
O aproveitamento integral de alimentos consiste na utilização em pratos e receitas das partes dos alimentos que usualmente não seriam utilizados, tais como talos, cascas, folhas, mas que contêm nutrientes importantes como fibras e vitaminas. Em tempos de incertezas, essa prática também auxilia na economia doméstica, pois envolve a otimização dos recursos financeiros que usamos para comprar alimentos, já que eles serão aproveitados como um todo. Ou seja: aproveitaremos melhor o alimento com o mesmo valor já antes empregado.
Mas como fazer isso na prática? A resposta pode ser mais simples do que você imagina. Com o inverno se aproximando, você pode lançar mão da boa sopa de legumes, incorporando aos ingredientes os talos da couve, da salsa, dos brócolis que foram utilizados durante a semana, por exemplo, devidamente higienizados e armazenados na sua geladeira. Pode, também, utilizar a casca da banana para fazer um bolo super nutritivo, ou, então, utilizar as laranjas inteiras para fazer o tradicional bolo de laranja. Você vai perceber que o sabor da fruta nos bolos estará ainda mais acentuado.
Além disso, o aproveitamento integral de alimentos pode impactar, ainda, em uma matemática pouco favorável para o Brasil e outros países da América Latina: a do desperdício de alimentos. Segundo o relatório “O estado mundial da agricultura e da alimentação”, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), lançado em 2019, a América Latina e o Caribe são responsáveis por cerca de 20% da quantidade total de alimentos perdidos no mundo, desde a pós-colheita até o varejo. Ainda segundo esse documento, essas perdas de alimentos impactam em outras três pegadas ambientais: carbono, terra e água.
Ao aproveitarmos melhor os alimentos que adquirimos, também reduzimos a quantidade de resíduos gerada, diminuindo, assim, o lixo orgânico produzido, que é prejudicial ao meio ambiente. E aí? Ainda restam dúvidas de que o aproveitamento integral de alimentos traz benefícios para todos? Alimentação e nutrição mais ricas, otimização da economia doméstica, questões de meio ambiente e sustentabilidade: literalmente, um prato cheio de oportunidades!
Fabiana Tanabe
Nutricionista – CRN2 9727
Referências
Organização Mundial da Saúde para Alimentação e Agricultura (FAO-OMS). América Latina e Caribe são os responsáveis por 20% da comida perdida e desperdiçada em todo o mundo, desde a pós-colheita até o comércio varejista. Disponível em: <http://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/pt/c/1238357/> Acesso dia 21/05/2020.
Organização Mundial da Saúde para Alimentação e Agricultura (FAO-OMS). El estado mundial de la agricultura y la alimentación. Roma, 2019.
Banco de Alimentos e Colheita Urbana: Aproveitamento Integral dos Alimentos. Rio de Janeiro: SESC/DN, 2003. 45 pág. (Mesa Brasil SESC Segurança Alimentar e Nutricional). Programa Alimentos Seguros. Convênio CNC/CNI/SEBRAE/ANVISA.
Recine, Elisabetta (coord.) e cols. Mais que Receitas comida de verdade. Coordenação Geral de Educação Alimentar e Nutricional da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (CGEAN/SESAN/MDSA) Brasília: 2016.






Um comentário
as receitas desse site são muito boas, sempre faço e
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