Carta aos leitores | 31.10.24

*Foto: Pietro Scopel/JU

Os sofrimentos gerados pelos modos de vida dominantes neste período dito ‘capitalismo tardio’ têm dominado o debate público. Quando o tema é saúde mental, nossa mente salta logo em direção à ansiedade, à depressão, ao vício em apostas e jogos eletrônicos, ainda que seja muito maior o rol das condições psíquicas. Se já viemos tratando mais robustamente a respeito de estratégias de prevenção e enfrentamento dessas condições, há espaço para se debater mais sobre as barreiras limitadoras que encontram os sujeitos e que estratégias alternativas podem ser desenvolvidas.

A inclusão de pessoas em sofrimento psíquico pode se ver limitada por relações de trabalho que naturalizem a concepção de que é aceitável explorar e deixar debilitados os corpos ou pela perspectiva de que os empreendimentos que valem a pena são apenas aqueles com o máximo escalonamento dos lucros no menor tempo. Ao abrir espaço para a possibilidade de conceber empreendimentos solidários, autogeridos por seus participantes, ocupando com dignidade espaços na cidade, uma iniciativa do Geração/POA – serviço oferecido pelo Sistema Único de Saúde na Rede de Atenção Psicossocial de Porto Alegre – oferece o vislumbre de como podem se conformar experimentações alternativas ao modelo dominante de relação trabalhista.

Boa leitura!