
Em 24 de março, realizamos o terceiro grupo de discussão sobre as atividades de “tempo livre” no bairro Restinga, desta vez com a participação de estudantes da Escola Estadual Raul Pilla. Os debates anteriores, realizados em janeiro, contaram com moradores e ativistas idosos, adultos e jovens-adultos. Este procurou contemplar as práticas de jovens-adolescentes.
Procuramos garantir uma distribuição equilibrada entre meninos e meninas, considerando ainda os diferentes anos do ensino médio e distintas tomadas de posição em relação às práticas escolares.
Contrastados aos demais grupos, este se destacou pela diversidade das referências culturais citadas para seus cotidianos. De uma parte, poderíamos aventar uma vivência da condição juvenil de maneira mais plena, dada a vivência institucional escolar ampla, sem que precisem trabalhar até o momento. De outra, parece haver um aproveitamento intenso da diversidade de opções de consumo, com algumas incursões pela língua inglesa.
Há um considerável consumo de narrativas ficcionais de TV e internet (seriados e novelas), ampla fruição musical e um gosto disseminado pelas redes sociais, em especial aquelas com postagens mais curtas e instantâneas. O objetivo da navegação estaria sobretudo na interação e sociabilidade.
Além disso, foi possível observar segmentações de gênero (um tanto tradicionais) nas opções de lazer e no acesso ao espaço público. Apesar dos riscos interpostos pelos agentes do tráfico, os jovens (especialmente, os meninos) demonstram resistir, fazendo incursões em grupo para festas ou para jogar futebol nos campos do bairro. As meninas, embora também ocupem o espaço público, diziam tender a atividades em casa, em função dos riscos da rua.
