
O projeto Juventudes e experiências da educação: das relações entre individuação e reflexividades dá continuidade e procura expandir problematizações desenvolvidas na interface entre as áreas de ‘Sociologia das Juventudes’ e ‘Sociologia da Educação’, tendo localidades de periferia urbana como loci para diálogos de pesquisa e extensão. Temos nos dedicado a estudar processos de individuação e de identização entre jovens e, neste ínterim, temos estabelecido, ainda, interlocuções específicas sobre os consumos culturais, as práticas artísticas e esportivas e sobre a habitação da instituição escolar. As informações já sistematizadas nos permitem aventar que a escolarização compõe os processos de individuação juvenil desde uma relação tensa entre jovens e instituição, de forma que os indivíduos tendem a agenciar tempos e atividades organizacionais na produção de sentidos próprios à permanência na escola, em articulação a saberes de outros espaços de ação.
Então, elaboramos esta proposta sob o propósito de compreender como as experiências construídas pelos jovens no campo da educação, entre práticas escolares e não-escolares, constituem os processos de individuação juvenil em contextos de periferia urbana, enfatizando-se as dinâmicas reflexivas e participativas instigadas. Para tanto, seguiremos trabalhando com as contribuições de Danilo Martuccelli no que tange à análise da individuação latino americana, agregando discussões de Luc Boltanski sobre as formas de reflexividade. Pretendemos trabalhar com diferentes técnicas em campo, incluindo grupos de discussão, questionários e entrevistas narrativas individuais.
Estamos trabalhando, além disso, para articulação com diferentes pesquisadores, de orientandos de graduação e pós-graduação a colegas professores de outras universidades. Esta pesquisa busca, assim, tomar a consolidação de inferências construídas ao longo de cerca de dez anos de incursões a diferentes localidades de periferia na capital gaúcha, para contextualizar estudos sobre a atuação juvenil em espaços educativos, ampliando o escopo urbano de investigação e, ademais, discutindo as potencialidades políticas das práticas educativas frente a cenários de desigualdades sociais diversas.

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