Texto escrito por Cepopes

A educação que chamamos de social carrega em si uma visão e uma posição ético-política. Uma educação que não é a mesma referente a de transmissão de conteúdo, que não é a mesma reproduzida nos espaços oficiais, em que práticas educativas atendem a toda a população, sem discriminação de seus marcadores sociais; que não é a mesma que certifica, atribui titulações e regimenta currículos e processos. Na educação social, seriam sistematizadas as práticas pedagógicas que acontecem em diferentes espaços e ambientes e que não seguem a didática escolar, no sentido de apenas transmitir conteúdo. Desse ponto de vista, a concepção de construção de conhecimento, a transformação da realidade e a emancipação através da conscientização crítica dos fatos do cotidiano podem ser considerados meios pelos quais as práticas pedagógicas alcançam seus objetivos.

A compreensão de que uma prática pedagógica compõe uma prática educativa permite entender que se trata de uma ação com intencionalidade. A ideia de prática pedagógica corresponde a compreensão de que se trata de um processo de ensino-aprendizagem que facilmente é compreendido como processo educativo escolarizado. Passar a compreender o processo de ensino – aprendizagem de uma maneira ampla – em que o ser humano, protagonista desse processo, é entendido como um ser que vive e se desenvolve socialmente, torna lógica a conclusão de que, a todo o momento e em todos os lugares, ele ensina ou aprende algo e que é possível reconhecer processos de ensino e aprendizagem além do espaço escolar. É a partir dessa lógica que a educação social pode ser compreendida e reconhecida como um processo pedagógico, em que ensinar e aprender é o locus da sua ação.  Desse ponto de vista, a concepção de construção de conhecimento, a transformação da realidade e a emancipação através da conscientização crítica dos fatos do cotidiano podem ser considerados objetivos das práticas pedagógicas na educação social.

A educação que se ocupa do social começa assim a ser identificada, no Brasil, no momento histórico em que atores sociais, ocupados em minimizar os efeitos dos problemas sociais começam a reunir crianças e adolescentes em praças, para desenvolver ações educativas. Logo, esses atores sociais começam a ser chamados educadores sociais (de rua). Motivados pelos princípios de uma educação que subverte a lógica escolar, organizam rotinas, planejam e executam ações coordenadas para o desenvolvimento integral dos sujeitos. Trata-se de uma educação que nasce no bojo de uma sociedade desigual, na qual milhares de sujeitos estão aquém do acesso pleno de seus direitos e que, vinculados às políticas públicas, sobretudo as da assistência social, têm o direito a uma educação que têm a capacidade de estimular a formação do ser humano de forma integral, conjugando esforços para a construção da dimensão real do acesso de seus direitos. Nessa perspectiva, a educação social poderia ser denominada como uma pedagogia dos direitos. Em síntese, é uma educação com a atenção voltada aos fenômenos sociais. Logo, é tarefa da educação social construir coletivamente respostas pedagógicas aos conflitos da vida humana em sociedade.

Petrus (1997)[1] descreve que o mais adequado para definir com exatidão o que se entende hoje por educação social é recorrer à análise da realidade existente e refletir sistematicamente sobre o que esta realidade é e o que deve ser. Ele defende que a educação social é uma terminologia de difícil precisão, porque a sua conceituação tende a variar segundo a ideologia, a filosofia e a visão antropológica em que está embasada.

[1]              PETRUS, A. (Org.). Pedagogia Social. Barcelona: Ariel, 1997.

O QUE É EDUCAÇÃO SOCIAL?

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