Vicente Fonseca: a alegria e o conhecimento que pulsam

Câmpus Centro | Técnico administrativo do Núcleo de Divulgação da Pró-reitoria de Extensão (Prorext) descreve a nostalgia de uma Universidade inquieta

*Foto de capa: Flávio Dutra/JU

“Minha relação com a UFRGS é desde que eu nasci”, diz Vicente Fonseca, produtor cultural da Prorext, ao falar de sua trajetória dentro da Universidade. Vicente conta que seu pai é professor da UFRGS há mais de quarenta anos e que, por isso, passeava pelos prédios da Faculdade de Ciências Econômicas desde muito jovem. Seu vínculo oficial com a Universidade começou em 2001, quando ingressou no Ensino Superior, mas Vicente segue até os dias de hoje com um carinho especial pela UFRGS, agora desejando retornar ao pátio do Câmpus Centro e rever amigos e colegas de trabalho após mais de um ano de isolamento social.

Vicente relata que já teve inúmeras experiências dentro da UFRGS ao se formar em Jornalismo, ser bolsista da Rádio da Universidade, conquistar seu mestrado e ingressar como técnico administrativo do núcleo de divulgação da Prorext, onde atua. Por tantos aprendizados adquiridos, a relação do produtor cultural com a UFRGS é de afeto. Além dele e de seu pai, boa parte da família de Vicente é ligada à Universidade. “Meu irmão estudou aqui, minha filha nasceu por causa da UFRGS. É como se fosse a segunda casa de todos nós”, relata.

Essa relação, construída ao longo dos anos, além de possibilitar momentos de crescimento para o produtor, colocou-o na posição de auxiliar alunos que estão agora onde ele antes esteve.  

“Quando fui bolsista na rádio, os técnicos – hoje meus colegas – me passaram muito conhecimento na prática, e eu estou podendo reproduzir isso com os alunos que entram. É muito gratificante poder fazer isso depois de quinze anos”

Vicente Fonseca

Trabalhando na Prorext, Vicente tem a oportunidade de participar de diversos momentos importantes na Universidade – e agora essa participação foi amplificada. “Como os eventos ocorrem em plataformas virtuais, e quem coordena as plataformas virtuais somos nós, estamos com ainda mais responsabilidade do que a gente já tinha no trabalho presencial”, afirma. Ele ressalta, aliás, que as diversas atividades remotas realizadas pela UFRGS entre o ano passado e agora têm obtido muita repercussão. O sucesso do Unimúsica, realizado pelo Departamento de Difusão Cultural, em que os acessos nas plataformas digitais superaram o dobro da capacidade máxima do Salão de Atos durante uma semana, é motivo de comemoração. “É uma amostra de que não é o ideal, a gente sabe que nada como a presença das pessoas, mas, para um momento de isolamento obrigatório, o resultado foi superpositivo.”

Além disso, Vicente se orgulha muito de participar de eventos como o UFRGS Portas Abertas, que é, para muitos jovens, o primeiro contato com a Universidade e um espaço de ajuda na decisão de que curso escolher. Em 2020, o evento não pôde ser realizado devido à pandemia, mas a edição deste ano está confirmada e irá acontecer no formato remoto. “Isso é prova de que estamos fazendo o possível para nos adaptar a esse formato. E que seja o primeiro e último Portas Abertas nesse formato”, declara o produtor.

Local de ensinamentos

“A UFRGS me ajudou a ter uma consciência social, consciência com relação ao mundo em que a gente vive. A Universidade te mostra a diversidade de uma forma muito mais direta do que tu estudando no livro”

Vicente Fonseca

Vicente conta que antes da Universidade, apenas estudando em colégios particulares, ele não tinha acesso a uma visão ampla de mundo, das diversidades e questões sociais, algo que adquiriu somente durante a faculdade. Ele pontua que vivenciar as mais diferentes realidades proporcionadas pela Universidade é algo imprescindível.  

O produtor ainda frisa que desde 2001 até hoje, com a introdução das ações afirmativas e políticas de inclusão, o perfil dos estudantes mudou bastante também, e ele pôde observar isso. “Vejo como cada vez mais a diversidade é uma realidade para toda a comunidade universitária. Acho isso extremamente positivo”, afirma Vicente, que acrescenta que a Universidade, só pelo nome, já deveria abranger a diversidade desde o início. 

Vicente revela que, desde que foi bolsista na rádio, em 2004, já tinha como objetivo trabalhar como técnico na Universidade na área da comunicação, pois no momento em que teve aquela vivência se apaixonou pelo trabalho. “A UFRGS é o que une tudo, a satisfação de um salário digno com a satisfação pessoal e profissional de poder trabalhar na minha área e na instituição que eu amo”, descreve Vicente, que relembra a movimentação nos pátios dos câmpus e como isso era o que o motivava a querer seguir nessa carreira. 

“É muito triste chegar na UFRGS e ver o pátio todo vazio. Não ter ninguém, nenhum aluno conversando, as pessoas conhecidas. A Universidade não foi feita pra isso, ela foi feita pra ter vida e pulsar no seu dia a dia”

Vicente Fonseca

Para Vicente, o ambiente de trabalho é muito importante, pois é um espaço de criatividade e, além disso, de interação com colegas em meio às atividades, o que estimula a ter novas ideias. Ele acredita que o ato de tomar um café, conversar, abraçar ou fazer piadas seja algo que possa gerar debates interessantes e agregar muito nas atribuições pessoais. “Se existe trabalho presencial ainda no século XXI, é justamente para as pessoas terem acesso umas às outras, poderem trocar uma ideia, conversar, discutir projetos de uma forma mais direta. O contato humano é uma coisa fundamental”, destaca.

O produtor tem memórias específicas bastante saudosistas em relação às apresentações teatrais e musicais realizadas no câmpus pelo Instituto de Artes. Ele relembra quando, em 2019, a Prorext montou uma árvore de Natal feita de origamis e ao lado havia uma oficina de Tsuru oferecida pelo Instituto de Letras.

“Ter a oportunidade de descer do teu local de trabalho e parar vinte minutos para aprender a fazer Tsuru, só na Universidade tu tem essa oportunidade, e a gente tem que se dar conta da riqueza que a gente tem ali. Porque essas coisas tornam a nossa experiência de trabalho mais rica, porque o trabalho não é só uma questão produtiva, também se constitui das relações que a gente constrói: relação afetiva com o local de trabalho, relação humana com as pessoas”

Vicente Fonseca

Esse é um dos motivos que leva Vicente a crer que, apesar de o virtual funcionar bem para ele e seus colegas na Prorext, o presencial é insubstituível.

Ajustes ao modo remoto

Segundo Vicente, sua adaptação foi tranquila em relação ao trabalho remoto – sua experiência prévia como freelancer contribuiu para isso. Porém, como tem uma filha de dois anos, uma adaptação na rotina de casa foi necessária, afinal tanto ele quanto a esposa são servidores da UFRGS. 

Em março de 2020, quando a quarentena foi decretada, a Prorext passou por um período de reformulação de suas atividades, e uma das saídas adotadas foi a criação de grupos no WhatsApp. O produtor relata que a troca proporcionada pelas conversas e interações no aplicativo foi bastante rica, algo que não acontecia tanto no presencial devido às separações físicas dos setores. “Foi uma adaptação em grupo. Foi muito boa e ajudou a agregar mais.”

O produtor tem uma visão otimista em relação ao trabalho híbrido depois do fim da quarentena, com as atividades podendo ser feitas, em parte, de forma remota. “Acho que tem coisas que vão mudar pra sempre com a pandemia, e a comunicação por vídeo é uma delas. Se desmistificou essa coisa de abrir a câmera de casa; todo mundo faz isso e é uma tendência natural”, salienta. Ademais, Vicente tem grandes expectativas de rever seus colegas e retornar à UFRGS presencialmente, retomando o contato com as pessoas, a vivência do câmpus e o ambiente da Universidade, que descreve como sendo vivo e pulsante de alegria e conhecimento.