Meu Lugar na UFRGS | Servidora do Instituto de Ciências Básicas da Saúde reflete sobre a atuação da unidade na pandemia e a rotina de atendimento aos pesquisadores
*Foto: UFRGS/TV
Os quase quatro anos de Sara Hartke como servidora da UFRGS têm sido bem intensos. Desde que veio para a Universidade por meio de uma permuta – ela era servidora do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, Câmpus Rolante –, Sara passou por uma pandemia, pela ação de testes de covid-19 no Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS) e por uma mudança de câmpus.
Sara ingressou como servidora na UFRGS no final de 2019, mas seu vínculo com a Universidade vem de antes disso: fez aqui, no Programa de Pós-graduação em Fitotecnia, o mestrado e o doutorado. Escolheu a UFRGS porque, à época, chamou-lhe a atenção a possibilidade de pesquisar sobre biologia molecular e genética de microrganismos. Ela já havia trabalhado com esse assunto durante a graduação em Ciências Biológicas na Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina.
Sara ingressou como Técnica em Laboratório no IFRS em 2016. Por já conhecer a UFRGS e ver nela uma possibilidade maior de atuação em pesquisa, conseguiu ser transferida para a Universidade por meio de uma permuta (uma servidora da UFRGS foi para o IFRS e Sara veio para a UFRGS). Foi lotada no Laboratório Multiusuário de Biologia Molecular Endócrina e Tumoral (Labimet), que, então, localizava-se no Câmpus Centro da UFRGS.

Assim que chegou como servidora, descobriu que estava grávida. “Uma gestação muito aguardada”, conta. Logo em seguida, em março de 2020, vieram a pandemia e a suspensão das atividades presenciais. Boa parte da Universidade ficou esvaziada, mas não foi o que ocorreu no ICBS, que, em 16 de abril daquele ano, começou a realizar exames de covid-19 para a rede pública de saúde. Por estar grávida, Sara acompanhou a distância o frenesi do começo da ação: “Eu não atuei nesse início, por isso que digo que fiz o mais fácil, porque, quando voltei da licença [maternidade], a ação já estava funcionando muito bem. Eu não inventei a roda, peguei ela girando. Acho que o trabalho que eles fizeram de organizar, readequar a infraestrutura foi, realmente, uma operação de guerra”, destaca.
Chegou a trabalhar presencialmente após a licença-maternidade, mas foi por pouco tempo. Logo veio outra onda de covid-19 e, com o fechamento das escolas, os servidores que tinham filhos em idade escolar voltaram para o trabalho remoto. Foi o caso de Sara. Ao mesmo tempo que cuidava do filho, Otávio, trabalhava remotamente na análise de resultados dos exames e na organização das etapas do trabalho que seriam feitas no laboratório.
“E quando vieram as ondas piores, a delta e a ômicron, a gente já estava com isso tão bem elaborado que a gente conseguiu dar conta de um número muito maior de amostras com menos pessoas. Vendo agora, com os olhos do futuro, parece que foi tudo muito encaixado para o nosso próprio aprendizado, para darmos conta desse crescente de amostras”
Sara Hartke
Em fevereiro de 2022, o ICBS inaugurou seu novo prédio no Câmpus Saúde. Sara descreve os desafios enfrentados durante a mudança para o novo local, ocorrida na metade daquele ano, incluindo a transferência de equipamentos sensíveis. Mesmo desafiadora, a mudança era necessária, pois o prédio antigo tinha uma série de problemas de infraestrutura. “E no meio da mudança a gente ainda estava fazendo testes [de covid] para a comunidade UFRGS. Era a forma de a gente garantir o retorno seguro às atividades presenciais. Foi uma contrapartida que o ICBS assumiu, de continuar fazendo teste para a comunidade. Então, em meio à mudança, a gente não podia parar”, conta.
Tudo isso só foi possível, acredita Sara, porque a equipe que trabalhava no laboratório e na ação covid era muito comprometida. “Era uma equipe incrível, um ambiente sensacional. Naquela situação, poder ter aquele ambiente… era o paraíso no meio da guerra”, reflete.
No novo prédio, o Labimet se dividiu em dois espaços: o Laboratório Multiusuário de Biologia Molecular e o Laboratório de Biologia Molecular Endócrina e Tumoral. Sara atua no primeiro – sua principal atividade é o atendimento aos usuários (majoritariamente alunos de pós-graduação) que utilizam o laboratório. Recursos como extratores de DNA, centrífugas e sequenciadores estão disponíveis para reserva. Às vezes, o usuário só precisa utilizar o equipamento; outras, precisa do auxílio tanto no uso do aparelho quanto na interpretação dos resultados.
Auxiliar os alunos, para ela, é uma atividade gratificante. “A rotina com aluno nunca é repetitiva. Cada aluno tem uma dúvida diferente, uma experiência, um background, problemas diferentes, enfim, trazem pesquisas diferentes. Isso nos mantém jovens – eu vou envelhecendo, mas o meu público é sempre da mesma idade, então isso para mim é o mais incrível do meu trabalho”, completa. Por tudo isso, o lugar de Sara na UFRGS é o Laboratório Multiusuário de Biologia Molecular do ICBS.
A série Meu Lugar na UFRGS é um projeto conjunto entre o JU e a UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo:





