
Nos últimos meses, vivendo em meio à pandemia de Covid-19, nos deparamos com inúmeras questões relacionadas ao gerenciamento que temos da nossa saúde. Aulas presenciais suspensas, atividades não-essenciais em xeque, espaços de lazer comprometidos… Algumas pessoas têm passado mais tempo em casa do que o “normal”, e com isso, deparando-se com situações antes não percebidas.
Que tal aproveitar esse tempo para refletir sobre questões de alimentação e nutrição? Em uma sociedade tão preocupada com a otimização do tempo, os produtos alimentícios ultraprocessados estavam ganhando cada vez mais espaço na vida dos brasileiros, pela praticidade e instantaneidade que eles proporcionam. Todavia, o mal que isso pode causar na qualidade de vida das pessoas, e consequentemente no tempo de vida que elas vão ter no futuro, acabam tendo resultados indesejados e muitas vezes esquecidos.
O que o tempo tem a ver com a alimentação?
Também é tempo de prestar atenção nas nossas ações de cuidado à saúde, não sendo restritas apenas à prevenção de doenças. Refletindo sobre isso, você já pensou em quanto tempo é utilizado para fazer alimentos fermentados, por exemplo? E que todo esse tempo é necessário para que tais alimentos tragam justamente os benefícios que eles possuem? Iogurte, kefir, kombucha, missô, e o próprio pão nosso (o pão caseiro ou de fermentação natural) de cada dia… todos eles trazem benefícios, se consumidos com equilíbrio, pois passam por tempos de fermentação distintos.
O tempo de fermentação do alimento, o tempo de preparo das refeições, o tempo de cozimento, todos esses tempos são importantes para a nossa saúde, assim como o tempo de adaptação a um alimento novo ou a um hábito novo. Tentar apenas uma vez, sem dar tempo para nosso corpo se adaptar, talvez não seja a melhor estratégia para a adoção de novas práticas em alimentação e saúde. Resultados milagrosos, a um passe de mágica, não existem! Caso alguém tente vender essa ideia para você, desconfie!! Mesmo na atividade física, é preciso tempo e determinação para atingir os objetivos esperados.
O tempo que a gente investe hoje em uma alimentação de qualidade é o tempo de vida com qualidade que a gente ganha ali na frente. É possível fazer o planejamento das refeições da semana naqueles dias com menos demandas, higienizando as frutas e verduras, cozinhando comida de verdade e congelando para os dias mais atribulados. Assim, você terá refeições com mais qualidade com a otimização do seu tempo, sem precisar recorrer a comidas instantâneas ou usar todo o limite de seu cartão de crédito em aplicativos de comida. Reserve isso para ocasiões específicas e não como alternativa diária para sua refeição. Com equilíbrio, é possível viver de forma qualificada e ter mais tempo para as coisas que gostamos de fazer!
Fabiana Tanabe
Nutricionista – CRN2 9727
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª edição, 1ª reimpressão. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.





