casa de Cultura Mário Quintana e outros espaços como na Orla do Guaiba. Também possuem um podcast “Memórias do Possível“, que conta com três temporadas, com a construção dos estagiários, e assuntos diversos como práticas possíveis em Socioeducação, cinedebate, obras artísticas, entre outros. Durante a conversa, Oriana enfatizou a importância de trazer assuntos relacionados ao mundo da arte e práticas artísticas em socioeducação. Por fim, uma das temporadas passou a trazer convidados para debater leis e a maioridade penal e o cenário da socioeducação em Porto Alegre. Confira clicando abaixo!
