Cenas Mínimas tem nova apresentação com Experiências Epiphônicas

O novo projeto de teatro e performances em geral do Departamento de Difusão Cultural da UFRGS, o Cenas Mínimas, tem, nos dias 20 e 21 de maio, às 19h, sua segunda apresentação. Após a bem sucedida apresentação ao público da peça El Juego de Antonia, em abril, Fabio Mentz e Laura Backes realizam a performance Experiências Epiphônicas.

No dia 21, após a performance, Fabio e Laura recebem a instrumentista, cantora, compositora e educadora musical Simone Rasslan para uma conversa. Embora gratuito e aberto ao público, como uma maneira de retribuição aos artistas, os espectadores poderão doar espontaneamente.

Fabio Mentz é músico, compositor, multi-instrumentista, produtor e astrólogo, estudou flauta transversal com Isolde Franck e fagote com Gunter Kramm. Atualmente, é fagotista da Ospa – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e Orquestra do Sesc.

Laura Backes é uma artista e educadora que transita por diferentes terrenos das artes em que há o encontro efêmero diante do outro, particularmente focada na experimentação vocal. Foi professora de corpo e voz na UFRGS e na Ufpel, e hoje dá aulas de voz e movimento pro Grupo Experimental de Dança da prefeitura, assim como na oficina Dança, Educação Somática e Criação, que acontece aqui no Centro Cultural da UFRGS, com coordenação de Cibele Sastre. Sua pesquisa tem como referências práticas o campo da Educação Somática entrelaçado com o campo das Vozes Estendidas, no qual a voz visita territórios experimentais a partir da percepção do corpo. Mestre e bacharel pelo DAD-UFRGS, defendeu a dissertação Voz e emoção – provocações a partir de Roy Hart, Wolfensohn e Pantheatre. Como cantora, integrou o Baxtale, grupo de pesquisa musical romaní.

Serviço

CENAS MÍNIMAS | EXPERIÊNCIAS EPIPHÔNICAS
Data: 20 e 21 de maio, às 19h
Ingresso: por ordem de chegada – gratuito e aberto ao público
Local: Sala Pitangueira | Centro Cultural da UFRGS (Av. Luiz Englert, 333)

Sobre o Cenas Mínimas

Cenas Mínimas é o novo projeto idealizado para a Sala Pitangueira do Centro Cultural da UFRGS, e tem como foco – como o próprio nome já indica -produções de pequeno formato. Para além dos desafios que surgem em atuações de elencos reduzidos e na não-espetacularidade dos recursos, o que está em jogo aqui é a própria relação entre atores e espectadores na situação da performance. Possibilidades de contato, afetação e proximidade com ênfase na presença viva dos gestos humanos no contexto das artes cênicas: teatro, performance-arte, dança, arte circense e música. As apresentações acontecerão mensalmente às segundas e terças-feiras e, ao final do segundo encontro, haverá ainda uma conversa entre artistas, público e um convidado ou convidada especial.

Lígia Petrucci, coordenadora e curadora do projeto

Sobre a performance Experiências Epiphônicas

O som, especialmente o musical, tem em si um papel conectivo: liga, comunica, contextualiza, estabelece pontes intrapsíquicas, vinculando o dentro e o fora, o natural e o estrangeiro, os tempos e suas memórias, carrega em suas formas os diferentes constructos culturais, étnicos, tecnológicos, reflete e articula o profano e o sagrado.

O som traz em si uma dimensão arquetípica fundadora: Big Bang! O Verbo fez-se luz!

Nessa perspectiva, podemos pensar que estamos numa grande onda, que os orientais chamam de Divina Canção, somos partículas vibrantes da espuma ressoando na natureza rítmica da vida: nuvens de elétrons, moléculas digerindo moléculas, corações pulsantes, respiração, caminhamos pelos ritos do dia a dia, pensando e sentindo recorrentemente, participando de ciclos cósmicos…

Não é à toa que o som simboliza essa dimensão cosmológica. Não temos pálpebras nas orelhas, escutamos antes de nascermos, enquanto dormimos, estamos envolvidos por um campo sonoro que não tem começo nem fim, vivemos através dele, somos constantemente atravessados por algo que é e passa e ao mesmo tempo é incorpóreo. E nesse movimento se revela a natureza profunda e substancial dos meios e coisas, ressoa a estrutura harmônica.

Nossa voz ressoa nosso corpo, reflete todas suas (ex)tensões, todas as forças e movimentos que o compõem. Nosso corpo ressoa nossa voz em toda sua amplitude.

Podemos escutar o corpo da nossa voz? De que formas podemos escutar a voz em nossos corpos?

Fabio Mentz e Laura Backes têm se encontrado semanalmente nos últimos dois anos para entoar vogais e perceber a corporeidade de suas diferentes ressonâncias, deslizar por intervalos e modos, praticar improviso. Fazem desta prática um processo de investigação criativa que poderia se alinhar à educação somática, ao mesmo tempo em que tocam na base de tradições como o nada yoga (yoga do som), o canto harmônico, as práticas xamânicas e populares.

Agora surge a oportunidade de compartilhar estas Experiências Epiphônicas no projeto Cenas Mínimas, na acústica viva do Centro Cultural, como celebração musical.

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