Um pouco da História do Colégio de Aplicação da UFRGS

O Colégio de Aplicação da UFRGS foi fundado pela professora Graciema Pacheco. A origem do CAp-UFRGS se reporta a um decreto federal de 1946, realmente efetivado em 1954, e é resultado do esforço de um reduzido grupo de educadores da Faculdade de Filosofia.

O grupo inicial de professores estava decidido a aproveitar a possibilidade de ampliação do espaço para a formação pedagógica, comprometendo-se com a teoria e a prática docentes. Portanto, os CAps se estabelecem como espaço a serviço da prática docente de estagiários dos cursos de licenciatura da UFRGS, assim como de construção de campo de investigação pedagógica para a Faculdade de Filosofia dessa Universidade.

As atividades foram iniciadas, oficialmente, no dia 14/04/1954 – ano em que a Faculdade de Filosofia veio a possuir prédio próprio.Embora contemplado com verbas próprias, o CAp ocupou, inicialmente, quatro salas do prédio central da Faculdade de Filosofia, que também lhe colocou a disposição móveis, laboratórios e material didático.

De 1954 a fins de 1955, o Ginásio (como era chamado o Colégio), funcionou em salas do prédio central da Faculdade. De 1956 a 1959, transferiu-se para um pavilhão, também da faculdade – uma construção mista, adaptada para esse fim.

No início do ano letivo de 1960, o Colégio foi instalado em dois pavilhões de madeira, construídos mediante acordo entre a Universidade e a Prefeitura Municipal.

A partir de 1971, o CAp passou a ocupar o prédio da Faculdade de Educação (FACED), e a lei 62997, de 16/07/1968 determinava que o Colégio passava a pertencer à FACED, devendo formar o Centro de Educação Primária e Média.

Enfim o Colégio, depois de fazer parte da FACED, conquistou em 1996 território próprio, no Campus do Vale. E, do novo Campus, os alunos do Colégio de Aplicação assistiram a um incêndio que destruiu o “velho colégio” do centro – incêndio que também destruiu documentos importantes para a história do Colégio.

A fundação do Colégio de Aplicação se deu em meio a um clima de efervescência política – vitória eleitoral do General Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), crescimento de movimentos reivindicatórios, era Vargas, industrialização do país e, por fim, crise política e econômica – e segue dentro da proposta desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek.

Atualmente o CAp-UFRGS é regido, além do decreto-lei número 9053 de 12/03/1946, pela Portaria número 959 de 2013, pelo artigo 107 dos Estatutos da UFRGS, e por seu próprio regimento.

Ao longo de sua trajetória, o Colégio de Aplicação vem desenvolvendo novas propostas pedagógicas; sendo pioneiro no trabalho com classes experimentais, conselho de classe, conselho de classe participativo; conta com professores especialistas nas disciplinas de Educação Física, Música e Línguas Estrangeiras desde as séries iniciais; oferecendo ensino de Línguas Estrangeiras – Alemã, Espanhola Francesa e Inglesa – como partes integrantes do currículo; implantando de laboratórios de ensino que desenvolvem estudos especiais e atendimento às diferenças individuais, tendo em vista tanto a recuperação quanto a aceleração do ensino; oferecendo opções de modalidades esportivas; trabalhando com interdisciplinaridade e iniciação científica nos diversos níveis e modalidades de ensino; oferecendo Artes, Teatro e Música em todos os anos da educação básica; e ainda propondo projetos de pesquisa e extensão (ver as abas pesquisa e extensão). Além disso, o Colégio também é responsável pela formação inicial (estágios) e continuada de professores.

O Colégio de Aplicação da UFRGS constitui-se em um centro de investigação educacional, sempre em busca da construção de um saber reflexivo, consonante com as necessidades da sociedade em que está inserido.

Adaptado da Dissertação de Mestrado de Liane Saenger Schütz.  “Sótãos e Porões: sacudindo a poeira do Colégio de Aplicação”, PUCRS, 1994.