Tânia Fortuna e o Quem quer brincar?

Prestes a se aposentar, a professora Tânia Ramos Fortuna, que é a coordenadora de um dos maiores e mais antigos programas de extensão da UFRGS, foi entrevistada pelo jornalista Vicente Fonseca, da Revista da Extensão. Quer ler a matéria completa? Clique aqui.

Revista da Extensão: E esta transição no comando do programa, a partir de sua iminente saída? Como tem sido esse processo?

Tânia Fortuna: De dois anos para cá, comecei a preparar o futuro do programa, me preparando inclusive para o fato de que ele inclui uma transformação, virar outra coisa. Eu me dei conta, nos anos em que orientei a criação de espaços de brincar, que as brinquedotecas são entes vivos. Elas dependem da vida de quem nelas atua e dos sonhos das pessoas que estão nelas e são depositados nelas.

Então, ela é hoje o sonho das pessoas que passaram por ela até agora – muitos dos meus sonhos e da professora Leda Maffioletti, que foi minha companheira por um bom tempo na coordenação do programa. Mas ela terá que comportar os sonhos dos seus futuros participantes. Preparei-me para isso e criei uma figura chamada conselho curador, algo realmente estratégico e político. Convidei colegas que eu reconhecia como sendo parceiros, apoiadores institucionais, pessoas em lugares-chave da Faculdade de Educação, que pudessem levar a bandeira do programa. Desse conselho emanou a busca de um possível futuro coordenador do programa.

Fizemos toda uma perscrutação, uma audição dos interesses, das possibilidades. Não foi fácil. Eu refleti muito sobre por que as pessoas não queriam pegar o programa: porque ele é grande, ele é trabalhoso e, claro, ele está muito personalizado também. Tem um peso tu chegares em um lugar que já tem um carimbo de uma pessoa, um nome e um sobrenome. Mas nós fomos mobilizando os colegas e encontramos um projeto aqui na FACED, que é novo, mas que já de início a gente percebeu as relações de proximidade: a Didacoteca, uma iniciativa dos colegas da área de Didática de prover, tal como nós, com jogos e brinquedos, materiais pedagógicos para os estudantes – eles trabalham exclusivamente com os estudantes da Universidade. Fizemos as aproximações e estamos agora em pleno processo de transição. A pessoa que vai me suceder é a Profª Marília Forgearini Nunes, que é da área de Literatura Infantil e, portanto, tem uma pegada com o lúdico também, envolvendo esse pessoal. Ainda não sabemos bem como será o futuro: se os projetos serão fundidos num só ou se pelo menos se manterão muito relacionados.

Créditos das fotos: Alina Souza/Correio do Povo