Francisco Carvalho Júnior e o amor pela pesquisa em História

Meu Lugar na UFRGS | Técnico do Núcleo de Pesquisa em História da UFRGS relembra sua trajetória de paixão pela ciência ao longo de quase 50 anos

*Foto: UFRGS TV

O historiador Francisco Carvalho Júnior acredita que o Câmpus do Vale tem tudo a ver com ele. A perfeita simbiose entre o técnico do Grupo de Pesquisa em História (NPH) da UFRGS e o câmpus tem uma justificativa que perpassa quase cinco décadas: a jornada de Francisco no Vale teve início em 1977, quando ele, ainda graduando no curso de Licenciatura em História pela UFRGS, passou a ter aulas no então recém-inaugurado Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH).

A história entre ele e o Vale, no entanto, não teve fim com a formatura de Francisco, em 1980. Com a fundação do NPH, em 1982, ele retornou à UFRGS e ao Câmpus do Vale, dessa vez como historiador, para integrar o grupo do qual faz parte até hoje. O começo do Núcleo foi um pouco apertado: sem um espaço próprio, o Núcleo de Pesquisa em História teve que encontrar um canto para si no prédio destinado ao curso de Letras; apenas 8 anos depois, em 1990, foi que o NPH conseguiu um espaço para chamar de seu. No meio do caminho, Francisco foi efetivado como servidor permanente, e o Câmpus do Vale se tornou, oficialmente, sua segunda casa.

No início do Núcleo, Francisco se desdobrou entre historiador e arquivista. Quando o Núcleo de Pesquisa em História estava interessado em estudar o processo de industrialização do Rio Grande do Sul entre 1889 e 1945, Francisco foi uma das pessoas que foi atrás de documentos e fontes históricas, as organizou e categorizou cuidadosamente. “A gente foi a praticamente todas as bibliotecas do Rio Grande do Sul que diziam ter material sobre isso”, relembra.

No NPH, Francisco já participou de tantos estudos, englobando tantas e tão distintas áreas, que é difícil listar todos: da burguesia gaúcha aos jornais operários da época da ditadura militar brasileira, o historiador parece saber um pouco de tudo. Ele conta a História sobre a qual estudou como se fosse uma testemunha ocular.

E, talvez justamente por essa vasta experiência, Francisco é um grande entusiasta do aprendizado constante. Aos 72 anos, é inquieto: na sua visão, é sempre preciso se reelaborar — e nunca é tarde demais para aprender algo novo. “Tudo o que eu penso só vai aprimorando a minha consciência crítica”, reflete. “Se as coisas mudam, então a gente tem que mudar também. Senão não há entendimento, tampouco compreensão do momento em que se vive.”

Por oportunizar esse estudo contínuo, mais do que apenas o Núcleo, a pesquisa é o lugar em que Francisco se encontrou enquanto historiador. Apesar de ter-se graduado na licenciatura, que prepara os estudantes para a docência nos níveis de ensino fundamental e médio, Francisco apenas ministrou aulas imediatamente após a formatura em alguns colégios particulares de Porto Alegre. O verdadeiro amor pela pesquisa foi descoberto depois, ao longo dos anos, no Núcleo de Pesquisa em História. “Pesquisa em história tem tudo a ver com o que eu pensava ao fazer o curso”, conta. “A experiência de docência é muito gratificante e muito importante, mas eu entendi que eu era melhor na pesquisa do que em ser docente.”

Trabalhar na pesquisa de uma universidade pública e gratuita, no entanto, ainda parece ser o maior orgulho do historiador. O NPH tem o acervo aberto para que qualquer um possa fazer pesquisas nos documentos que estão sob os cuidados do Núcleo, e Francisco conta que muitas pessoas, ao finalizar seus trabalhos, perguntam o valor que devem pelo acesso ao acervo. “E a gente diz, com o maior orgulho: nada, isso é uma universidade pública, podem vir a qualquer momento”, explica.

“É uma das maiores satisfações, porque tu ajuda a possibilitar esse acesso à informação, e isso atinge toda a sociedade”

Francisco Carvalho Júnior

Nas décadas em que passou no NPH, Francisco testemunhou a história de constante renovação da UFRGS. Para ele, que decidiu cursar História para entender a realidade que forma o ser humano, o constante movimento é um sopro de ar fresco no seu dia a dia no Câmpus do Vale. “É muito interessante porque a gente vê diversas gerações de estudantes e professores”, observa. “A minha vida, por incrível que pareça, é essa imensa bolha que é o câmpus”, finaliza.


A série Meu Lugar na UFRGS é um projeto conjunto JU e UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: