Olavo Marques: diversidade e presença

Câmpus Litoral Norte | Professor do Departamento Interdisciplinar reflete sobre a experiência antropológica, a formação dos estudantes e o período pandêmico

*Foto: Olavo Marques a partir de sugestão de Flávio Dutra

A longa jornada de Olavo Marques na UFRGS começa em 1999, na graduação em Ciências Sociais, passa pelo mestrado e doutorado em Antropologia Social e se estende à docência no Departamento Interdisciplinar do Câmpus Litoral Norte. “Tenho uma gratidão imensa e me sinto na minha casa”, revela.

Nossa entrevista tomou lugar enquanto ele estava na praia. Entre problemas de conexão e interrupções na chamada, a energia do local ainda conseguia transparecer: até uma borboleta apareceu para nos visitar. 

“As minhas saudades da UFRGS são muitas”, declara Olavo. Descrevendo a Universidade como uma “pulsante instituição”, para ele o que mais faz falta são as interações e os espaços de convivência proporcionados pela Universidade. Relembra os momentos no Câmpus do Vale – nos tempos de graduação e pós -, a interação com amigos de outros cursos e os espaços de pesquisa e formação de conhecimento de maneira conjunta. É visível que a UFRGS permeia a vida do professor de forma bem mais profunda do que faria um simples local de trabalho. 

“Me traz muita plenitude e alegria poder atuar nesse lugar!”

Olavo Marques
Os três pilares da universidade 

“Todas as atividades desenvolvidas junto à Universidade são fundamentais para o funcionamento de uma instituição que visa promover e difundir conhecimento. Muitas vezes a gente pensa na Universidade apenas como um centro de formação de indivíduos, mas ela não se faz sem pesquisa, sem produção de conhecimento, nas mais diversas áreas, sem inovação e sem o vínculo com a comunidade”, destaca.

Olavo realça a importância dos três pilares que constituem a universidade, interligados entre si. Citando projetos dos quais participou como pesquisador, como a construção de um museu virtual sobre a cidade, promovida pelo Núcleo de Antropologia Visual (Navisual) junto à comunidade, o docente faz questão de marcar o esforço posto em trazer a coletividade local para perto da Universidade. “Esse ímpeto e essa vontade de ter a comunidade no câmpus sempre fazem parte das nossas atividades; muitos projetos são orientados a isso. Tem uma atuação muito importante dirigida às escolas, à formação de professores, temos uma atuação também em relação às instituições de memória, museus.” 

O professor menciona ainda os projetos interdisciplinares do Câmpus Litoral Norte, que reúnem áreas diversas: Ciências Sociais, Geografia, Engenharias. Para ele, os encontros promovidos por essas ações proporcionam trocas enriquecedoras que são essenciais e caracterizam a essência do câmpus.

“Junto com as comunidades e os grupos que compõem esse território, em sua diversidade, pensar e projetar futuros almejados é uma das características do câmpus, o que também diz muito a respeito da natureza dos cursos que temos aqui” 

Olavo Marques

Essa diversidade é algo que considera relevante apresentar no quadro de formação dos estudantes. “Saber ouvir e saber produzir um conhecimento que agregue os saberes acadêmicos e os saberes populares é uma das dimensões que eu trago pro centro de tudo que eu faço junto da Universidade. Se os nossos estudantes, pesquisadores, orientandos conseguem carregar um pouco disso em suas trajetórias de vida, a gente já fica bastante satisfeito.” 

ERE e pandemia 

“Nesse quadro bem complexo e doloroso de sofrimento coletivo e muitas perdas, de problemas graves de saúde, de 600 mil mortes, de um governo que o tempo todo foi extremamente contraditório e não soube conduzir com calma e serenidade um processo muito difícil, diante desse cenário todo, a Universidade teve uma capacidade grande de se reorganizar, se refazer”, avalia.

Com todas as ressalvas, Olavo diz que a Universidade conseguiu continuar. Para ele, não basta separar os processos que ocorrem fora da Universidade daqueles que ocorrem internamente: no Núcleo de Antropologia Visual foram produzidos ensaios chamados Etnografias do Isolamento, com propostas de reflexão sobre o período pandêmico. De acordo com Olavo, o ensino remoto não lhe era novidade. Mesmo com a saudade e a ânsia de colocar os pés novamente no câmpus, a experiência prévia do Câmpus Litoral Norte com o ensino a distância – com oferta de graduação em Ciências Sociais, Computação e Robótica Educativa, Geografia e Pedagogia – foi essencial para a rápida readequação ao Ensino Remoto Emergencial. Para o professor, no entanto, a sala de aula sempre terá seu espaço estabelecido. 

“Nós estivemos muito prejudicados em algo que pra nós da Antropologia Urbana é essencial: nossos contatos lúdicos, nossas relações nos espaços de lazer e convívio com os outros, algo que marca muito nossa cultura. É um tempo de sofrimento. O avanço da vacinação e da produção de conhecimento está nos conduzindo a uma situação mais tranquila.” 


A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto entre o JU e a UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo:

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