Carta aos leitores | 23.09.24

*Foto: Rochele Zandavalli/Secom

Hoje é um dia de começos: iniciamos mais um semestre letivo – o primeiro depois da tragédia climática que vivemos no RS – e começa uma nova gestão à frente da reitoria. É, por isso, um tempo de transformações e de renovação em nosso cotidiano. Afinal, tivemos pela primeira vez na história da UFRGS um processo paritário de consulta à comunidade acadêmica e que, depois, foi referendado pelo Conselho Universitário e respeitado pelo Governo Federal.

Marcando este momento de transição, peço licença para, neste texto editorial, me manifestar em primeira pessoa do singular pela primeira vez e redigir um texto um pouco mais longo do que o usual, afinal deixo agora a posição de editor-chefe do Jornal da Universidade para lançar-me em um novo desafio como secretário de Comunicação Social da UFRGS.

Talvez nem todo mundo saiba, mas o JU enfrentou dificuldades severas nos últimos anos: em 2019 e 2020, tivemos nossa tiragem impressa reduzida; em 2020 também a pandemia nos impediu de imprimir e distribuir os conhecidos e costumeiros exemplares impressos mensais; perdemos uma fonte de financiamento pela Faurgs e, com isso, duas qualificadas profissionais de nossa equipe; em 2022 nossas bolsas foram interrompidas, como ocorreu em toda a Universidade – ainda que depois restituídas.

Mas orgulhamo-nos muito do que, apesar desse cenário, construímos nesses anos recentes: hoje, o JU é um jornal do nosso tempo – digital, online, semanal, conhecido e reconhecido pela comunidade acadêmica e externa. Fazemos mais divulgação científica do que jamais fizemos em nossa história, com matérias semanais, reportagens e uma seção de artigos. Também publicamos ilustrações de artistas da UFRGS que trazem um modo apurado e aprofundado de interpretar a realidade nesta era na qual imagens ao mesmo tempo têm protagonismo e banalidade. Para que tudo isso funcione, acionamos semanalmente uma rede de pessoas, setores e projetos desta gigante e potente Universidade que apresentamos, representamos e encarnamos. Enfim, fazemos todos os dias mais comunicação pública, esta a nossa missão por meio de jornalismo de profundidade e reflexão reconhecida tanto com premiações internas quanto do campo jornalístico – lembremos que estivemos entre os veículos online mais premiados do Brasil em 2023.

Finalmente, o que vislumbramos é um tempo no qual esta Universidade anseia por recuperar seu protagonismo, seu lugar e, sem dúvidas, o espírito de estar e fazer junto do qual muitas e muitos de nós falamos com certa nostalgia. Tenho certeza de que a equipe do JU, que tanto confiou em minha liderança, seguirá agora esse novo rumo na construção de um veículo à altura da UFRGS e destes novos tempos que ora iniciamos.

Ciência, cultura, diversidade, paridade, inclusão e transformação social são pilares que permeiam a história do JU, mas também a ambição por um jornalismo profundo, sério e, sobretudo, autônomo e livre, como toda a imprensa deve ser em nações que se pretendem democráticas.

Uma boa leitura, um abraço caloroso e que estes tempos paritários nos inspirem para construir uma universidade para todas, todos e todes!


Everton Cardoso é Editor-chefe do Jornal da Universidade.