Texto escrito por Leila Aparecida Cunha Thomassim, assistente social da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, conselheira do Conselho Estadual de Assistência Social (CEAS) e mestranda do do Programa de Pós-Graduação em Política Social e Serviço Social da UFRGS.
A organização dos trabalhadores do SUAS é um desafio constante, principalmente pela história assistencialista, clientelista que atravessa a assistência social e está em disputa permanente em detrimento ao direito, e que se reascende neste momento quando cresce a agenda do Estado mínimo com o avanço de governos liberais conservadores. Essa história rebate na identidade dos trabalhadores(as), tanto da rede pública, como na rede socioassistencial privada. Se colocar como trabalhador é uma das principais problematizações que devemos fazer, pois nem somos o Governo, nem as ONGs e descolar dessa representação requisitada, na maioria das vezes e se colocar enquanto classe trabalhadora é o primeiro exercício. No SUAS a visibilidade do(a) trabalhador(a) só se materializa com a Norma Operacional de Recursos Humanos – NOB RH (que define as equipes de referência dos serviços, dá diretrizes para a gestão do trabalho, mesa de negociação, concurso público, educação permanente) passando a compor a agenda política dos trabalhadores. A necessidade de agregar e dar unidade as organizações e entidades de trabalhadores da política, através de fóruns começa a se constituir a partir da VII Conferência Nacional de 2009 , que pautou o controle social nos conselhos de assistência social. Mas é com o processo de definição das profissões que integram o SUAS (2010) que de fato se estrutura o Fórum Nacional de trabalhadores do SUAS e os fóruns estaduais e municipais, passando a participar do cenário político e organizar suas agendas de lutas. A constituição dos fóruns como espaços de construção da unidade do conjunto de trabalhadores do SUAS continua sendo um desafio na prática cotidiana, pois enfrentam ataques e desafios, como qualquer espaço de organização política dos trabalhadores (disputas de concepções, riscos de burocratização, fragilidades organizativas) embora represente de fato um avanço importante, no direcionamento das agendas políticas (luta por concurso público), contribuindo na visibilidade do trabalhador, sua presença ativa nos espaços de controle social e tencionando a constituição de uma identidade específica. Apresentam limites em enfrentar os ataques e desmontes do SUAS, desregulamentação dos direitos pois são lutas que são do conjunto da classe trabalhadora. Portanto a potência dos fóruns de fato se irradiam e se expandem com sua articulação às lutas com movimentos sociais, sindicais, frentes em defesa da seguridade social, portando colada a realidade concreta vivenciada pela classe trabalhadora.
