A ambição de Bruno Kalil Medeiros

Perfil | Estudante de Economia da UFRGS criou aplicativo que busca reproduzir um ecossistema acadêmico pelo celular. Alunos podem ter acesso a provas, materiais de leitura e avaliações das cadeiras que irão fazer

*Foto: Flávio Dutra/JU

Com o sorriso largo no rosto, Bruno não esconde a empolgação com a vida. Pergunto como começou a sua história. Ele inicia me contando uma das suas principais características: a ambição – que fez com que saísse de Rio Grande, se aventurasse sozinho em Porto Alegre e mais tarde criasse um aplicativo que, nas suas palavras, busca construir um ecossistema acadêmico pelo celular.

“Eu sempre gosto de começar me definindo como alguém muito ambicioso. Sempre fui muito sonhador. Boa parte dos meus dias eu passo sonhando acordado”, diz Bruno. O jovem de 22 anos cresceu na cidade de Rio Grande, distante 320 quilômetros de Porto Alegre. Ele sempre teve o desejo de sair da cidade natal e conhecer outros mundos. Acabou vindo para Porto Alegre cursar Economia na UFRGS.

O curso foi escolhido pelo interesse no mercado financeiro, ainda no ensino médio. Conforme avançou na graduação, no entanto, Bruno percebeu que o interesse pela bolsa de valores talvez fosse mais um hobby do que um trabalho. “Eu sempre pensei muito, em termos de produto, de querer criar algo. Só que a Economia não oferece as ferramentas para isso. É um curso muito teórico, com muitos modelos. Mas aí eu fui tocando o curso, vendo se tinha algo que eu gostasse, só que acabou que na metade, um pouco antes de começar a pandemia, eu decidi pegar algumas cadeiras da Ciência da Computação.”

Com o início da pandemia e a suspensão das aulas, o estudante perdeu o prazo para solicitar a troca de curso. Como já estava avançado na graduação, decidiu finalizar a Economia e aprender sozinho a programar. Com o novo conhecimento, Bruno conseguiu um estágio como programador em uma empresa. Além disso, adquiriu a habilidade necessária para poder desenvolver o seu primeiro produto. Finalmente, na primeira semana de 2022, o Fokvs saía do papel, ou melhor, da tela do seu computador. “Teve uma aceitação bem legal pelas pessoas. Na primeira semana já tinha cerca de 300 alunos cadastrados na plataforma; hoje a gente já está com 2.000 usuários”, conta.

“Sempre fui fascinado por tecnologia. Acho muito interessante criar coisas. Na verdade, eu não diria tecnologia, eu diria inovação”

Bruno Kalil Medeiros
A universidade na palma da mão

O propósito do estudante com o aplicativo é solucionar um problema que ele vive há alguns anos: a falta de dinamicidade dentro do ambiente universitário. “A ideia é que ele seja uma rede social acadêmica”, explica. “Eu sinto que o meio acadêmico é pouco dinâmico, um pouco engessado, e o networking é inexistente, muito arcaico.”

Entre as funcionalidades do aplicativo estão o compartilhamento de materiais e a avaliação das disciplinas, o que permite o diálogo entre alunos que, muitas vezes, não se conhecem, mas dividem o mesmo ambiente e os mesmos professores.

Atualmente, os estudantes que utilizam o aplicativo são principalmente da área das ciências econômicas. Um levantamento disponibilizado em fevereiro de 2022, um mês após o lançamento do aplicativo, mostrou que alunos de 196 instituições já haviam se cadastrado no aplicativo. Além disso, ele contava com 75 materiais e 62 avaliações de disciplinas.

“Meu maior sonho seria impactar milhões. Eu quero criar algo que milhões usem. Isso é algo que me fascina”

Bruno Kallil Medeiros
Para frente é que se anda

Fazendo jus à sua ambição, Bruno já tem planos delineados para os próximos anos. “Eu quero me formar e ficar pelo menos um ano tocando o aplicativo, porque acho que é o suficiente para eu ver se tem potencial”, conta. Se o produto não der o resultado planejado, o estudante pretende fazer um mestrado fora do Brasil.

Na metade de 2022, ele passou dois meses em Londres, onde participou da Summer School da London School of Economics. “Mudou a minha vida esse intercâmbio”, declara. “Antes eu ainda estava penando para tomar algumas decisões do app. Eu não tinha muitas noções de negócio, porque é a primeira vez que empreendo, então estou fazendo e aprendendo. E eu decidi pegar três cadeiras lá que falavam sobre startups, então tem tudo a ver com essa parte de empreendedorismo.”

No próximo ano, o estudante quer se dedicar a fazer melhorias no aplicativo e a aumentar suas funcionalidades, o que inclui trazer os professores para dentro da rede social. Em breve, lançará um mural de oportunidades, onde empresas e universidades podem anunciar as vagas disponíveis diretamente para os estudantes.

Bruno não coloca limites nos seus sonhos. Entre os desejos, está o de poder ajudar estudantes a terem uma experiência mais positiva dentro da universidade e, quem sabe, o de ser um agente de mudança dentro do ambiente acadêmico.