362.180 vidas foram perdidas até agora na luta contra a covid-19 no Brasil, numa assustadora média que tem superado as 3 mil por dia, conforme números levantados por um consórcio de veículos de comunicação. Isso tudo nos faz conviver com a morte no noticiário, mas também no cotidiano. E, como já há muito nos apontam os saberes e narrativas ancestrais, esse é o acontecimento maior e mais misterioso de nossas vidas, aquele do qual não há fuga.
Não é à toa que nós, humanidade, temos tantas narrativas para tentarmos entender esse momento: ida de um plano terreno a um metafísico, mudança de um corpo a outro, retorno para a natureza essencial de onde viemos ou mesmo a sobrevivência na memória daqueles que seguem vivendo.
Também os ritos nos ajudam a humanizar e compreender essa transição plena de desconhecimentos e dores. A necessidade de isolamento social, porém, tem nos privado disso: caixões de vítimas de covid-19 são velados fechados; velórios e enterros são breves e para poucas pessoas. E isso só é possível porque trabalhadores têm estado de prontidão e enfrentado temores e cansaço para que, como sociedade, lidemos com tudo isso. A fim de abordar tais questões, nesta edição trazemos uma entrevista e uma reportagem sobre mortos e morte.
Mas se este é um tempo de conviver cotidianamente com o fim, também é de vida. Nesse sentido, completam esta edição uma matéria sobre vivências de adolescentes na pandemia e artigos sobre temáticas que nos desafiam – o olhar para povos indígenas, a experiência docente e a necessidade de informação qualificada. E na série Minha Saudade na UFRGS, a nostalgia de uma estudante que nos lembra do quanto há uma vida de belezas e afetos, que está em suspenso, mas que voltaremos a desfrutar em sua melhor forma em breve. Oxalá!
Boa leitura, cuide de si e de todos ao seu redor.

