Saúde pública | O contato com águas contaminadas pode ocasionar inúmeros riscos à saúde. Entre as principais preocupações, doenças como a leptospirose e a hepatite A
Para prevenir a população dos riscos à saúde, o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) produziu um guia básico de cuidados após enchentes. O material traz informações sobre doenças acarretadas pelas inundações e aquelas transmissíveis em lugares lotados, como abrigos. Alerta, ainda, para ocorrência de lesões, tétano acidental, choque elétrico, alergias, acidentes com animais peçonhentos e outros problemas relacionados à higiene e condições alimentares precárias.
Para evitar o contato da pele com a água contaminada, o CEVS recomenda o uso de luvas, botas de borrachas ou outro tipo de proteção para as pernas e braços, como sacos plásticos duplos. O atendimento à população e a profissionais em saúde é feito pelo telefone 150.
Ocorrências mais comuns
A leptospirose é uma doença causada pelo contato de bactérias presentes na urina dos ratos com a pele humana, principalmente através de cortes ou arranhões, olhos, nariz e boca. Seus primeiros sintomas são febre, dor de cabeça e dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas. Exige atendimento médico imediato.
O vírus da hepatite A pode ser transmitido pela ingestão de água ou alimentos contaminados com esgoto ou dejetos humanos. O período de incubação médio é de quatro semanas. Sintomas como mal-estar, prostração, febre, mialgia (dor muscular), náuseas, vômitos e icterícia (pele e olhos amarelados) podem se apresentar entre 15 e 45 dias após o contágio, mas muitas pessoas podem ser assintomáticas. Há vacina disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).
Além disso, há doenças diarreicas que podem ser causadas por bactérias, vírus e parasitas encontrados nos microrganismos presentes nos esgotos e nas fezes de animais. A circulação frequente é dos norovírus, que atingem todas as faixas etárias, somado aos enterovírus, rotavírus e bactérias como Escherichia coli, Salmonella e Shigella.
Durante excessos de chuvas, pode, ainda, haver o desalojamento de aranhas, serpentes, escorpiões e lacraias. Esses animais geralmente se escondem sob entulhos, madeira empilhada, tijolos, telhas e lama. Em caso de picada, o local da ferida deve ser limpo com água e sabão e a vítima deve ser mantida sentada ou deitada, com o local afetado em posição mais elevada, e levada ao serviço de saúde mais próximo. O telefone 0800 721 3000 atende a esses casos e funciona gratuitamente 24 horas por dia e 7 dias por semana.
Após o restabelecimento da distribuição de água tratada
Caso tenha sido invadida pela água da enchente, a caixa d’água ou cisterna deve ser esvaziada e ter suas paredes esfregadas com escova e pano limpo. Um litro de água sanitária deve ser adicionado para cada mil litros de água e deixado de molho durante duas horas. Após este tempo, a caixa ou cisterna deve ser esvaziada para ser enchida novamente.
Nas residências que não possuem reservatórios domiciliares, os moradores devem, após o restabelecimento do abastecimento de água, deixar a água das torneiras escorrer por alguns minutos para eliminar a água contaminada dos canos.
Limpeza dos ambientes afetados
Os objetos que não puderem ser recuperados por meio da higienização com escova, sabão e água limpa devem ser descartados. Medicamentos e alimentos, mesmo os embalados e enlatados, que entraram em contato com as águas da enchente também devem ser descartados.
Utensílios domésticos como panelas, copos, pratos e objetos lisos e laváveis devem ser lavados normalmente com água e sabão e mergulhados em uma solução de 200 ml de água sanitária para 800 ml de água.
Pisos, paredes, bancadas e quintais devem ser limpos com água e sabão e desinfetados em seguida com 200 ml de água sanitária para cada 20 litros de água, deixando agir por 30 minutos.





