Imprensa

Entrevista Carta Capital Toga e Poder Econômico

Atualizado em: 15/08/2023 12:39

Desde 7 de agosto circula no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o fiscal da toga, uma proposta que é uma espécie de código de conduta para juízes. O objetivo de seu autor, Luis Phillipe Vieira de Mello Filho, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), é combater o conflito de interesses causado pela presença de magistrados em eventos organizados e patrocinados por empresas e agentes privados em geral. É comum um togado ser pago por dar palestras nessas ocasiões. A proposta no CNJ diz que esse pagamento é conflito de interesses, ou seja, afeta a imparcialidade do juiz. Também obriga os magistrados a detalharem ao CNJ a participação em evento privado, limita a 20% a cota de patrocínio que uma empresa pode bancar nesses eventos e a 100 reais o valor dos presentes que juízes podem aceitar. De quebra, impõe aos togados o dever de informar ao tribunal de origem quando tiverem variação patrimonial acima de 20% ao ano. Por que o Judiciário precisa de regras desse tipo? O CNJ irá aprová-las? A presidente do conselho, Rosa Weber, que comanda o Supremo Tribunal Federal (STF) tem simpatia pela ideia e se aposenta até outubro. Sobre esses assuntos, o repórter André Barrocal entrevista AO VIVO Fabiano Engelmann, professor de ciência política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),


Artigo Justiça eleitoral no Jogo Político

Atualizado em: 07/07/2023 16:17

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Judiciário e Sociedade

Justiça Eleitoral no jogo político

Na atual conjuntura, a Justiça Eleitoral parece estar ‘fazendo seu trabalho’ ao atuar com grande protagonismo

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justiça eleitoral no jogo político
Prédio do TSE, em Brasília. Crédito: Antonio Augusto/Secom/TSE

A grande repercussão do inquérito conduzido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em torno dos atentados contra as sedes dos Três Poderes somada à perda de direitos políticos do deputado Deltan Dallagnol (Podemos-PR) e a decisão pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL) projetam, em escala inédita, o protagonismo da Justiça Eleitoral na política brasileira. O perfil do impacto dessas ações se distingue das intervenções tutelares voltadas para o arbitramento e a produção normativa sobre a competição eleitoral que consolidaram o lugar ocupado pelas diferentes instâncias da Justiça Eleitoral nos últimos anos.

Em um sentido, esta intervenção judiciária parece corresponder às fragilidades democráticas desencadeadas com o lavajatismo e a violência conjuntural de grupos políticos contra as instituições. Entretanto, em outro sentido, podemos apontar uma nova versão da hiperpolitização do sistema de Justiça que sedimenta-se para além de “conjunturas críticas” e reposiciona o Judiciário no jogo político. 

A controversa noção de “judicialização da política” aparece desde a segunda metade do século 20 na ciência política para tentar explicar o fenômeno de crescimento da importância do poder Judiciário no sistema político, em especial dos tribunais superiores. Nesse quadro, diferentes abordagens apontam os limites e virtudes do Judiciário como um poder contramajoritário capaz de desconstituir decisões de governo e influenciar no direcionamento de políticas públicas. Na base dessa discussão destacam-se mecanismos institucionais como o controle de constitucionalidade que confere às cortes a prerrogativa de dizer a última palavra sobre a “adequação às regras” de decisões governamentais, de atos legislativos e, nos anos mais recentes, de julgar as regras do jogo político-eleitoral.

A tutela judicial da competição político-eleitoral é um fenômeno global do mundo democrático. Desenvolve-se e adquire legitimidade no sistema político impulsionada por reorientações estratégicas dos próprios grupos políticos. Nesse quadro, as regras eleitorais confundem-se, incrementalmente, com as apostas políticas impulsionando a judicialização de campanhas eleitorais, e, por consequência, o protagonismo dos atores do sistema judiciário. 

Na problematização geral dessa dinâmica, uma segunda dimensão que pode ser adicionada diz respeito às lógicas que envolvem as estratégias de poder das elites judiciárias. No caso brasileiro, o ativismo dos agentes da Justiça foi o pressuposto para assegurar a base do sistema de tutela judicial, o que ocorre, também, no âmbito da justiça eleitoral. Esse modelo resultou em um volume expressivo de prerrogativas de função, em arcabouços legais robustos e na reivindicação simbólica  do “controle técnico” dos processos políticos. Todos esses elementos vão além do vago princípio político contramajoritário, inerente à “separação dos Três Poderes”.   

A simbologia da “supremacia da Constituição” construída nos embates em torno do sentido das suas regras é um processo que varia em diferentes conjunturas. No caso brasileiro, no imediato pós-Constituinte, entra em pauta o potencial de “mudança social” que o jogo interpretativo da regra constitucional pode proporcionar. Ao longo das décadas de 90 e 2000, as recomposições e realinhamentos políticos de diversas categorias de profissionais do direito se entrelaçam com os avanços e recuos do ativismo na jurisdição constitucional. O que é invariável nessa dinâmica é a crescente mise en forme do embate político e, ao mesmo tempo, o efeito de maior captura do sistema jurisdicional pelos embates políticos mais radicalizados, em especial nos últimos cinco anos. 

Uma parte do crescimento do protagonismo político das instituições judiciais está relacionado a um investimento dos seus  agentes na construção de espaços “autônomos” em relação ao campo da política representativa e eleitoral observado ao longo das mais de três décadas da Constituição de 1988. O investimento neste incremento institucional favorece a simbologia de um poder de Estado “neutro” e metapolítico (encarregado da guarda da moralidade pública). O protagonismo  central nos escândalos políticos que mobilizam a simbologia redentora da persecução penal à elites políticas e empresariais fornece pistas dessa dinâmica. 

A trajetória incremental da legitimidade do sistema judicial enquanto órgão de  tutela dos processos políticos se entrecruza, também, com o enfraquecimento da legitimidade simbólica do Legislativo e mesmo, mais recentemente, do poder Executivo. Ou seja, o incremento das operações de (des)crédito público, com a produção midiática de sucessivos escândalos envolvendo membros dos poderes políticos em diferentes esferas contribui para a percepção de ineficiência dos políticos, em termos gerais.

Nesse sentido, a fragmentação das identidades partidárias e o enfraquecimento da legitimidade de instituições democráticas se ajustam a essa dinâmica de hiper-tutela da Justiça sobre o campo da política. Nas últimas duas décadas, em sucessivas “crises políticas”, a manipulação de regras jurídicas estiveram no centro dos escândalos políticos, seja através de sentenças judiciais com ampla repercussão pública proferidas por juízes de primeiro grau, de decisões do Supremo Tribunal Federal ou, ainda, de denúncias do Ministério Público fortemente impulsionadas pela grande mídia e demais setores interessados. 

Na atual conjuntura, a Justiça Eleitoral parece estar “fazendo seu trabalho” ao atuar com grande protagonismo como patrocinadora de uma escalada punitiva contra ameaças de ruptura do regime democrático. A questão que parece em aberto é o que resultará desse processo para o jogo político-institucional. Ou seja, o incremento da persecução penal e de restrição de direitos eleitorais será capaz de atenuar efeitos de radicalização nocivos ao sistema democrático? Ou, alternativamente, potencializará níveis de radicalização que tendem a implicar circularmente o sistema de justiça como um pólo do jogo político?


Resenha Livro Justiça e Poder Político na CONfines. Revista de relaciones internacionales y ciencia política. enero-mayo 2022

Atualizado em: 16/11/2022 16:06

A revista mexicana CONfines. Revista de relaciones internacionales y ciencia política. enero-mayo 2022 publicou Resenha do livro Justiça e Poder Político organizado pelos pesquisadores do NEJUP Fabiano Engelmann e Lucas Batista Pilau

https://confines.tec.mx/index.php/confines/issue/view/36

Texto disponível em PDF 335-Texto del artículo-508-1-10-20221110.pdf

Reportagem "Por que é tão dificil demitir um juiz" com a participação do Doutorando Moisés Lazzaretti Vieira

Atualizado em: 18/05/2022 12:52

Reportagem "Por que é tão dificil demitir um juiz" com a participação do Doutorando Moisés Lazzaretti Vieira pode ser acessada em:

https://ponte.org/por-que-e-tao-dificil-demitir-um-juiz/



Reportagem Estadão 14/03/2022 "Estudos indicam entreaves para o combate à desvios no setor público"

Atualizado em: 15/03/2022 16:13


Artigos jota justiça

Atualizado em: 26/03/2021 16:43

Coluna Judiciário e Sociedade


Ver Coluna em https://www.jota.info/autor/fabiano-engelmann

Abaixo links Artigos em PDF

-Justiça e movimentos anticorrupção: desvelando a construção do poder político das elites jurídicas -JOTA info, setembro 2021 Justiça e movimentos anticorrupção - JOTA Info.pdf

-Polícia Federal e investimento político - JOTA Info, maio 2020Artigo Jota Policia Federal e investimento político

-Escolas corporativas e formação jurídica - JOTA Info, janeiro 2020 Escolas corporativas e formação jurídica JOTA Info.pdf

-Escândalos ocultos e controle publico do Judiciário -JOTA Info,  março 2019 Escândalos ocultos e controle público do Judiciário JOTA Info.pdf

-Juízes vermelhos, interesses cinzentos,  fevereiro 2018 Juízes vermelhos, interesses cinzentos JOTA Info.pdf

-A Lei de moralização da vida pública francesa, setembro 2017 A “Lei de Moralização da vida pública” francesa JOTA Info.pdf