Ensaio | Agosto 2019

*Publicado na Edição 225 do JU

Como escrever a história dos trabalhadores? Essa pergunta tem alimentado reflexões e debates entre historiadores do mundo todo. Há muito que a compreensão da experiência do trabalho deixou de ser mera narrativa histórica das associações e partidos operários.

Aprendemos que os trabalhadores são sujeitos e agentes, e não apenas indivíduos passivos, dominados por estruturas sociais – o que, por outro lado, não significa negar ou menosprezar tais estruturas. Aprendemos que eles têm cultura própria ou, pelo menos, elementos culturais próprios, e que conceitos como gênero, raça e etnicidade não podem ser deixados de lado ou considerados menos relevantes que classe.

Nas últimas décadas, a história do trabalho se esforçou para derrubar uma série de mitos em relação aos trabalhadores nacionais. Talvez o mais notável seja o mito do operário manipulado por um Estado demiurgo. Pelo contrário, os trabalhadores souberam, ao longo dos anos, construir e defender espaços importantes de atuação social, econômica e política.

Esses caminhos e encruzilhadas foram discutidos no V Seminário Internacional Mundos do Trabalho, na IX Jornada Nacional e na IX Jornada Regional de História do Trabalho, realizados na UFRGS em setembro de 2018. As conferências e palestras do evento foram reunidas no livro História do Trabalho: debates, caminhos e encruzilhadas, que terá distribuição gratuita.

As imagens desta página integram a arte da capa da publicação e registram uma das formas tradicionais de deslocamento de trabalhadores no Vale do Sinos, na Grande Porto Alegre: a bicicleta. Nas páginas 8 e 9 desta edição, o JU aborda em reportagem a questão sindical na atualidade, assim como os novos perfis no mundo do trabalho.

Clarice Speranza é professora do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e dos PPGs em História da UFRGS e da UFPel.

Flávio Dutra é jornalista, fotógrafo do Jornal da Universidade e professor da Unisinos.