Carta aos leitores | 02.05.24

Mais uma vez o Rio Grande do Sul é atingido por volumosas e incessantes chuvas. Novamente, nossos olhos se veem diante de uma profusão de imagens que nos chocam ao mostrarem o lado mais implacável da natureza e ao explicitarem o quanto, diante dela, somos vulneráveis. Sensibilizamo-nos todas e todos, despertamos nosso lado mais empático e solidário, mas é preciso ir além. Como podemos estar menos despreparados para essas situações ou mesmo preveni-las?

Ontem foi Dia do Trabalhador, o primeiro de maio, data que nos leva sempre a relembrar que é possível, sim, avançarmos para sermos uma sociedade melhor. Afinal, são conquistas histórias de trabalhadoras e trabalhadores que vieram antes de nós o que hoje conhecemos como direitos bastante óbvios – caso da jornada de 8h diárias. Há, ainda, um caminho a se percorrer para que o sentido do trabalho como o que nos constitui enquanto humanos e, portanto, seres capazes de produzir desenvolvimento, não seja atravessado e nem gerador de problemas.

Caso emblemático no sentido de entender isso e de buscar novos olhares sobre esse mundo é o Elsa, pesquisa em nível nacional que observa como doenças crônicas podem estar conectadas ao trabalho. O centro de investigação ligado ao projeto e situado na UFRGS, por exemplo, vem acompanhando mais de 2 mil funcionários da instituição para entender como fatores sociais, biológicos e ambientais incidem sobre a saúde. Dialogando com isso, a reportagem desta semana trata da medicina do trabalho, suas potencialidades e desafios.

Na seção de artigos, a quantificação de citações e o impacto na ciência, uma leitura da obra de Nelson Rodrigues e estudos ligados ao agora polêmico Antropoceno. Uma pesquisa comparativa entre pacientes com câncer nos sistemas público e privado de saúde é tema da divulgação científica e, em tradução para inglês, novos modos de organização econômica de artistas e o uso de inteligência artificial em auditorias. Na cultura, uma mostra de cinema na Sala Redenção e, na Pinacoteca, a obra de uma artista pioneira no campo artístico porto-alegrense. No Memória JU, a vida de pessoas em situação de rua em Porto Alegre.

Boa leitura!

*Foto: Peter Ilicciev/Fiocruz


“As manifestações expressas neste veículo não representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.”