
Você já parou para pensar no quanto a indústria de alimentos impacta na sua alimentação? Você consegue fazer a diferenciação entre alimentos in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados? Pode parecer termos muito técnicos, mas são de extrema importância e impactam diretamente na qualidade da sua alimentação! Vem com a gente que o Laranja na Colher te ajuda a entender toda essa história.
Já postamos aqui no blog as definições e os exemplos de cada um desses diferentes tipos de produtos e a importância de saber ler e entender o que está escrito nos rótulos. Agora convidamos vocês a refletirem mais no impacto que as nossas escolhas alimentares têm na nossa saúde e também na sociedade. Por exemplo, produtos alimentícios ultraprocessados, tais como embutidos, comidas prontas congeladas, bolacha recheada, possuem uma lista grande de ingredientes, você já reparou? Quanto maior a lista de ingredientes, com palavras que a gente nem entende o que podem significar, maior a chance de estarmos ingerindo um aglomerado de açúcares, gorduras, sal e conservantes, com sabores artificiais de tuti-fruti e de carne do futuro.
Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, existem muitos motivos para evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, entre eles o excesso de calorias que está contido nesses produtos e o impacto que a sua produção e distribuição causa no meio ambiente (pensem na quantidade de plástico que embalam esses produtos… tenso, né?) e na cultura alimentar dos povos. Além disso, ingerir ultraprocessados com muita frequência pode trazer desequilíbrios para a saúde, pois o excesso de calorias, sal, açúcares e gorduras contidos nesses produtos pode desregular o organismo em justamente saber fazer o controle do que está sendo ingerido. Complexo? Sim, nosso corpo é complexo mesmo.
É sabido que a rotina de vida mais atribulada pode dificultar na adoção de práticas alimentares mais adequadas, e que, por isso, muitas vezes, os produtos ultraprocessados se configuram como opção viável para alimentação. No entanto, é necessário avaliar a quantidade e a frequência desse consumo, para não trazer comprometimento para nossa saúde. O Guia Alimentar para a População Brasileira traz, entre inúmeras recomendações, uma regra de ouro: “Prefira sempre alimentos in natura ou minimante processados e preparações culinárias a alimentos processados.” Fazer essa avaliação pode ser crucial para ter um estilo de vida mais adequado para a manutenção da saúde.
Em relação à cultura alimentar dos povos, imaginem se o mundo inteiro decidisse parar de cozinhar e consumisse apenas industrializados? Os produtores de frutas e verduras não teriam mais demanda para a sua pequena produção; os grandes chefes de cozinha e os restaurantes não teriam mais para quem cozinhar; receitas familiares passadas de geração a geração perderiam o sentido de existir, pois não haveria mais quem cozinhasse, e mesmo se houvesse, não conseguiria encontrar os ingredientes pois, sem demanda, não há produção desses ingredientes; e o pior… os índices das doenças estariam, ainda mais, elevados, pela qualidade da composição dos ultraprocessados. Por isso, quando recomendamos evitar o consumo desses produtos, estamos apoiando, simultaneamente, as feiras e os pequenos agricultores, as gastronomias regionais e as tradições familiares, e também, promovendo saúde.
O escritor americano Michael Pollan, em seu livro “Em Defesa da Comida – Um Manifesto”, traz algumas dicas de como escolher melhor seus alimentos, e uma das dicas é: “Não coma nada que a sua bisavó não reconhecesse como comida”. A ideia é fazer o leitor refletir sobre a grande quantidade de produtos alimentícios existentes atualmente, porém produzidos com poucos ingredientes naturais, diferentemente do que havia algumas dezenas de anos atrás.
Esse texto, de forma alguma, se apresenta contra os avanços tecnológicos da humanidade. Nossa função é alertar sobre quanto o atual estilo de vida vigente em grande parte da sociedade pode custar em um futuro próximo. Além disso, também deixamos aqui uma sugestão de aplicativo (olha a tecnologia aí, a nosso favor!) que pode auxiliar na avaliação dos produtos que a gente encontra no supermercado: é o Desrotulando! Basta baixar o aplicativo em seu celular e começar a usar. Ele tem um leitor de código de barras que faz a identificação do item e apresenta os pontos positivos, negativos e alertas do produto.
A nossa alimentação não precisa ser complicada para ser saudável, só é necessário termos as informações corretas e livres de viés do marketing, tendo senso crítico para saber avaliar nossa fome, nossa vontade de comer, e o que e porquê vamos ingerir determinado alimento. Uma frase que pode auxiliar nesse processo é: desembale menos e descasque mais!
Fabiana Tanabe
Nutricionista – CRN2 9727
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª edição, 1ª reimpressão. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
Desrotulando. Disponível em: <desrotulando.com>. Acesso dia 03/07/2020
Pollan, Michael. Em defesa da comida – um manifesto. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2008.





