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#CORES DO PLANETÁRIO

Quando o conhecimento move o mundo

Edição: Luana Cruz

Na astrofísica, sabemos que a Terra se move através de duas características principais: a rotação, movimento do planeta ao redor do próprio eixo, e a translação, órbita da Terra ao redor do Sol. Mas, como humanos repletos de sentimentos e interpretações, definimos os fenômenos em outros aspectos além dos físicos. Por isso, no texto de julho, vamos celebrar o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, afinal, o conhecimento também move o mundo. 

Em 1988, o Brasil passava pelo processo de redemocratização, momento que marcou diversas conquistas sociais e permitiu a elaboração da sua Constituição Cidadã. Para a educação, um marco relevante é o Artigo 205, que define a educação como um “direito de todos e dever do Estado e da família”, sendo incentivada em prol do desenvolvimento individual e cidadão.

Com a definição, o acesso ao conhecimento se tornou um direito universal, ganhando espaço no debate político do país. Assim, os espaços educativos passaram a receber incentivos orçamentários, estrutura física e ampliação na grade curricular, mas foram os anos dois mil que impulsionaram a pesquisa e colocaram as universidades brasileiras como expoentes da ciência. 

No ano de 2008, O Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador Científico foram estabelecidos com base nas Leis nº 10.221, de 2001, e nº 11.807, de 2008. O projeto de valorização buscou promover a produção científica nacional e inspirar os jovens na busca e difusão do conhecimento. Ainda em 2008, a Lei nº 11.892 criou os institutos federais, visando o desenvolvimento da pesquisa, do ensino e da extensão, como formas para beneficiar toda a sociedade. 

Mas e na UFRGS?

As universidades públicas representam parte fundamental dos avanços científicos no Brasil, sendo responsáveis por mais de 95% da produção científica brasileira divulgada em bases internacionais. Além de liderar as publicações, as instituições também aparecem na frente em rankings que medem a qualidade do ensino. 

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul integra essas avaliações como a 7ª melhor da América Latina e a 2ª melhor país. Além da excelência no ensino e estímulo à permanência dos estudantes, a produção científica sustenta essas posições através de projetos como os que vamos apresentar hoje. 

Velozes e estudiosos

A equipe Tchê Baja SAE, fundada em 1995, é um projeto de extensão da Escola de Engenharia da UFRGS, que conta com integrantes de diversos cursos, como: Engenharia Mecânica, Engenharia de Controle e Automação, Design de Produto e Jornalismo. Nele, os estudantes têm como principal objetivo a fabricação de veículos que utilizam soluções tecnológicas, de custo acessível e são construídos para estradas irregulares, “offroad”. 

Os protótipos são atualizados regularmente e participam de competições oficiais da Sociedade de Engenheiros Automotivos (SAE Brasil), também conhecida como: a sociedade dos engenheiros da mobilidade do Brasil.

A participação no projeto oferece mais que interesse pelo ramo automobilístico, pertencimento e integração entre diferentes áreas do conhecimento. Segundo Gustavo Luiz Spielmann, estudante de engenharia mecânica: “Eu ainda cresço muito como futuro profissional de engenharia”. Seu relato se estende às responsabilidades de organização e produção. “A gente vai ganhando experiência em resolução de problemas e desafios práticos”.  

Projetos como o Tchê Baja proporcionam aos estudantes a oportunidade de participar ainda na graduação de iniciativas fora da universidade. “No início desse ano eu fiquei dois meses morando em São Paulo, na cidade de São José dos Campos, porque tive a oportunidade de estagiar na Embraer”.  A empresa é a maior na área de fabricação de aeronaves do brasil e a terceira maior do mundo,  “e tava eu lá, graças ao Baja, foi uma experiência fantástica”.
Você pode acompanhar o grupo através do instagram: @equipetchebaja.

Com música e SemSono

O Núcleo de Pesquisa em Semiótica e Sonoridades, SemSono, é um projeto iniciado em 2018, no Instituto Federal do Rio Grande do Sul Campus Alvorada. A iniciativa migrou para a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Fabico), em 2024, quando Marcelo Conter, idealizador do projeto, passou a integrar a equipe de professores da universidade.  

Vinculado ao Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC), o núcleo estuda semiótica, música pop, música independente, arqueologia da mídia, sonoridades, teoria dos afetos, materialidades da comunicação e artes sonoras. Ao total, 6 pesquisadores integram a equipe multidisciplinar que trabalha em parceria com outras instituições de ensino superior e o IFRS Campus Alvorada. 

“Pensar a sonoridade da música partindo da perspectiva de fenômeno comunicacional, essa é uma questão que não acaba”, cita o doutor em comunicação Marcelo Conter. “A gente tá aí o tempo todo, o setor cultural. Eu sempre procurei investigar a música amadora, underground”. 

Em 2016 seu projeto de doutorado se converteu em um livro,  “LO-FI: Música pop em baixa definição”. Desde então, o professor e músico investiga os processos de criação, consumo e mudanças no mercado fonográfico. “O resultado do livro foi circular na cena musical e de alguma forma muitos músicos leram”. Segundo ele, é a partir das universidades públicas que a ciência se desenvolve e para isso é necessário o apoio, as parcerias e a remuneração dos pesquisadores através de bolsas de iniciação científica. 

“A nossa pesquisa é a que mais trabalha com uma dimensão teórica crítica”. O núcleo de pesquisa em Semiótica e Sonoridades se apoia nos teóricos clássicos da comunicação e observa os fenômenos culturais sob a perspectiva analítica, um trabalho que difere da visão convencional que temos do pesquisador em um laboratório.

Com a redução nos investimentos em universidades federais, o professor lamenta a necessidade dos estudantes em sair de espaços acadêmicos por conta da falta de apoio institucional: “Cada vez mais a gente precisa defender a universidade como um espaço múltiplo. Viria a calhar o apoio para os congressos e os livros, mas não costuma ter editais para a nossa área. Ano passado não consegui nenhuma bolsa e esse ano veio só uma”. 

Os espaços de conhecimento são importantes para o pensamento crítico, o desenvolvimento de tecnologias e a reflexão social. “Por isso as bolsas são tão importantes, a gente precisa de pertencimento, flexibilidade. Reduzindo o tempo de atenção, a gente tem uma redução no espaço para pensar”.

Você pode acompanhar o Núcleo através do instagram:@semsonoufrgs

A Eficiência de Adsorção das Zeólitas

O Projeto de pesquisa Desenvolvimento de Materiais Avançados Sustentáveis Empregando Resíduos Industriais: Aplicações Tecnológicas e Ambientais, é um Cluster — agrupamento de iniciativas com objetivos em comum. Desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, uma de suas pesquisas é a Eficiência de Adsorção das Zeólitas, executado pela estudante do bacharelado em química Ana Carina De Conto, com orientação do Doutor em Química Diogo Pompeo. 

Através do teste de Zeólitas — minerais porosos que absorvem moléculas e íons em sua estrutura, a pesquisa garante que as impurezas e toxinas realmente sejam incorporadas. Os testes ocorrem com arsênio, um contaminante presente na água.  

Seu impacto é a purificação da água contaminada com remédios de uso veterinário, que acabam chegando em aquíferos através de dejetos. O arsênio é um  contaminante tóxico que não se decompõem, tornando necessária a sua retirada dos ecossistemas. Além dos medicamentos, a mineração também pode contaminar o solo.

Segundo Ana, “o projeto me ensina a utilizar novos equipamentos e reforça aquilo que eu quero fazer futuramente. É uma grande oportunidade poder escrever um artigo, um resumo ou até apresentar trabalhos”. Ela complementa citando que a pesquisa agrega sua experiência na universidade. “A gente tem que descobrir porque as coisas dão errado”. Na área de pesquisa é importante aprender a lidar com adversidades.  

Você pode acompanhar o Cluster através do instagram:@nuqa.ufrgs

Quando a pesquisa é o melhor caminho

Não importa o lugar: nos laboratórios, nas competições automotivas ou em sala de aula,  a ciência e a pesquisa continuam andando lado a lado. Cada estudo representa um universo inteiro de conhecimentos, com perguntas que precisamos fazer e que nos levam em direção à melhoria, seja ela nos mecanismos, no meio ambiente, ou na vida.

O espaço da universidade deve ser e permanecer como um meio capaz de viabilizar o conhecimento, afinal, no sétimo texto da Série Cores do Planetário, aprendemos que ele move o mundo. Celebrar a pesquisa e os pesquisadores é justamente isso: reconhecer que o conhecimento ultrapassa os ambientes acadêmicos e se espalha pela sociedade.   

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, esses exemplos são vivos e evoluem conforme o tempo passa. Que possamos incentivar os estudantes, professores e pesquisadores que fazem desse lugar um espaço plural de saber. 

Por fim, gostaríamos de agradecer aos pesquisadores Ana, Gustavo e Marcelo, que tornaram essa reportagem possível. Muito obrigada.

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Cores do Planetário

Cores do Planetário é uma série de textos destinada a explorar e debater temas de relevância social na atualidade. Todos os meses, um destes temas é abordado em nosso site e representado pelas cores das luzes que iluminam o Planetário durante a noite. 

Referências:

99% das pesquisas são feitas pelas universidades públicas. Disponível em: https://www.investe.sp.gov.br/noticia/99-das-pesquisas-sao-feitas-pelas-universidades-publicas/. Acesso em: 3 jul. 2025.

BRASIL. Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico. Disponível em: https://www.gov.br/inpp/pt-br/noticias/dia-nacional-da-ciencia-e-do-pesquisador-cientifico. Acesso em: 3 jul. 2025.

MOREIRA, G. L. E. S. O Brasil é forte em pesquisa científica e pode ser melhor. Disponível em: https://revistaensinosuperior.com.br/2023/04/28/o-brasil-e-forte-em-pesquisa-cientifica-e-pode-ser-melhor/. Acesso em: 3 jul. 2025.

Nos países desenvolvidos, dinheiro que financia a ciência na universidade é público. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/nos-paises-desenvolvidos-o-dinheiro-que-financia-a-ciencia-e-publico/. Acesso em: 3 jul. 2025.

Universidades públicas respondem por mais de 95% da produção científica do Brasil. Disponível em: https://www.abc.org.br/2019/04/15/universidades-publicas-respondem-por-mais-de-95-da-producao-cientifica-do-brasil/. Acesso em: 3 jul. 2025.

VITORIO, T. Casamento entre ciência e setor privado no Brasil é impossível, diz economista. Disponível em: https://exame.com/ciencia/casamento-entre-ciencia-e-empresa-privada-e-impossivel-no-brasil-diz-economista/amp/. Acesso em: 3 jul. 2025.

Relatório mostra que universidade particular no Brasil não produz conhecimento. Disponível em: https://sintufmt.org.br/conjuntura/relatrio-mostra-que-universidade-particular-no-brasil-no-produz-conhecimento/. Acesso em: 3 jul. 2025.