Próximo Cenas Mínimas apresenta peça teatral com obras obscenas de Hilda Hilst


Utilizando a prosa de Hilda Hilst, os atores Arlete Cunha e Marco Fronchetti propõem uma viagem pelo texto erótico e transgressor da escritora no próximo espetáculo do Cenas Mínimas. Obs.cenas convida o público para uma aventura teatral no universo da obscenidade das obras de Hilda nos dias 19 e 20 de agosto, às 19h, no Centro Cultural da UFRGS.

A trama de obs.cenas gira em torno da história de um escritor em crise na tentativa de criar uma obra pornográfica, do drama de uma escritora refletindo sobre a velhice e a solidão, do ato de escrever como possibilidade de jogar com os limites da linguagem e da constatação que a lucidez sobre a vida constitui a verdadeira obscenidade. A peça é inteiramente composta por textos de Hilda Hilst, autora considerada pelo crítico Leo Gilson Ribeiro “o maior escritor vivo em língua portuguesa”.

Entre 1990 e 1992, a escritora publica os três livros em prosa e o livro de poemas que compõem a sua “tetralogia obscena”: O Caderno Rosa de Lori Lamby (1990), Contos d’Escárnio/Textos Grotescos (1990), Cartas de um Sedutor (1991) e Bufólicas (1992). Assim como a tetralogia, o tema do erótico e da obscenidade nos textos de Hilda são os motes da apresentação de Arlete Cunha e Marco Fronchetti. O ator explica que “a peça traz principalmente as obras obscenas, mas também outros livros e entrevistas, começando com o texto erótico e partindo para um momento mais filosófico, como o questionamento de Deus e o que é a vida”.

Durante o processo de finalização do roteiro, os artistas passaram oito dias na Casa do Sol, residência onde a escritora paulista viveu de 1966 até 2004, atual sede do Instituto Hilda Hilst. Foi nesse período que os atores decidiram que somente textos da autora fariam parte da apresentação. “As pessoas costumam perguntar o que é texto nosso e o que é texto dela. São todos textos dela, nós não dizemos uma palavra que não seja da Hilda Hilst”, destaca Fronchetti.

Além das apresentações dos dias 19 e 20 no Centro Cultural, a peça já foi interpretada na Sala Qorpo Santo da UFRGS, no Salão Mourisco da Biblioteca Pública do Estado, na Fundação Iberê Camargo e na Sala de Música do Multipalco do Theatro São Pedro. A proposta do projeto é levar o trabalho a espaços não convencionalmente teatrais, mas ligados à preservação e divulgação da literatura e das expressões artísticas.

Serviço
Sobre: Cenas Mínimas | obs.cenas, com Arlete Cunha e Marco Fronchetti
Data: 19 e 20 de agosto, às 19h
Ingresso: por ordem de chegada – gratuito e aberto ao público. Haverá doação espontânea diretamente aos artistas
Local: Centro Cultural da UFRGS (Rua Eng. Luiz Englert, 333)

Quem é Arlete Cunha
Atriz, performer, diretora, professora e pesquisadora de linguagens teatrais que atua no cenário cultural gaúcho há mais de 30 anos. Participou de importantes e premiadas montagens teatrais, como: Fim de Partida, Ostal – Rito Teatral, Antígona – Ritos de Paixão e Morte, Dança daConquista, A História do Homem que Lutou Sem Conhecer Seu Grande Inimigo, Dr. Fausto – Missa Para Atores e Público e Se Não Tem Pão, Comam Bolo, todos realizados durante os 12 anos de trabalho com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.
Atuou também nas peças Os Fuzis da Senhora Carrar de Bertold Brecht, Dorotéia, de Nelson Rodrigues, Espancando a Empregada de Eduardo Kraemer, O Barão nas Árvores de Roberto Oliveira. Recebeu o Troféu Açorianos Especial de Atriz por sua atuação em Fim de Partida (1986), o de Atriz Coadjuvante – Troféu Quero-Quero/Sated/RS por Antígona (1990), o Prêmio de Melhor Atriz de Teatro de Rua no Festival Nacional de Teatro de São José do Rio Preto/SP pela atuação na peça Deus e o Diabo na Terra de Miséria, o Troféu Açorianos de Melhor Atriz de 2004 por sua atuação em Hilda Hilst in Claustro com direção de Roberto Oliveira, além da indicação de Melhor Coadjuvante pela atuação em “Antígona” com direção de Luciano Alabarse.
Em 2006, foi premiada com o Troféu Quero-Quero de Melhor Atriz de Teatro Infantil por Pé de Pilão, de Atriz Coadjuvante por Mamãe foi pro Alaska e de Melhor Peça de Teatro de Rua por A Revolução dos Bichos, da qual é a diretora.

Quem é Marco Fronchetti
Ingressou em 1975 no Curso de Arte Dramática da UFRGS. Em 1980, foi umdos formadores do Grupo TEAR, dirigido por Maria Helena Lopes, com ênfase no teatro físico e fez parte de todas as montagens do grupo até 1998. Realiza cursos de mímica, expressão corporal, dança, voz e interpretação.
A partir da experiência como ator no TEAR e do contato com outros grupo teatrais (Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho, Grupo Galpão de Belo Horizonte), estabelece os critérios para continuar sua formação. Desde então, fez cursos e workshops com Bia Lessa (Porto Alegre, 1990), Gerald Thomas (Porto Alegre, 1993), Arianne Mnouchkine (Théâtre du Soleil) (Paris, 1993), Alan Maratrat (ator de Peter Brook) (São Paulo,
1994), Eugenio Barba (Porto Alegre, 1995), Philippe Gaulier (Porto Alegre, 1996), Teatro de Los Andes (Porto Alegre, 2004: Bolívia, 2007), Fernanda Montenegro (Porto Alegre, 2004), entre outros.
Com algumas experiências anteriores, a partir de 1999 se estabeleceu como diretor teatral e formou o grupo Teatro de Ensaio, com o qual realizou as montagens de Álbum do Desejo (1999), Ensaio (2000) e Tragikós (2001). Desde 1994, ministra oficinas e workshops de preparação e treinamento do ator. Em 2003, participa da banca examinadora dos trabalhos finais dos alunos do TEPA (Teatro Escola de Porto Alegre); e, em 2004, ministra o Curso de Extensão Laboratório da Interpretação Teatral no Departamento de Arte Dramática da UFRGS. Em 2007, dirigiu Vladimir e Estragon, adaptação de “Esperando Godot” de Samuel Beckett, em 2009, O bairro, com textos de Gonçalo M. Tavares, e em 2011, Do it.

Deixe uma resposta

X