20 músicos exploram a potência e a beleza da música instrumental em espetáculo do Unimúsica

Guitarra, baixo, gaita-ponto…, 20 músicos no palco, 13 músicas para serem tocadas. Pensa-se nisso e imagina-se bagunça ou caos. No lugar, porém, o Unimúsica desta quinta-feira, 4, trouxe aos cerca de 800 expectadores um espetáculo harmonioso e vibrante, em que os músicos e as composições pareciam em completa sintonia. “Por entre Sons”, com direção e curadoria de Pedrinho Figueiredo e Ras Vicente, prestou sua homenagem à produção musical de Porto Alegre ao reunir a heterogeneidade da música instrumental. Entre uma música e outra, não havia um corte bruto, os artistas mudavam de lugar, mudavam os instrumentos, trocavam de posição entre si e iniciavam a próxima música, como se o espetáculo fosse uma grande dança ou, ainda, uma peça de teatro.

“A música instrumental, abstendo-se da comunicação direta através das palavras, está livre para expressar da forma mais original os sentimentos de seus compositores e intérpretes, e ao mesmo tempo, deixa livre quem escuta para recebê-la com a melhor moldura que lhe ocorrer. Desperta sensações, acorda memórias, testa significados particulares, enquanto vibra o ar para todos que estão por entre os sons“. Foi dessa forma que, acompanhado por projeções de videos com imagens de detalhes de Porto Alegre, o flautista Pedrinho Figueiredo deu início à noite. Logo na sequência, o palco, que estava em blackout, é iluminado por luzes magenta, e “Frajola”, de Manfred Fest, começa a ser tocada por 14 músicos.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi o duo de baterias de Marquinhos Fê e Lucas Fê. Tio e sobrinho tocaram juntos na mesma bateria, levando o público presente aos aplausos e gritos. Outra tabelinha marcante ocorreu entre Michel Dorfman, no piano, e Jorginho do Trompete, tocando a música “Gauchinha Bem-querer”. Ao fundo, um vídeo mostrava o fim de tarde na cidade, em que o sol se punha ao lado do Theatro São Pedro e as luzes dos carros atravessavam a imagem.

Com um final apoteótico, Por entre os Sons encerrou o repertório com os 20 músicos no palco do Salão de Atos. Ao som de “Barra do Ribeiro”, Renato Borghetti entrou tocando uma gaita-ponto e se colocou ao lado do virtuose da guitarra Frank Solari. A sensação era de se estar, de fato, por entre os sons. Ao mesmo tempo em que ouvia-se a guitarra, o saxofone e o piano era difícil – e desnecessário – separá-los. A hibridez de estilos e músicos que percorreu toda a noite pareceu convergir em um só momento. Foi inesquecível. 

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