Carta aos leitores | Edição 225

*Publicado na Edição 225 do JU

Diante de um processo acelerado de mudanças na legislação promovido pelas forças que ocupam o governo federal desde 2016, são muitos os temas urgentes que precisam ser debatidos pela sociedade. Nesta edição, buscamos compreender como está a atuação dos sindicatos após o fim da contribuição sindical obrigatória, previsto na reforma trabalhista de 2017. Com reduções orçamentárias que variam entre 30% e 70%, as entidades buscam formas de retomar o contato com os trabalhadores. Nesse cenário, pesam as novas configurações das relações de trabalho trazidas pelos aplicativos, em que há mais desregulamentação e precarização, já que impera uma lógica de que trabalhador se autogerencie.

Outra área que vem sendo alvo de renovadas investidas por parte do executivo é o meio ambiente, com a qual seria esperado maior cuidado diante da crise climática. Apontamos em reportagem especial o cruzamento entre a morte de abelhas e o incentivo ao uso de agrotóxicos, com a liberação de novos produtos – foram 290 apenas neste ano – e os subsídios fiscais que os defensivos recebem, fazendo com que inúmeros impostos deixem de ser recolhidos. Destacamos a falta de transparência acerca da tributação e detalhamos os dados que estão disponíveis.

Quando tratamos do fazer científico, é comum negligenciarmos um elemento indispensável: a criatividade necessária para se encontrar soluções e desbravar novos caminhos. Isso não significa, no entanto, que ideias jogadas ao vento possam se tornar automaticamente decisões definitivas antes de serem testadas com responsabilidade.

Ao transpor a lógica das residências artísticas para a área tecnológica, o Centro de Tecnologia Acadêmica (CTA) da UFRGS tem a proposta de ser um ambiente em que a imaginação possa fluir para que surjam ideias e descobertas. Criado em 2012, o centro nasceu com o intuito de tornar as aulas do curso de Engenharia Física mais inovadoras e práticas. Esse foi o espírito que pautou a 1ª Residência de Tecnologias Livres para a ciência, empreendedorismo e educação da América Latina, sediada pelo CTA no mês passado.

A atividade do centro reverbera um movimento recente que pretende levar a cultura de forma ampla para o interior das salas de aula – não pensá-la apenas como extensão, como atividades extracurriculares. É o que apresentamos na terceira reportagem da série sobre políticas culturais, abordando as iniciativas de curricularização da cultura na Universidade Federal do Cariri e na UFRGS.
Na Universidade, relatamos a experiência da disciplina Fundamentos de Filosofia e História da Ciência para a Educação Científica, oferecida, no início deste ano, pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas – Bioquímica.

Para aprofundar a reflexão acerca do que motivou a realização do curso, convidamos sua idealizadora, a professora Regina Guaragna, para escrever o artigo que apresentamos na página 5. Ela relata que “enquanto na ciência se trabalha objetivamente, normalizando e universalizando as informações, o fazer arte se foca no não semelhante, no diferente, ampliando as possibilidades”. Sua preocupação é o desinvestimento contemporâneo na formação humanística frente ao deslumbramento com as tecnologias – e as consequências nefastas que acompanham esse processo.

Também no quadro da formação, trazemos na página 4 o artigo de Mateus Dalmoro, que analisa o impacto de cursos stricto sensu no trabalho de técnicos administrativos da UFRGS. A pesquisa realizada por ele junto a servidores da Universidade mostrou o efeito positivo que a realização de mestrado ou doutorado tem para o desenvolvimento da autoconfiança, da motivação e da abertura a mudanças.

Boa leitura!