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#CORES DO PLANETÁRIO

Por um mundo diverso e inclusivo 

Edição: Luana Cruz

De acordo com o Censo de 2022, cerca de 14,4 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência. No Rio Grande do Sul, são 772.077 pessoas, o que corresponde a 7,2% da população do estado. Esses números reforçam a importância de políticas públicas que garantam inclusão e oportunidades.

A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, criada em 1963 e prevista na Lei nº 13.585/2017, acontece todos os anos entre os dias 21 e 28 de agosto. Em 2025, o tema escolhido reforça esse compromisso: “Deficiência não define, oportunidade transforma”.

Por isso, no oitavo texto da série Cores do Planetário, vamos tratar de um tópico essencial para que algumas dessas deficiências sejam percebidas, um recurso que garante o acesso a direitos e a participação social dessas pessoas em todos os espaços: o diagnóstico.

Diagnóstico: a chave para o cuidado

A palavra deficiência tem origem no latim, deficientia, que significa “falta”. No português brasileiro, entretanto, ganhou sentidos mais amplos: não se refere apenas a uma ausência, mas a uma condição que pode ser temporária ou permanente e que impacta a realização de determinadas funções.

O conceito de deficiência, quando relacionado às pessoas, é vasto e diverso, abrangendo barreiras que podem limitar a participação plena de um indivíduo na sociedade. Algumas são mais visíveis, como as deficiências físicas ou sensoriais: mobilidade reduzida, cegueira, baixa visão e surdez. Outras, porém, são menos perceptíveis: deficiências intelectuais, que afetam o funcionamento intelectual e o comportamento adaptativo; múltiplas, que combinam duas ou mais condições; psicossociais, relacionadas à saúde mental; e de comunicação, que impactam a fala e a linguagem

Apesar dos avanços científicos e sociais, muitos estereótipos marcam a forma como as Pessoas com Deficiência (PcDs)  são vistas. O diagnóstico, nesse contexto, ajuda a desconstruir preconceitos, mostrando que cada pessoa apresenta singularidades, habilidades e necessidades de apoio diferentes.

Mais do que um processo de autoconhecimento, o diagnóstico é também a chave para acessar direitos. No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência assegura condições de igualdade, participação social e autonomia, como o acesso a ambientes públicos, a educação inclusiva e a participação política. Já o Decreto nº 7.611/2011 garante o direito ao atendimento educacional especializado.

Esses acessos ocorrem através do laudo, documento oficial que permite, por exemplo, solicitar as adaptações em sala de aula, acessar benefícios sociais e  participar das políticas de cotas no mercado de trabalho. Claro que, além da comprovação da necessidade específica, é preciso observar também as peculiaridades de cada indivíduo. Cada deficiência se apresenta de um jeito e cada pessoa é única dentro das próprias capacidades e limitações. 

Quando falamos de pessoas, sempre, ou quase sempre, lidamos também com uma questão primordial: as expectativas. Essa palavra-chave permeia nossa vida cotidiana e está presente em lugares que nem imaginamos. Por meio delas, criamos e projetamos nossos maiores desejos, além da visão de quem somos e de quem queremos ser. Mas como reagir quando o ideal esbarra nos estereótipos? Esse foi o desafio que Daniel*. encontrou ao receber o diagnóstico de autismo no início de 2022.

Segundo ele, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) veio em um momento turbulento. Em menos de um ano recebeu o diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), deu início ao Trabalho de Conclusão de Curso na graduação e, em seguida, obteve o laudo comprovando o Transtorno do Espectro Autista.

“Foi um processo até eu conseguir conciliar a imagem do transtorno, o TEA, com a imagem que eu tinha de mim mesmo.” Durante meses, uma pergunta se repetia: “Será que as outras pessoas me enxergam da mesma forma que eu tenho essa visão estereotipada? Elas me percebem da mesma forma com a qual eu me vejo?”

A experiência de Daniel* após o diagnóstico e o acesso à terapia desmistificou muitos preconceitos e representou um dos propósitos do laudo, a autocompreensão: “Hoje, acontece uma coisa que parece desesperadora e eu já sei muitas vezes que pode ser o meu cérebro tirando de proporção”. E completou citando: “Eu sinto que sou uma pessoa mais feliz depois do diagnóstico”.

Olhares diversos iluminam o Planetário

O Planetário estabeleceu, entre seus objetivos para 2025, a formação voltada a práticas de acessibilidade. Desde maio, desenvolvemos ações para a construção de uma consciência social e coletiva de inclusão e acessibilidade universal, buscando ampliar o acolhimento de pessoas com deficiência e de pessoas com necessidades educacionais especiais. É necessário que essas populações estejam presentes nas atividades de extensão universitária, como parte da comunidade interna e externa.

Para isso, ao longo de 8 meses, a equipe participou de diversas atividades, como o Seminário Pró-cultura Acessível, encontros com familiares de crianças atípicas e realizou uma capacitação interna. Além disso, desenvolvemos materiais que estão em fase de produção, como a prancha de comunicação alternativa, a caixa lúdica do Sistema Solar e as constelações táteis, elaboradas em parceria com o professor Eduardo Cardoso, do grupo de comunicação acessível   (ComAcesso). Além dessas atividades, os bolsistas do Planetário concluíram o curso “Atenção à Pessoa com Deficiência: Abordagem com Cidadania”, promovido pela Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades (FADERS). 

Foto: Planetário Professor José Baptista Pereira

Nesta terça-feira, 26 de agosto, coordenamos uma atividade inclusiva em parceria com a FADERS, composta por uma sessão na cúpula e uma oficina educativa, oferecida para grupos previamente definidos. Pretendemos incorporar essas atividades inclusivas nos atendimentos realizados no Planetário ao longo de 2026.  

*o nome e os dados foram alterados para preservar a identidade do entrevistado

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Cores do Planetário

Cores do Planetário é uma série de textos destinada a explorar e debater temas de relevância social na atualidade. Todos os meses, um destes temas é abordado em nosso site e representado pelas cores das luzes que iluminam o Planetário durante a noite. 

Referências: 

BAZON, Fernanda Vilhena Mafra; CAMPANELLI, Eloísa Amicucci; BLASCOVI-ASSIS, Silvana Maria. A importância da humanização profissional no diagnóstico das deficiências. Revista Psicologia: Teoria e Prática, v. 6, n. 2, p. 89-99, 2004.

BRASIL. Censo 2022: Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência. Agência de Notícias IBGE, 23 maio 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43463-censo-2022-brasil-tem-14-4-milhoes-de-pessoas-com-deficiencia. Acesso em: 26 ago. 2025.

BRASIL. Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 18 nov. 2011.

DE ANDRADE, Izabel Cristina Feijó; BRITO, Josiane Vieira. A importância do diagnóstico precoce de autismo na educação infantil. Revista GepesVida, v. 8, n. 18, 2022.

VICENTIN, Paolla Mangueira et al. A importância do trabalho na construção da identidade de pessoas com deficiência. Revista Laborativa, v. 10, n. 1, p. 118-143, 2021.

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#CORES DO PLANETÁRIO

Quando o conhecimento move o mundo

Edição: Luana Cruz

Na astrofísica, sabemos que a Terra se move através de duas características principais: a rotação, movimento do planeta ao redor do próprio eixo, e a translação, órbita da Terra ao redor do Sol. Mas, como humanos repletos de sentimentos e interpretações, definimos os fenômenos em outros aspectos além dos físicos. Por isso, no texto de julho, vamos celebrar o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, afinal, o conhecimento também move o mundo. 

Em 1988, o Brasil passava pelo processo de redemocratização, momento que marcou diversas conquistas sociais e permitiu a elaboração da sua Constituição Cidadã. Para a educação, um marco relevante é o Artigo 205, que define a educação como um “direito de todos e dever do Estado e da família”, sendo incentivada em prol do desenvolvimento individual e cidadão.

Com a definição, o acesso ao conhecimento se tornou um direito universal, ganhando espaço no debate político do país. Assim, os espaços educativos passaram a receber incentivos orçamentários, estrutura física e ampliação na grade curricular, mas foram os anos dois mil que impulsionaram a pesquisa e colocaram as universidades brasileiras como expoentes da ciência. 

No ano de 2008, O Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador Científico foram estabelecidos com base nas Leis nº 10.221, de 2001, e nº 11.807, de 2008. O projeto de valorização buscou promover a produção científica nacional e inspirar os jovens na busca e difusão do conhecimento. Ainda em 2008, a Lei nº 11.892 criou os institutos federais, visando o desenvolvimento da pesquisa, do ensino e da extensão, como formas para beneficiar toda a sociedade. 

Mas e na UFRGS?

As universidades públicas representam parte fundamental dos avanços científicos no Brasil, sendo responsáveis por mais de 95% da produção científica brasileira divulgada em bases internacionais. Além de liderar as publicações, as instituições também aparecem na frente em rankings que medem a qualidade do ensino. 

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul integra essas avaliações como a 7ª melhor da América Latina e a 2ª melhor país. Além da excelência no ensino e estímulo à permanência dos estudantes, a produção científica sustenta essas posições através de projetos como os que vamos apresentar hoje. 

Velozes e estudiosos

A equipe Tchê Baja SAE, fundada em 1995, é um projeto de extensão da Escola de Engenharia da UFRGS, que conta com integrantes de diversos cursos, como: Engenharia Mecânica, Engenharia de Controle e Automação, Design de Produto e Jornalismo. Nele, os estudantes têm como principal objetivo a fabricação de veículos que utilizam soluções tecnológicas, de custo acessível e são construídos para estradas irregulares, “offroad”. 

Os protótipos são atualizados regularmente e participam de competições oficiais da Sociedade de Engenheiros Automotivos (SAE Brasil), também conhecida como: a sociedade dos engenheiros da mobilidade do Brasil.

A participação no projeto oferece mais que interesse pelo ramo automobilístico, pertencimento e integração entre diferentes áreas do conhecimento. Segundo Gustavo Luiz Spielmann, estudante de engenharia mecânica: “Eu ainda cresço muito como futuro profissional de engenharia”. Seu relato se estende às responsabilidades de organização e produção. “A gente vai ganhando experiência em resolução de problemas e desafios práticos”.  

Projetos como o Tchê Baja proporcionam aos estudantes a oportunidade de participar ainda na graduação de iniciativas fora da universidade. “No início desse ano eu fiquei dois meses morando em São Paulo, na cidade de São José dos Campos, porque tive a oportunidade de estagiar na Embraer”.  A empresa é a maior na área de fabricação de aeronaves do brasil e a terceira maior do mundo,  “e tava eu lá, graças ao Baja, foi uma experiência fantástica”.
Você pode acompanhar o grupo através do instagram: @equipetchebaja.

Com música e SemSono

O Núcleo de Pesquisa em Semiótica e Sonoridades, SemSono, é um projeto iniciado em 2018, no Instituto Federal do Rio Grande do Sul Campus Alvorada. A iniciativa migrou para a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Fabico), em 2024, quando Marcelo Conter, idealizador do projeto, passou a integrar a equipe de professores da universidade.  

Vinculado ao Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC), o núcleo estuda semiótica, música pop, música independente, arqueologia da mídia, sonoridades, teoria dos afetos, materialidades da comunicação e artes sonoras. Ao total, 6 pesquisadores integram a equipe multidisciplinar que trabalha em parceria com outras instituições de ensino superior e o IFRS Campus Alvorada. 

“Pensar a sonoridade da música partindo da perspectiva de fenômeno comunicacional, essa é uma questão que não acaba”, cita o doutor em comunicação Marcelo Conter. “A gente tá aí o tempo todo, o setor cultural. Eu sempre procurei investigar a música amadora, underground”. 

Em 2016 seu projeto de doutorado se converteu em um livro,  “LO-FI: Música pop em baixa definição”. Desde então, o professor e músico investiga os processos de criação, consumo e mudanças no mercado fonográfico. “O resultado do livro foi circular na cena musical e de alguma forma muitos músicos leram”. Segundo ele, é a partir das universidades públicas que a ciência se desenvolve e para isso é necessário o apoio, as parcerias e a remuneração dos pesquisadores através de bolsas de iniciação científica. 

“A nossa pesquisa é a que mais trabalha com uma dimensão teórica crítica”. O núcleo de pesquisa em Semiótica e Sonoridades se apoia nos teóricos clássicos da comunicação e observa os fenômenos culturais sob a perspectiva analítica, um trabalho que difere da visão convencional que temos do pesquisador em um laboratório.

Com a redução nos investimentos em universidades federais, o professor lamenta a necessidade dos estudantes em sair de espaços acadêmicos por conta da falta de apoio institucional: “Cada vez mais a gente precisa defender a universidade como um espaço múltiplo. Viria a calhar o apoio para os congressos e os livros, mas não costuma ter editais para a nossa área. Ano passado não consegui nenhuma bolsa e esse ano veio só uma”. 

Os espaços de conhecimento são importantes para o pensamento crítico, o desenvolvimento de tecnologias e a reflexão social. “Por isso as bolsas são tão importantes, a gente precisa de pertencimento, flexibilidade. Reduzindo o tempo de atenção, a gente tem uma redução no espaço para pensar”.

Você pode acompanhar o Núcleo através do instagram:@semsonoufrgs

A Eficiência de Adsorção das Zeólitas

O Projeto de pesquisa Desenvolvimento de Materiais Avançados Sustentáveis Empregando Resíduos Industriais: Aplicações Tecnológicas e Ambientais, é um Cluster — agrupamento de iniciativas com objetivos em comum. Desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, uma de suas pesquisas é a Eficiência de Adsorção das Zeólitas, executado pela estudante do bacharelado em química Ana Carina De Conto, com orientação do Doutor em Química Diogo Pompeo. 

Através do teste de Zeólitas — minerais porosos que absorvem moléculas e íons em sua estrutura, a pesquisa garante que as impurezas e toxinas realmente sejam incorporadas. Os testes ocorrem com arsênio, um contaminante presente na água.  

Seu impacto é a purificação da água contaminada com remédios de uso veterinário, que acabam chegando em aquíferos através de dejetos. O arsênio é um  contaminante tóxico que não se decompõem, tornando necessária a sua retirada dos ecossistemas. Além dos medicamentos, a mineração também pode contaminar o solo.

Segundo Ana, “o projeto me ensina a utilizar novos equipamentos e reforça aquilo que eu quero fazer futuramente. É uma grande oportunidade poder escrever um artigo, um resumo ou até apresentar trabalhos”. Ela complementa citando que a pesquisa agrega sua experiência na universidade. “A gente tem que descobrir porque as coisas dão errado”. Na área de pesquisa é importante aprender a lidar com adversidades.  

Você pode acompanhar o Cluster através do instagram:@nuqa.ufrgs

Quando a pesquisa é o melhor caminho

Não importa o lugar: nos laboratórios, nas competições automotivas ou em sala de aula,  a ciência e a pesquisa continuam andando lado a lado. Cada estudo representa um universo inteiro de conhecimentos, com perguntas que precisamos fazer e que nos levam em direção à melhoria, seja ela nos mecanismos, no meio ambiente, ou na vida.

O espaço da universidade deve ser e permanecer como um meio capaz de viabilizar o conhecimento, afinal, no sétimo texto da Série Cores do Planetário, aprendemos que ele move o mundo. Celebrar a pesquisa e os pesquisadores é justamente isso: reconhecer que o conhecimento ultrapassa os ambientes acadêmicos e se espalha pela sociedade.   

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, esses exemplos são vivos e evoluem conforme o tempo passa. Que possamos incentivar os estudantes, professores e pesquisadores que fazem desse lugar um espaço plural de saber. 

Por fim, gostaríamos de agradecer aos pesquisadores Ana, Gustavo e Marcelo, que tornaram essa reportagem possível. Muito obrigada.

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Cores do Planetário

Cores do Planetário é uma série de textos destinada a explorar e debater temas de relevância social na atualidade. Todos os meses, um destes temas é abordado em nosso site e representado pelas cores das luzes que iluminam o Planetário durante a noite. 

Referências:

99% das pesquisas são feitas pelas universidades públicas. Disponível em: https://www.investe.sp.gov.br/noticia/99-das-pesquisas-sao-feitas-pelas-universidades-publicas/. Acesso em: 3 jul. 2025.

BRASIL. Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico. Disponível em: https://www.gov.br/inpp/pt-br/noticias/dia-nacional-da-ciencia-e-do-pesquisador-cientifico. Acesso em: 3 jul. 2025.

MOREIRA, G. L. E. S. O Brasil é forte em pesquisa científica e pode ser melhor. Disponível em: https://revistaensinosuperior.com.br/2023/04/28/o-brasil-e-forte-em-pesquisa-cientifica-e-pode-ser-melhor/. Acesso em: 3 jul. 2025.

Nos países desenvolvidos, dinheiro que financia a ciência na universidade é público. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/nos-paises-desenvolvidos-o-dinheiro-que-financia-a-ciencia-e-publico/. Acesso em: 3 jul. 2025.

Universidades públicas respondem por mais de 95% da produção científica do Brasil. Disponível em: https://www.abc.org.br/2019/04/15/universidades-publicas-respondem-por-mais-de-95-da-producao-cientifica-do-brasil/. Acesso em: 3 jul. 2025.

VITORIO, T. Casamento entre ciência e setor privado no Brasil é impossível, diz economista. Disponível em: https://exame.com/ciencia/casamento-entre-ciencia-e-empresa-privada-e-impossivel-no-brasil-diz-economista/amp/. Acesso em: 3 jul. 2025.

Relatório mostra que universidade particular no Brasil não produz conhecimento. Disponível em: https://sintufmt.org.br/conjuntura/relatrio-mostra-que-universidade-particular-no-brasil-no-produz-conhecimento/. Acesso em: 3 jul. 2025.

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#CORES DO PLANETÁRIO

No mês do Meio Ambiente, precisamos falar sobre emergência climática

Fotos: Izadora Leal Domingues
Edição: Luana Cruz

A formação do planeta Terra ocorreu há aproximadamente 4,5 bilhões de anos e somente há cerca de 3,5 bilhões de anos atrás surgiram os primeiros organismos vivos. Durante esse período, o planeta evoluiu para alcançar a complexidade nas formas de vida que conhecemos. Hoje, presenciamos seres humanos habitando a superfície e um ambiente propício para uma grande diversidade de plantas, microrganismos e animais. 

 Um fator determinante para o surgimento e a manutenção dessas formas de vida, é a atmosfera terrestre, que é composta por gases essenciais, como o vapor d’água (H₂O), o dióxido de carbono (CO₂) e o metano (CH₄). É através desse conjunto de gases que a atmosfera terrestre apresenta um fenômeno conhecido como efeito estufa, processo natural e crucial para manter a temperatura do planeta em níveis adequados para o surgimento e a permanência da vida terrestre. No entanto é importante lembrar que, assim como se adaptou para a vida, a Terra também pode se tornar inadequada para ela. 

Desde a Revolução Industrial, a ação humana tem sido crucial para o surgimento das mudanças climáticas, processo em que a temperatura terrestre aumenta, resultando em eventos climáticos extremos. Esses eventos prejudiciais se diferem do efeito estufa natural e podem levar a nossa extinção.  

Segundo o relatório Estado do Clima Global, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o ano de 2024 foi o primeiro a marcar 1,5ºC acima da temperatura da era pré-industrial, fazendo com que o período seja o mais quente desde o início das marcações, há 175 anos. Sobre o aumento na temperatura terrestre,  afirmou António Guterres, secretário geral da ONU: “o planeta está emitindo mais sinais de socorro”.

O impacto das mudanças climáticas foi presenciado em todo o mundo ao longo dos últimos anos, com destaque para 2024. Enchentes, alagamentos, secas, incêndios, ciclones, aumento das temperaturas, elevação do nível do mar e a exposição de parte da fauna e flora a ambientes inóspitos foram apenas alguns dos efeitos sobre a vida terrestre. No Brasil, podemos observar diferentes consequências: no Sudeste e no Centro-Oeste, a população enfrentou a maior seca generalizada da história recente, vivenciando o aumento de incêndios, a fumaça de cinzas tóxicas e a falta de chuvas. Já o Rio Grande do Sul  sofreu a maior enchente da história do país em maio de 2024, quando cerca de 876 mil pessoas foram diretamente atingidas e 418 municípios declararam situação de calamidade.

Mudança climática é tema de evento no Planetário

Durante os dias 3, 4 e 5 de junho ocorreu no Planetário da UFRGS a 2ª Semana da Terra, evento que promoveu discussões sobre justiça climática, extremos hidrológicos e a relação entre o Brasil e a Antártica. Ao todo, cerca de 110 pessoas se reuniram no espaço para prestigiar as palestras e refletir sobre formas de reduzir os impactos do aumento da temperatura global.

A abertura foi conduzida pelo doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental Fernando Fan, com a palestra “Mudanças Climáticas e Extremos Hidrológicos: Impactos e Estratégias de Adaptação”. Segundo o especialista, a tendência é que, nos próximos anos, a chuva se torne um fenômeno cada vez mais frequente em algumas regiões do país.

Fan destacou que a principal diferença entre os alagamentos registrados em outras regiões do Brasil e a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 está na escala e na duração dos eventos. “Uma coisa é a chuva que é curta no tempo, mas grande em quantidade. Essa chuva causa o alagamento, a cidade faz a drenagem e depois a água escoa. Outra coisa é uma chuva que pega uma área grande e tem longa duração. Aí a gente vai ver a invasão das águas, que causa a inundação”. 

As chuvas registradas durante a tragédia, em maio do ano passado, foram proporcionais ao previsto para todo o ano de 2024. Segundo o palestrante, no Sul do Brasil um fator determinante para o regime de chuvas é a atuação das massas de ar polar, que influenciam diretamente na dinâmica climática da região. Outro fator que impactou no período foi a presença de um ciclone extratropical e do fenômeno El Niño.

As repercussões da inundação foram observadas ao longo do segundo dia de evento, na palestra “Mudanças Climáticas e Injustiça Ambiental: Um Olhar a Partir de Porto Alegre”, conduzida pela doutora em Sociologia Ambiental, Lorena Fleury. A pesquisadora abordou o impacto desigual das mudanças climáticas sobre diferentes grupos sociais que residem na região metropolitana de Porto Alegre. Estudos recentes, realizados em estados brasileiros no contexto de mudanças climáticas, demonstram que mulheres chefes de família são as mais atingidas por eventos extremos e se encontram em maior vulnerabilidade após as catástrofes, situação que se repetiu no Rio Grande do Sul. 

“A gente precisa de soluções pautadas na realidade local”, afirmou a pesquisadora sobre a desigualdade presenciada durante a tragédia. Ela afirma que existe um medo das mães ao serem separadas dos filhos e que é necessário pensar em meios de reduzir esse desgaste emocional nas famílias. “Os lugares que a gente não olha, as ausências, elas nos dizem muito”, completou, ao refletir sobre as invisibilidades sociais durante o período de reconstrução do estado.Apesar de muitas vezes pensarmos na vida pós-enchentes como um processo de superação da tragédia climática, Francisco Aquino, Doutor em Geografia com ênfase em mudanças climáticas entre a Antártica e o Sul do Brasil, alertou para os danos irreversíveis durante sua apresentação “Emergência Climática: a Antártica e o Brasil”.

No Rio Grande do Sul há um fenômeno característico que são as correntes de jato, fluxos de vento de alta velocidade, que podem atingir cerca de 300 quilômetros por hora. A formação predominante do fenômeno ocorre por conta do aquecimento desigual da superfície terrestre. Nesse processo, o ar quente e o ar frio interagem com a rotação terrestre, movimento conhecido como  Efeito Coriolis. 

Essa interação, intensificada pelo derretimento das geleiras no Polo Sul, acaba originando os ciclones explosivos, também conhecidos como ciclones bomba. Em temperaturas normais, as correntes de jato são responsáveis por  transferir calor entre os trópicos, mas com o aquecimento da superfície terrestre, esses fenômenos têm se aproximado cada vez mais das áreas urbanas, colocando a população em risco.

 Uma das características das correntes de jato é o espaço em que elas acontecessem, ao percorrerem a troposfera – camada mais baixa da atmosfera terrestre – esses fenômenos passam a acontecer predominantemente em ambientes próximos da civilização. Sobre isso, Aquino pontua: “No Rio Grande do Sul, a gente tem uma corrente de jato, e ela está mais rápida”

Na prática, o que ocorre é que, com o aquecimento do planeta, as geleiras derretem, liberando grandes volumes de água doce e fria nos oceanos. Essa mudança altera as correntes oceânicas, que funcionam como sistemas circulares de troca de calor entre os pólos e o equador.A redução na diferença de temperatura entre as camadas da atmosfera e as águas oceânicas diminui a estabilidade desses sistemas, criando um ambiente propício para formações meteorológicas instáveis e violentas, dentre elas, os ciclones explosivos.

Quando a cidade precisa encontrar o seu “Futuro Ancestral”

Voltando algumas páginas, ou séculos, na história do mundo, é possível observar que a destruição dos biomas e ecossistemas terrestres está erroneamente interligada à concepção que temos de qualidade de vida. A intervenção humana, que hoje relacionamos a palavras como desmatamento e crise climática, foi concebida, na verdade, como prosperidade ou progresso. Porém, esse processo conceitual, que interage fisicamente com a nossa realidade e ganhou força com a Revolução Industrial, iniciou muito antes do êxodo rural – ele data de séculos atrás.

Quando analisamos as relações sociais que ocorreram durante a colonização no Brasil, é possível observar a legitimidade conceitual da “civilização”, que autorizou a escravização dos povos originários e o sequestro do seu território. Assim como o desmatamento das florestas, matas e demais biomas preservados pelos povos que aqui viviam.

O Brasil sempre carregou um modo de vida próprio, mas hoje parte dessa diversidade virou cidade a céu aberto, planejada a partir de uma lógica importada, que não respeita a natureza do território. Como aponta Ailton Krenak: “Eu acho engraçado que tem gente que aceita com naturalidade considerar um rio sagrado desde que ele esteja lá na Índia, e saiba de cor que ele se chama Ganges, enquanto ousa saquear o corpo do rio ao lado, cujo nome desconhece […]”. 

Segundo o Censo de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 58,7 milhões de pessoas moram em vias sem arborização. O percentual representa 33,7% da população total do país. Além disso, cidades como Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro sofrem diretamente as consequências da crise climática. 

A partir disso, surge a pergunta: “como conciliar o avanço das cidades com o aquecimento do planeta?” Já sabemos que o nosso consumo excessivo é prejudicial, por isso, separamos algumas dicas da Semana da Terra para tornar o planeta um lugar mais agradável.

Diante desse cenário, compreender a história, como ocorrem os fenômenos ambientais e suas consequências é essencial para enfrentarmos os desafios trazidos pela mudança climática. Está na hora de repensar nosso modo de vida e preservar o meio ambiente enquanto ainda há tempo. É preciso agir. Plante, cuide, transforme o lugar em que você mora.  

Apoie empresas e iniciativas sustentáveis! A 2º Semana da Terra no Planetário contou com expositores que buscam a sustentabilidade e a preservação ambiental como estratégia de produção. Entre as iniciativas estiveram a Associação Patas Dadas, o Coletivo Casa Coração, a Planetária Produtos Naturais, a Associação ContraPonto, a Mimos da Terra e Composteiras, Repense Bordados, a Ludere Ideias e a Sociedade Astronômica Riograndense.

Os participantes  também tiveram a oportunidade de prestigiar um artista mirim e sua reprodução do sistema solar em massinha de modelar e biscuit, além de conferir a coleção de produtos do Planetário, desenvolvida em parceria com a loja Ponto UFRGS. Além de comerciantes, a equipe de divulgação do Greenpeace Porto Alegre participou com materiais informativos e ações de conscientização ambiental, contribuindo para ampliar o debate sobre sustentabilidade ao longo do evento. Cerca de 100 quilos de alimentos foram arrecadados e repassados para a ONG Mistura Aí, encerrando os três dias de muita troca, afeto e valorização da ciência. Esperamos que a terceira edição da Semana da Terra seja ainda mais rica.

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Cores do Planetário

Cores do Planetário é uma série de textos destinada a explorar e debater temas de relevância social na atualidade. Todos os meses, um destes temas é abordado em nosso site e representado pelas cores das luzes que iluminam o Planetário durante a noite. 

Referências:

Agência Gov (MCTI). Temperatura média do planeta rompe limite de 1.5 °C em 2024, apontam centros meteorológicos. Agência Brasil. 10 jan. 2025. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202501/temperatura-media-do-planeta-rompe-limite-de-1-5degc-em-2024-apontam-centros-meteorologicos. Acesso em: 18 jun. 2025.

Organização das Nações Unidas. Relatório sobre clima revela que planeta está emitindo “sinais de socorro”. UN News, português, 19 mar. 2025. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2025/03/1846346. Acesso em: 18 jun. 2025.

Agência Pública. Mães de baixa renda e chefes de família são mais afetadas por desastres ambientais. Agência Pública, 2022. Disponível em: https://apublica.org/2022/08/maes-de-baixa-renda-e-chefes-de-familia-sao-mais-afetadas-por-desastres-ambientais/. Acesso em: 18 jun. 2025.

CNN Brasil. 2024 deverá ser o ano mais quente já registrado, segundo a OMM. São Paulo, 11 nov. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2024-devera-ser-o-ano-mais-quente-ja-registrado-segundo-a-omm/. Acesso em: 18 jun. 2025.

CNN Brasil. Enchente afetou quase 12 % da população de Porto Alegre; veja números sobre o impacto da chuva na cidade. CNN Brasil, 16 maio 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/enchente-afetou-quase-12-da-populacao-de-porto-alegre-veja-numeros-sobre-o-impacto-da-chuva-na-cidade/. Acesso em: 18 jun. 2025.

CNN Brasil. São Paulo registrou pior condição de seca no Brasil em março. CNN Brasil, 23 abr. 2021. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sao-paulo-registrou-pior-condicao-de-seca-no-brasil-em-marco/. Acesso em: 18 jun. 2025.

G1. Chuva deixa o Rio em estágio de atenção. G1 — Rio de Janeiro, 7 fev. 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2023/02/07/chuva-deixa-o-rio-em-estagio-de-atencao.ghtml. Acesso em: 18 jun. 2025.

Ferreira, Fernando Marcolan. Mudanças, tendências e o processo de tropicalização dos climas subtropicais na Região Sul do Brasil: Uma revisão. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2024. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/264117/TCC_-_Fernando_Marcolan_Ferreira_.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 18 jun. 2025.

Guitarrara, P. Êxodo rural. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/exodo-rural.htm. Acesso em: 18 jun. 2025.

Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. [s.l.]: Companhia das Letras, 2021.

Krenak, A. Futuro ancestral. [s.l.]: Companhia das Letras, 2022.

Peron, A. C. Revolução Industrial: o que foi, causas e consequências. Disponível em: https://cursoenemgratuito.com.br/primeira-revolucao-industrial-o-inicio-do-mundo-industrializado/?gad_source=5&gad_campaignid=19898817016&gbraid=0AAAAADhnjTOeCQ4FHeXp2KnCPMPLa-RCs&gclid=EAIaIQobChMInYWO9pH5jQMVOWhIAB0OiS-KEAAYASAAEgJXPvD_BwE. Acesso em: 18 jun. 2025.

UFRGS Planetário. Segunda edição da Semana da Terra discute mudanças climáticas e seus impactos nas cidades. 2025. Disponível em: https://www.ufrgs.br/planetario/segunda-edicao-da-semana-da-terra-discute-mudancas-climaticas-e-seus-impactos-nas-cidades/. Acesso em: 18 jun. 2025.

UFRGS Notícias. Planetário promove debate com especialistas na Semana da Terra. 2025. Disponível em: https://www.ufrgs.br/site/noticias/planetario-promove-debate-com-especialistas-na-semana-da-terra/. Acesso em: 18 jun. 2025.

World Meteorological Organization (WMO). El Niño-linked rains trigger devastation in Brazil. WMO, 7 maio 2024. Disponível em: https://public.wmo.int/media/news/el-nino-linked-rains-trigger-devastation-brazil. Acesso em: 18 jun. 2025.

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#EVENTOS

 Semana da Terra inicia com debate sobre enchentes

Fotos: Izadora Leal Domingues
Edição: Luana Cruz

A 2ª Semana da Terra teve início no dia 3 de junho no salão do Planetário. O evento contou com palestra “Mudanças Climáticas e Extremos Hidrológicos: Impactos e Estratégias de Adaptação”, ministrada por Fernando Fan, doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental.  

Além da atividade, expositores enriqueceram a noite de terça-feira. Entre os destaques da feira, esteve a coleção de produtos do Planetário, lançada  em parceria com a loja Ponto UFRGS. A equipe de divulgação do Greenpeace Porto Alegre também participou, enriquecendo o evento com materiais e ações de conscientização ambiental. Além disso, outras quatro iniciativas marcaram presença: a Associação ContraPonto,  Mimos da Terra e Composteiras, Repense Bordados, e Ludere Ideias, além da Sociedade Astronômica Riograndense.

Apesar do tempo chuvoso, dezenas de pessoas se reuniram no Planetário para prestigiar a atividade. O evento teve seu término às 21h e contou com a presença da pró-reitora de extensão, Daniela Pavani, e de outras autoridades.A 2ª Semana da Terra continuará com mais dois dias de palestras. No dia 4 de junho, a doutora em sociologia ambiental, Lorena Fleury, será a palestrante, e no dia 5 de junho, o doutor em Geografia com ênfase em mudanças climáticas entre a Antártica e o Sul do Brasil, Francisco Aquino, encerrará as atividades no Planetário.

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#CORES DO PLANETÁRIO

Bem-vindo ao UFRGS Portas Abertas!

Edição: Luana Cruz

O ano de vestibular é um período de decisões importantes e, independente da idade, é comum que surjam  dúvidas sobre qual caminho seguir. A verdade é que as perguntas não acabam com a aprovação em uma universidade, elas apenas mudam. Por isso é essencial que os jovens se preparem para o vestibular, mas também para o que vem depois: a vida universitária.

O Estado do Rio Grande do Sul oferece diversas alternativas para o ingresso no ensino superior, no ano de 2022 eram 21 Universidades, 12 Centros Universitários, 97 Faculdades e três Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia. Apesar da finalidade comum entre as instituições, que visam contribuir com a produção científica e com uma formação de qualidade, é fundamental compreender as particularidades de cada instituição antes de fazer sua escolha.

Por esse motivo, o quinto texto da série Cores do Planetário destaca, neste mês de maio, a 22ª Edição do UFRGS Portas Abertas. O evento acontece no sábado, 17 de maio, em todos os campi de Porto Alegre e proporciona uma oportunidade única para a comunidade externa, escolas e vestibulandos conhecerem o ambiente da universidade, seus cursos, projetos e parceiros. 

Para compreender melhor a instituição, venha conhecer a história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).  

Há 130 anos, a UFRGS teve origem nas faculdades independentes de Porto Alegre. Em 1928, ficou conhecida como Universidade de Porto Alegre e posteriormente, recebeu o nome de Universidade do Rio Grande do Sul. Foi apenas na década de 1950 que foi federalizada, assumindo o nome atual.  

A instituição iniciou sua trajetória com a fundação da Faculdade de Farmácia e Química, e conta atualmente com 84 cursos de graduação divididos em oito áreas de atuação. 

Suas instalações na Capital são separadas entre quatro campi: o Campus Centro, o Campus Saúde, o Campus Olímpico e o Campus do Vale. Já no município de Tramandaí, a universidade está presente no Campus Litoral Norte, que não participa do evento no dia 17 de maio, e terá sua edição em outra data.

Em Porto Alegre, a atividade terá a duração de seis horas, nas quais  a comunidade pode participar de apresentações, visitas guiadas e atividades em conjunto com os estudantes universitários, técnicos e professores da UFRGS. Esses voluntários dispõe um sábado ao ano para responder dúvidas e mostrar a universidade pública através do olhar de quem já está inserido em sua comunidade. São essas as experiências compartilhadas que enriquecem a vida universitária ao estimular o desenvolvimento de vínculos e o amadurecimento dos estudantes. 

No ano de 2025, o Planetário Professor José Baptista Pereira participa do UFRGS Portas Abertas e contribui com o evento por meio de quatro atividades. A programação conta com diversos horários para facilitar a participação de visitantes interessados, iniciando às 9h e sequencialmente às 10h, 11h e 12h. As ações de integração são seguidas de sessões na Cúpula Ary Nienow, e foram desenvolvidas por quem já esteve no lugar dos vestibulandos: os estudantes bolsistas. 

Atualmente o Planetário recebe  diversos cursos, que auxiliam na construção de saberes dentro do ambiente pedagógico. Essa diversidade permite interações, como no relato de  Jennifer, que participou do UFRGS Portas Abertas no ano de 2019 e hoje estuda sua paixão: o bacharelado em física com ênfase em astrofísica.

No dia 17 de maio esperamos de portas abertas por você. 

Quando o sonho esbarra nas desigualdades

O Ministério da Educação (MEC) apontou, nos últimos anos, uma preocupação que impacta diretamente todos os setores da sociedade civil e do futuro do país: a queda no número de jovens à procura da formação no ensino superior.  De acordo com o Censo Demográfico realizado no ano de 2022, menos de 25% dos jovens entre 18 e 24 anos estão matriculados em universidades. A situação atinge um ponto alarmante quando  consideramos o abandono escolar na educação básica: 32,3% dos jovens nessa faixa etária não concluíram o ensino médio. 

Outro dado preocupante é que aproximadamente 75% das oportunidades de graduação ocorreram no setor privado, em sua maioria através da modalidade a distância, em que a legislação está em fase de desenvolvimento. A expansão no setor ocorre concomitante com o aumento nos valores de deslocamento, moradia e alimentação, em que parte dos jovens enfrenta dificuldades na manutenção da vida social. 

São justamente esses jovens, pressionados pelas dificuldades financeiras, que alcançam as vagas disponibilizadas no ensino remoto e reforçam uma estatística negativa: em 2024, a inadimplência no ensino superior privado alcançou a marca de 9,33%. Assim, torna-se inviável permanecer na vida acadêmica sem viver uma jornada dupla ou tripla.  Essa realidade impacta na saúde mental e física dos estudantes, que passam a viver uma rotina exaustiva. 

Presos em uma realidade que busca a alta produtividade econômica, muitos jovens perdem o que impulsionou os avanços sociais, científicos e culturais que cultivamos até aqui: seus sonhos. Sem pessoas dispostas a sonhar, pesquisar e desenvolver saberes qualificados, a universidade perde seu diferencial, marcado pela produção científica e de qualidade. Nesse processo, toda a sociedade sai perdendo — seja pela falta de sua principal energia transformadora, ou pela escassez de profissionais qualificados.

As políticas de permanência na universidade pública surgem, então, como espaço de acolhimento e resistência, fazendo com que o estudante encontre apoio e incentivo para continuar estudando. Mas como fazer com que esse jovem conheça seus direitos e tenha condições reais de permanecer dentro da universidade? Vamos apresentar algumas iniciativas disponíveis na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) é o órgão responsável por desenvolver ações e oferecer serviços que apoiam a permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade econômica na universidade. A PRAE atua em diversas áreas, como: 

  • Auxílios financeiros (via Programa de Benefícios PRAE);
  • Acompanhamento social e pedagógico;
  • Acolhimento e orientação psicológica;
  • Moradias estudantis;
  • Promoção da saúde;
  • Atendimento a estudantes com deficiência;
  • Bolsas de aperfeiçoamento;
  • Central do Aluno – TUAUFRGS;
  • Restaurantes Universitários (RUs).

Apesar de suas diversas iniciativas, o serviço mais conhecido é o Restaurante Universitário (RU). Em Porto Alegre, a UFRGS conta com seis unidades distribuídas pela cidade. Diariamente, esses espaços atendem milhares de pessoas e são um direito de todos os estudantes da universidade. Para os estudantes que recebem Bolsa PRAE, as refeições podem ser gratuitas, os demais membros da comunidade discente conseguem acessar os tíquetes do restaurante por 1 real e 30 centavos.  

Além dos processos gerais, que garantem os mesmos acessos a todos os estudantes, cada curso conta com sua própria Comissão de Graduação (COMGRAD). O papel de uma COMGRAD é supervisionar o ensino, organizar o currículo, definir horários, gerenciar matrículas, avaliar o desempenho e demais atividades com caráter educacional, que impactam diretamente a comunidade acadêmica. 

Os alunos também contam com os Diretórios Acadêmicos de cada área do conhecimento ou curso. Essas organizações são responsáveis por coletar demandas estudantis, representar os discentes e mediar o diálogo com as direções das unidades, as COMGRADs e o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Tanto os diretórios específicos, quanto o DCE atuam como vozes dos estudantes, defendendo seus interesses e fomentando espaços de participação dentro da universidade.

A universidade pública é mais do que um espaço de formação acadêmica, é o lugar onde os sonhadores  encontram  oportunidades. Em um país marcado por desigualdades, garantir o acesso aos espaços universitários não basta: é preciso garantir condições de permanência. Por meio de ações como o Portas Abertas e da atuação da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul busca melhorar esse período de decisões fundamentais dos jovens e contribuir para uma universidade mais acessível.

Conheça também:

A série de vídeos Meu Lugar na UFRGS apresenta histórias reais de estudantes da universidade, que relembram seus caminhos e desafios na trajetória até a conquista do diploma.

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Cores do Planetário

Cores do Planetário é uma série de textos destinada a explorar e debater temas de relevância social na atualidade. Todos os meses, um destes temas é abordado em nosso site e representado pelas cores das luzes que iluminam o Planetário durante a noite. 

Referências:

AGÊNCIA GOV. MEC busca garantir permanência de estudantes mais vulneráveis. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202410/mec-busca-garantir-permanencia-de-estudantes-mais-vulneraveis-1. Acesso em: 16 maio 2025.

CARRANO, Paulo Cesar Rodrigues; MARINHO, Andreia Cidade; OLIVEIRA, Viviane Netto Medeiros de. Trajetórias truncadas, trabalho e futuro: jovens fora de série na escola pública de ensino médio. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 41, p. 1439-1454, 2015.

CASTRO, Giovanna. UFRGS está entre as 10 melhores universidades da América Latina; USP volta a liderar ranking. GZH, 12 nov. 2024. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao/ensino-superior/noticia/2024/11/ufrgs-esta-entre-as-10-melhores-universidades-da-america-latina-usp-volta-a-liderar-ranking-cm3eydsri007d014rbixv31fv.html. Acesso em: 16 maio 2025

NEVES, C.; MORCHE, B.; ANHAIA, B. C. de. Educação superior no Brasil: acesso, equidade e as políticas de inclusão social. 2011.

PEDROSA, Rosana. Planejamento urbano deveria incluir estratégias para aproximar local da moradia de emprego. Brasil de Fato, 11 jul. 2024. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/colunista/observatorio-das-metropoles-nas-eleicoes-de-sao-paulo/2024/07/11/planejamento-urbano-deveria-incluir-estrategias-para-aproximar-local-da-moradia-de-emprego/. Acesso em: 16 maio 2025.

RAMOS, Marien. Aumento do preço do almoço fora de casa supera o do salário mínimo em cinco anos, diz pesquisa. CNN Brasil, 25 ago. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/aumento-do-preco-do-almoco-fora-de-casa-supera-o-do-salario-minimo-em-cinco-anos-diz-pesquisa/. Acesso em: 16 maio 2025.

SANTOS, Bettina Steren dos et al. Abandono acadêmico e contexto familiar frente à educação superior privada. VCLABES, Brasil, 2015.

SEMESP. Pesquisa de inadimplência. Disponível em: https://www.semesp.org.br/pesquisas/pesquisa-de-inadimplencia-2024/. Acesso em: 15 maio 2025.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis – PRAE. Disponível em: https://www.ufrgs.br/prae/. Acesso em: 16 maio 2025

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#CORES DO PLANETÁRIO Sem categoria

Cultivando raízes para um futuro melhor

Edição: Luana Cruz

No dia 19 de abril de 1940, ocorreu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, no México. A data demorou três anos para ser adotada no Brasil, sendo oficializada em 1943 como o “Dia do Índio”. Em 2022, o termo “índio” foi  substituído pela expressão “Dia dos Povos Indígenas”, que abrange de forma ampla e respeitosa as nações originárias das Américas. 

Apesar das controvérsias, o dia 19 de abril representa uma oportunidade para combater preconceitos contra esses povos; destacar sua relevância na formação cultural e ambiental do Brasil; e implementar políticas públicas que garantam seus direitos. Por isso, neste mês de abril, as cores do planetário representam a importância de valorizar os saberes milenares dos povos originários. 

“Estamos em todos os lugares, pois em tudo estão os nossos ancestrais […]”, assim estabelece o filósofo originário Ailton Krenak, em seu capítulo “Saudações aos Rios”, da obra Futuro Ancestral — um dos muitos textos de grande inspiração para o quarto episódio da série. 

Nhe’ẽ Porã, as boas palavras

No início do séc. XVI, a chegada dos colonizadores europeus no Brasil marcou negativamente o futuro das nações que povoavam o Pindorama — nome dado pelos povos originários ao território que hoje compreendemos como Brasil, e que significa Terra das Palmeiras. 

Mesmo nas décadas que antecederam a apropriação das terras indígenas e o processo de escravização dos povos, o impacto da vinda de estrangeiros se consolidou como um completo desastre. Tuberculose, varíola, malária, febre tifoide e sarampo foram apenas algumas das dezenas de doenças que assolaram os povos que aqui viviam. Segundo a Funai, estima-se que, em 1500, cerca de 3 milhões de indivíduos pertenciam à população total do território nacional. 

Além da pluralidade de grupos, que em grande maioria habitavam as costas brasileiras, também existiam diferentes regionalidades e dialetos. O Pindorama contemplava mais de mil línguas, com construções capazes de abrigar centenas de pessoas de uma única vez e a sabedoria para desenvolverem suas aldeias enquanto nutriam a terra e fomentavam a vida no meio ambiente.

Nhe’ẽ porã significa “as boas palavras” em tupi e, aqui, representam os ensinamentos transmitidos por meio da oralidade por todos os povos. De norte a sul, as mais diversas nações cresceram e se desenvolveram em sociedades complexas, carregando por milênios o futuro do planeta. Na Amazônia, construíram a maior floresta tropical do mundo e nutriram no solo a base para os rios flutuantes que deságuam em chuva no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. 


A água que chega ao Rio Grande do Sul, vinda da Floresta Amazônica,  encontra o bioma Pampa. Os vastos campos que hoje abrigam a agricultura e a pecuária já foram cultivados pelos Charrua, povo que era dominante na região e migrou pelo território gaúcho respeitando os ciclos da terra, evitando o desmatamento e a monocultura. 

Iniciando com a chegada dos invasores, a lógica europeia extrativista rompe com o equilíbrio entre pessoas e habitats há mais de 500 anos. A ocupação violenta das terras indígenas caracterizaram um modelo de exploração intenso, culminando no extermínio de linhagens e na destruição de diversos ecossistemas por todo o território. 

Hoje, mesmo após os avanços científicos e a incidência de eventos climáticos extremos, nos deparamos com desafios na preservação ambiental e no reconhecimento dessas populações e de suas culturas, uma herança histórica da formação do Brasil. Por meio de escravidão, estupro e assassinato, os povos originários foram reduzidos e marginalizados, em um processo de tentativa de apagamento. 

Remanescentes do período colonial, cultivaram ao longo da vida os conhecimentos passados pelos seus ancestrais de forma oral, garantindo a continuidade de suas tradições através da linguagem. Além dos saberes, imprimiram pela cultura brasileira marcas de sua existência. Açaí, arara, caatinga, capim, capivara, carioca, curitiba, gororoba, guaraná, ipanema, ipiranga,  ipê, jacaré, mingau, pipoca, piranha, sabiá e urubu. Essas são apenas algumas das palavras que usamos em nosso dia a dia e que deveriam nos lembrar da verdadeira cultura brasileira, a dos povos que já viviam aqui. 

Em 2022, existiam no Brasil um 1.693.535 pessoas autodeclaradas indígenas. Esse número representa apenas 0,83% da população brasileira — parcela que, de acordo com o Censo Demográfico de 2010, preserva 274 línguas e 305 etnias. Esses povos estão distribuídos em maior proporção pelas regiões Norte e Nordeste, mas têm presença em todos os cantos do território. O estado do Rio Grande do Sul é conhecido por três grupos étnicos predominantes: os Guarani, os Kaingang e os Charrua.


Segundo a Política Nacional da Biodiversidade, instituída em 2002, é fundamental implementar ações que atendam as demandas das populações indígenas e quilombolas, assim como das comunidades locais, garantindo a sustentabilidade dos recursos em seus territórios e contribuindo para o desenvolvimento econômico e social.  

Em entrevista publicada em junho de 2018, a gaúcha Iracema Nascimento, uma kujá (xamã) kaingang, comentou sobre a importância do reconhecimento desses saberes em todos os espaços, citando principalmente a universidade, como lugar de criação e difusão de conhecimento. 

Nos nomes dos lugares, na relação com o solo, nas palavras pelas quais se expressam e que resistem, o manejo da terra e cuidado com a natureza é mais que uma ideologia, é um estilo de vida. Essa presença, muitas vezes invisibilizada, é parte fundamental da identidade brasileira.

Reconhecer seus direitos e suas histórias é uma urgência no Brasil atual. Com a perda da biodiversidade e a crise climática, resgatar o aprendizado e valorizar a vida de quem vive em equilíbrio com o ecossistema é o melhor caminho para cultivar raízes e garantir para todos um futuro melhor. A conscientização deve começar nos espaços de construção do saber. 

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Cores do Planetário

Cores do Planetário é uma série de textos destinada a explorar e debater temas de relevância social na atualidade. Todos os meses, um destes temas é abordado em nosso site e representado pelas cores das luzes que iluminam o Planetário durante a noite. 

Referências:

Brasil registra 274 línguas indígenas diferentes faladas por 305 etnias. Disponível em: <https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2022-02/brasil-registra-274-linguas-indigenas-diferentes-faladas-por-305-etnias>. Acesso em: 22 abr. 2025.

CORREA, R. C. F. Indígenas. Disponível em: <https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/populacao/22326-indigenas-2.html>. Acesso em: 20 abr. 2025.

DECRETO No 4.339, DE 22 DE AGOSTO DE 2002. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/d4339.htm>. Acesso em: 20 abr. 2025.

Demarcação. Disponível em: <https://www.gov.br/funai/pt-br/atuacao/terras-indigenas/demarcacao-de-terras-indigenas>. Acesso em: 16 abr. 2025.

FERNANDES, C. Os nomes do Brasil. Disponível em: <https://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/nomes-do-brasil.htm>. Acesso em: 9 abr. 2025.

Futuro ancestral – Ailton Krenak – Grupo Companhia das Letras. Disponível em: <https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211548/futuro-ancestral?srsltid=AfmBOoohUO0RXjfAkOu57ksho58UjBCip5cPHy_i_mzzGlooZqQcQq6zi-k>. Acesso em: 09 abr. 2025.

GUAZZELLI, M. Genocídio indígena: entenda os riscos e preocupações que a população nativa do Brasil enfrenta. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/humanista/2021/09/24/genocidio-indigena-entenda-os-riscos-e-preocupacoes-que-a-populacao-nativa-do-brasil-enfrenta/>. Acesso em: 17 abr. 2025.

IBGE. Território brasileiro e povoamento: história indígena. Disponível em: <https://brasil500anos.ibge.gov.br/territorio-brasileiro-e-povoamento/historia-indigena.html>. Acesso em: 9  apr. 2025.

MARÉCHAL, C. “Entrevista Com Iracema Ga Rã Nascimento.” Espaço Ameríndio, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2018. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EspacoAmerindio/article/view/74682/48712 . Acesso em: 9 abr. 2025

MOREIRA, S. O que podemos aprender com a arquitetura indígena? Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/927142/o-que-podemos-aprender-com-a-arquitetura-indigena>. Acesso em: 16 abr. 2025.

NEIVA, L. Como colonizadores infectaram milhares de índios no Brasil com presentes e promessas falsas. BBC, 20 Jul. 2020.

SALUM, L.Para Ailton Krenak, crise não é só climática, é de uma sociedade ‘estragada’ pela ‘monocultura de tudo.’ Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/podcast/bem-viver/2024/05/15/para-ailton-krenak-crise-nao-e-so-climatica-e-de-uma-sociedade-estragada-pela-monocultura-de-tudo/>. Acesso em: 19 abr. 2025.

Portal da Câmara dos Deputados. Legislação Informatizada – DECRETO Nº 4.339, DE 22 DE AGOSTO DE 2002 – Publicação Original. Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2002/decreto-4339-22-agosto-2002-481345-publicacaooriginal-1-pe.html>. Acesso em: 17 apr. 2025.

PRUDENTE, L. T. Arquitetura Mbyá Guarani na Mata Atlântica do Rio Grande do Sul : estudo de caso do Tekoá Nhüu Porã. 2007.

Quem São. Disponível em: <https://www.gov.br/funai/pt-br/atuacao/povos-indigenas/quem-sao>. Acesso em: 17 abr. 2025.

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#CORES DO PLANETÁRIO

Cada gota conta: mudanças climáticas e seus impactos na crise hídrica

Edição: Luana Cruz

No dia 22 de março é comemorado o Dia Mundial da Água, data instituída em 1993 pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do acesso à água potável. Além da comemoração, o 6º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, contempla dois dos principais desafios  enfrentados pelo Brasil: a falta de acesso à água potável e a precariedade dos sistemas de saneamento básico. Em 2025, o Dia da Água terá como tema central das comemorações a preservação das geleiras, ressaltando a importância de combater as mudanças climáticas e reduzir seus impactos no planeta. 

Um Recurso Indispensável

A superfície da Terra apresenta em sua composição total 70% de água, desses, apenas 3% são constituídos por água doce. Presente no corpo humano, constitui mais de 60% do organismo, sendo responsável por dissolver vitaminas e minerais e possibilitar reações químicas, fazendo parte da formação celular. Além de suas funções internas, o elemento está ligado diretamente à manutenção da dignidade humana. Desde a higiene pessoal, a limpeza de ambientes, o preparo de alimentos e o autocuidado, a água é  indispensável para garantir uma vida de qualidade. Em segmentos econômicos, como diversos setores da indústria e agropecuária, seu uso também é essencial. Ao total, cerca de 93 trilhões de litros de água são gastos anualmente.

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)

Apesar de sua importância, a ONU estima que 2,2 bilhões de pessoas em todo o mundo ainda não possuem acesso à água potável. O Brasil é o país detentor da maior reserva de água doce do Planeta Terra, com cerca de 12% do total mundial, apesar disso, esse cenário de precariedade afeta 15,08% da população, correspondendo a mais de 32 milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade. Essa realidade tende a se agravar diante dos eventos climáticos extremos, que impactam diretamente a disponibilidade e a qualidade da água.

Você já deve ter se perguntado “Como o país detentor da maior reserva de água doce do mundo enfrenta desafios no acesso desse recurso?” Quando falamos sobre a distribuição de água, diversos fatores são determinantes. A extensão territorial do Brasil, com seus diferentes climas e biomas, o mau funcionamento de usinas e reservatórios, os períodos de secas e enchentes, intensificadas pelas mudanças climáticas, e a falta de planejamento urbano são alguns fatores que contribuem para a precariedade nas condições de vida da população. 

Diante dessas dificuldades, a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), concebida através da Lei nº 9.433, de 8 de janeiro 1997, estabeleceu em 2006 o Plano Nacional de Recursos Hídricos. Através do plano, são definidas ações para serem desenvolvidas em três níveis: nacional, estadual e de bacia hidrográfica. Além dos níveis de atuação, as medidas buscam alcançar três objetivos: melhorar as disponibilidades hídricas; reduzir os conflitos reais e potenciais em relação ao uso da água; e conservar a água conscientizando sobre sua importância.

Preservar as geleiras é o tema principal para o Dia da Água em 2025 

Segundo o cientista atmosférico especializado em pesquisa da neve, Andrew  Schwartz, cerca de 1,9 bilhão de pessoas dependem da formação de reservatórios naturais de água doce em montanhas. Esse fenômeno, presente em diversos países, ocorre em razão da formação dos mantos de neve e gelo em áreas de maior altitude. Durante o processo, a água retida na superfície derrete lentamente e promove a hidratação do solo, rios, nascentes e demais zonas aquíferas. 

Estima-se que 50% da água doce que chega a rios, lagos e córregos está retida em geleiras e montanhas. Por conta do aquecimento global, esses reservatórios e as geleiras, têm sofrido com o aumento das temperaturas, mudança que impede a formação da neve e dos reservatórios naturais de água doce nas montanhas. A ação vem forçando a liberação da água retida nas plantas para umedecer o solo frente às altas temperaturas e influencia no ressecamento das espécies, o que pode contribuir para a ocorrência de incêndios florestais. 

A água é um recurso vital, não apenas para a sobrevivência humana, mas também para o desenvolvimento sustentável dos territórios. A conscientização sobre seu uso responsável deve ser aliada à implementação de políticas públicas eficientes. O trabalho conjunto entre a sociedade civil e os órgãos públicos é essencial para garantir que todos tenham acesso a esse bem indispensável. No mês de março, junte-se ao planetário para promover a conscientização sobre o nosso bem mais precioso: a água.

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Cores do Planetário

Cores do Planetário é uma série de textos destinada a explorar e debater temas de relevância social na atualidade. Todos os meses, um destes temas é abordado em nosso site e representado pelas cores das luzes que iluminam o Planetário durante a noite. 

Referências:

BRK. Crise hídrica: entenda as principais causas da escassez de água. Disponível em: <https://blog.brkambiental.com.br/escassez-de-agua/>. Acesso em: 11 mar. 2025.

DE MENEZES OLIVO, Andréia; ISHIKI, Hamilton Mitsugu. Brasil frente à escassez de água. In: Colloquium Humanarum. ISSN: 1809-8207. 2014. p. 41-48.

GOMES, Marco Antônio Ferreira. Água: sem ela seremos o planeta Marte de amanhã. Embrapa Meio Ambiente, mar, 2011.

HOBSON, M. You’re not imagining it—winters are getting warmer. National geographic, 28 Feb. 2024.

PAINEL SANEAMENTO BRASIL. A água transforma. Disponível em: <https://www.painelsaneamento.org.br/?utm_source=Banner+Website+Trata+Brasil&utm_medium=Website+-+Trata+Brasil>. Acesso em: 11 mar. 2025.

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RANDALL, C. This 50-year project follows the impacts of the Cascades’ melting glaciers. National geographic, 13 Oct. 2021.

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