Os protestos de 2013 começaram pela rejeição ao aumento no valor das passagens de ônibus, mas logo conectaram uma série de outras questões que foram se tornando mais e mais pulsantes.
Repúdio a uma suposta “cura gay”; a crescente intolerância com a percepção de que tudo era permeado pela corrupção; a oposição à PEC 37, apresentada com o intuito de conceder à polícia poderes extraordinários; o desprezo por Renan Calheiros e o controle que mantinha das ações do Congresso Nacional…
Muito se diz a respeito de como 2013 teria sido premonitório do que se desdobrou no decorrer do tempo; de lá até hoje e, possivelmente, além. Olhando as imagens daquelas manifestações, sinto um certo frio na espinha, desses que filmes de terror, horror muitas vezes, causam.
Ainda agora, em que o momento que vivemos é todo o contrário à possibilidade de “reunião para protestos” – devemos estar isolados, afinal -, 2013 parece pertinente: na diversidade de questões com as quais se debatia, na polarização que já aparecia latente nas imagens, no incômodo com o que se pressentia, projetando rumos inquietantes ainda que incertos naquele momento. Pouca gente, talvez, conseguisse imaginar os caminhos absurdos que o país tomaria. Ainda assim, olhando as imagens, quase tudo parece estar lá.
As fotografias deste ensaio foram feitas por mim, durante uma manifestação em 6 junho de 2013, em Porto Alegre, para reportagens do Jornal da Universidade.
Flávio Dutra é fotógrafo do Jornal da Universidade.









