Até abril, eu sonhava o sonho de um rio, onde o rio sonhava na gente o sonho do rio, no sonho da gente. Desdobrava um sonho fluido, um sonho outro, antes dele tornar-se um sonho-pesadelo. O pesadelo também é sonho, por mais duro que seja, uma abertura possível de anunciações. Digo isso sem misticismos, o cotidiano faz sua costura na realidade presente, que diz muito sobre o futuro, o agora. Ganhei os mapas hidrográficos em abril ainda, os mapas do Rio grande do sul, encarando meus olhos de uma baianidade sertaneja, que cobre espelhos quando o céu relampeia. Não tive saída se não me relacionar com os mapas, diante de tudo isso, como num ritual, me debruçar, enquanto, o enquanto desastroso e inseguro se faz, se acontece. Fugas, talvez seja isto, fugas, numa não perspectiva sobre nada, tecendo qualquer desejo de uma anunciação, outra de mudança sobre nosso estar no mundo.

Virgínia Di Lauro
Virgínia Di lauro (1989, Barra do Choça, Bahia) Reside em Porto Alegre, bacharelanda em Artes Visuais pela UFRGS.
Instagram: @pedra.queandou
Site: www.virginiadilauro.com




