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#CORES DO PLANETÁRIO

Por um mundo diverso e inclusivo 

Edição: Luana Cruz

De acordo com o Censo de 2022, cerca de 14,4 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência. No Rio Grande do Sul, são 772.077 pessoas, o que corresponde a 7,2% da população do estado. Esses números reforçam a importância de políticas públicas que garantam inclusão e oportunidades.

A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, criada em 1963 e prevista na Lei nº 13.585/2017, acontece todos os anos entre os dias 21 e 28 de agosto. Em 2025, o tema escolhido reforça esse compromisso: “Deficiência não define, oportunidade transforma”.

Por isso, no oitavo texto da série Cores do Planetário, vamos tratar de um tópico essencial para que algumas dessas deficiências sejam percebidas, um recurso que garante o acesso a direitos e a participação social dessas pessoas em todos os espaços: o diagnóstico.

Diagnóstico: a chave para o cuidado

A palavra deficiência tem origem no latim, deficientia, que significa “falta”. No português brasileiro, entretanto, ganhou sentidos mais amplos: não se refere apenas a uma ausência, mas a uma condição que pode ser temporária ou permanente e que impacta a realização de determinadas funções.

O conceito de deficiência, quando relacionado às pessoas, é vasto e diverso, abrangendo barreiras que podem limitar a participação plena de um indivíduo na sociedade. Algumas são mais visíveis, como as deficiências físicas ou sensoriais: mobilidade reduzida, cegueira, baixa visão e surdez. Outras, porém, são menos perceptíveis: deficiências intelectuais, que afetam o funcionamento intelectual e o comportamento adaptativo; múltiplas, que combinam duas ou mais condições; psicossociais, relacionadas à saúde mental; e de comunicação, que impactam a fala e a linguagem

Apesar dos avanços científicos e sociais, muitos estereótipos marcam a forma como as Pessoas com Deficiência (PcDs)  são vistas. O diagnóstico, nesse contexto, ajuda a desconstruir preconceitos, mostrando que cada pessoa apresenta singularidades, habilidades e necessidades de apoio diferentes.

Mais do que um processo de autoconhecimento, o diagnóstico é também a chave para acessar direitos. No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência assegura condições de igualdade, participação social e autonomia, como o acesso a ambientes públicos, a educação inclusiva e a participação política. Já o Decreto nº 7.611/2011 garante o direito ao atendimento educacional especializado.

Esses acessos ocorrem através do laudo, documento oficial que permite, por exemplo, solicitar as adaptações em sala de aula, acessar benefícios sociais e  participar das políticas de cotas no mercado de trabalho. Claro que, além da comprovação da necessidade específica, é preciso observar também as peculiaridades de cada indivíduo. Cada deficiência se apresenta de um jeito e cada pessoa é única dentro das próprias capacidades e limitações. 

Quando falamos de pessoas, sempre, ou quase sempre, lidamos também com uma questão primordial: as expectativas. Essa palavra-chave permeia nossa vida cotidiana e está presente em lugares que nem imaginamos. Por meio delas, criamos e projetamos nossos maiores desejos, além da visão de quem somos e de quem queremos ser. Mas como reagir quando o ideal esbarra nos estereótipos? Esse foi o desafio que Daniel*. encontrou ao receber o diagnóstico de autismo no início de 2022.

Segundo ele, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) veio em um momento turbulento. Em menos de um ano recebeu o diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), deu início ao Trabalho de Conclusão de Curso na graduação e, em seguida, obteve o laudo comprovando o Transtorno do Espectro Autista.

“Foi um processo até eu conseguir conciliar a imagem do transtorno, o TEA, com a imagem que eu tinha de mim mesmo.” Durante meses, uma pergunta se repetia: “Será que as outras pessoas me enxergam da mesma forma que eu tenho essa visão estereotipada? Elas me percebem da mesma forma com a qual eu me vejo?”

A experiência de Daniel* após o diagnóstico e o acesso à terapia desmistificou muitos preconceitos e representou um dos propósitos do laudo, a autocompreensão: “Hoje, acontece uma coisa que parece desesperadora e eu já sei muitas vezes que pode ser o meu cérebro tirando de proporção”. E completou citando: “Eu sinto que sou uma pessoa mais feliz depois do diagnóstico”.

Olhares diversos iluminam o Planetário

O Planetário estabeleceu, entre seus objetivos para 2025, a formação voltada a práticas de acessibilidade. Desde maio, desenvolvemos ações para a construção de uma consciência social e coletiva de inclusão e acessibilidade universal, buscando ampliar o acolhimento de pessoas com deficiência e de pessoas com necessidades educacionais especiais. É necessário que essas populações estejam presentes nas atividades de extensão universitária, como parte da comunidade interna e externa.

Para isso, ao longo de 8 meses, a equipe participou de diversas atividades, como o Seminário Pró-cultura Acessível, encontros com familiares de crianças atípicas e realizou uma capacitação interna. Além disso, desenvolvemos materiais que estão em fase de produção, como a prancha de comunicação alternativa, a caixa lúdica do Sistema Solar e as constelações táteis, elaboradas em parceria com o professor Eduardo Cardoso, do grupo de comunicação acessível   (ComAcesso). Além dessas atividades, os bolsistas do Planetário concluíram o curso “Atenção à Pessoa com Deficiência: Abordagem com Cidadania”, promovido pela Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades (FADERS). 

Foto: Planetário Professor José Baptista Pereira

Nesta terça-feira, 26 de agosto, coordenamos uma atividade inclusiva em parceria com a FADERS, composta por uma sessão na cúpula e uma oficina educativa, oferecida para grupos previamente definidos. Pretendemos incorporar essas atividades inclusivas nos atendimentos realizados no Planetário ao longo de 2026.  

*o nome e os dados foram alterados para preservar a identidade do entrevistado

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Cores do Planetário

Cores do Planetário é uma série de textos destinada a explorar e debater temas de relevância social na atualidade. Todos os meses, um destes temas é abordado em nosso site e representado pelas cores das luzes que iluminam o Planetário durante a noite. 

Referências: 

BAZON, Fernanda Vilhena Mafra; CAMPANELLI, Eloísa Amicucci; BLASCOVI-ASSIS, Silvana Maria. A importância da humanização profissional no diagnóstico das deficiências. Revista Psicologia: Teoria e Prática, v. 6, n. 2, p. 89-99, 2004.

BRASIL. Censo 2022: Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência. Agência de Notícias IBGE, 23 maio 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43463-censo-2022-brasil-tem-14-4-milhoes-de-pessoas-com-deficiencia. Acesso em: 26 ago. 2025.

BRASIL. Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 18 nov. 2011.

DE ANDRADE, Izabel Cristina Feijó; BRITO, Josiane Vieira. A importância do diagnóstico precoce de autismo na educação infantil. Revista GepesVida, v. 8, n. 18, 2022.

VICENTIN, Paolla Mangueira et al. A importância do trabalho na construção da identidade de pessoas com deficiência. Revista Laborativa, v. 10, n. 1, p. 118-143, 2021.