Bruna Stedile: a sensação de pertencimento

Câmpus do Vale | Estudante do curso de Farmácia destaca como a falta de contato pessoal impacta nos pequenos prazeres da rotina

*Foto de capa: Bruna Stedile com orientação de Flávio Dutra

Dizem que saudade é uma palavra difícil de traduzir por causa do sentimento complexo que evoca, mas para Bruna Stedile, graduanda em Farmácia pela UFRGS, é fácil construir imagens dos cenários da vida universitária que mais lhe são saudosos: o diretório acadêmico cheio de colegas, a geografia acolhedora do Câmpus de Vale e os sorvetes tomados nos dias de verão em Porto Alegre.

Natural de Caxias do Sul, Bruna conta que sente falta das dinâmicas das aulas práticas e ressalta a sensação de pertencimento que teve ao ingressar no curso: “São pessoas que nem tu, que estão estudando a mesma coisa que tu, com as mesmas dificuldades, com os mesmos professores. Parecia um lugar a que a gente pertence. Isso é o que eu mais sinto falta, de ver que eu pertenço a uma comunidade dentro da Universidade”.

Primeiras impressões da capital

Ainda residindo na serra gaúcha, Bruna pensou em começar em alguma faculdade nas proximidades de sua cidade natal, porém foi incentivada a tentar o vestibular para a universidade federal. Segundo ela, a UFRGS destacou-se em sua preferência por ser uma instituição grande, com respaldo e influência na pesquisa em ciências biológicas. Em uma excursão, a jovem foi apresentada ao ambiente acadêmico e teve seu primeiro contato com Porto Alegre, cidade que viria a chamar de casa no ano de 2019. 

A decisão pelo curso de Farmácia foi permeada pelas dúvidas tão comuns ao momento de escolha da profissão: Bruna pensou em ser astrônoma, professora, psicóloga e biomédica. Acabou optando pela área farmacêutica por se identificar com análises clínicas e medicina laboratorial. “Me baseei na minha personalidade, sou uma pessoa bem introvertida e quietinha, então um ambiente de laboratório seria o ideal para mim […] Como eu não sabia o que eu ia fazer, decidi por farmácia porque análises clínicas chamava minha atenção e, se eu não gostar de análises clínicas, tenho outras opções, não sei o que vou seguir, mas acabei gostando bastante também da parte de medicamentos, de insumos farmacêuticos, de assistência farmacêutica”, diz. 

A experiência do espaço universitário ajudou Bruna a se adaptar a uma nova realidade. De natureza tímida, a estudante sentiu-se acolhida pelos companheiros de faculdade, o que contribuiu no desenvolvimento de habilidades sociais. Já no quarto semestre de graduação, Bruna define como “impactante” a mudança para a capital e a receptividade que vivenciou. 

Pandemia: dificuldades e aprendizados

O período pandêmico modificou a maneira secular que caracterizava o encontro entre professores e alunos. A partir de 2020, as videochamadas intermediadas por pequenas telas foram se tornando o meio de estudo possível, trazendo consigo os entraves da comunicação a distância, como a ausência das aulas práticas que permitiam oferecer uma visão concreta do que é trabalhar no ramo farmacêutico. Vendo o copo meio cheio, Bruna aprendeu a ser paciente com prazos e metas, acreditando que tudo eventualmente irá retornar à normalidade.

Ao rememorar o início da pandemia de covid-19, a estudante salienta a dificuldade em manter-se motivada para o Ensino Remoto Emergencial: “Quando começou o ERE, eu gostei bastante porque me deu mais uma motivação, mas ao longo dos meses foi me desmotivando porque é um pouco chato não ter contato com as pessoas”. Apesar de as circunstâncias árduas que foram impostas pelos tempos de isolamento social, Bruna procura ser persistente e vislumbra um futuro mais cômodo: “A gente não pode tirar o foco do futuro, que no caso o meu é ser uma farmacêutica bem-sucedida e com bastante conhecimento. Vão ter dias ruins, mas passa”.


A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto entre o JU e a UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: