CARIMBO: 01/11/2024 10:06 am

CEAC – Centre d’Étude des Arts Contemporains

COORDENADOR(ES):
Sophie Proust
Universidade :
INSTITUIÇÕES FINANCIADORAS:

Université de Lille – Centre d’études des arts contemporains

Título da pesquisa:

Teatro e pobreza: um tema de pesquisa difícil

RESUMO:

Essa pesquisa específica sobre a relação entre pobreza e performance suscitou muitas questões, questionando as metodologias habituais e me confrontando, como pesquisadora, com impasses e paradoxos, até encontrar respostas na obra de Guillaume le Blanc, Vies ordinaires, vies précaires (Vidas ordinárias, vidas precárias), publicada pela editora Seuil, em 2007. Seu ponto alto é ter demonstrado que “as vidas pobres são contadas pelas palavras dos outros, não pertencem a si mesmas, são despojadas”, como o autor indicou na abertura do Colóquio Internacional “Da pobreza. Histórias, representações e artes”, organizado pela Universidade Paris Nanterre e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na Universidade Paris-Nanterre, em 27 de fevereiro de 2024. A questão da mediação tornou-se então fundamental para refletir sobre como a palavra do pobre pode ser expressa pelo próprio pobre, neste caso, por meio do teatro.

Três pontos fortes foram objeto de nossa atenção para tratar dessa relação entre pobreza e performance.

  • Condenação da aceitação do relato do pobre como tendo apenas valor de testemunho: a questão do mediador
    Concordamos plenamente com Guillaume le Blanc quando ele condena firmemente a aceitação do relato do pobre como se tivesse apenas valor de testemunho, como se o próprio pobre não tivesse capacidade de analisar sua situação. Daí surge uma questão sobre o mediador no teatro, (por exemplo, o diretor), quando se trata de abordar a pobreza no palco: com quais atores, quais autores e com que finalidade, diante de qual público?
  • O feminicídio como conceito de “pobreza universal”
    Apresento o conceito de “pobreza universal” para falar sobre os feminicídios através de gestos artísticos, performáticos e políticos que os denunciam. De fato, o feminicídio é uma representação da pobreza como desapropriação total; essa pobreza absoluta me permite propor esse conceito de “pobreza universal”: a pobreza da mulher que ficará em silêncio para sempre, a pobreza daquele que comete o ato, despojado de toda humanidade, independentemente de sua posição social.
  • Relatório da realização de um workshop com e para mulheres migrantes alojadas num centro de acolhimento na França
    Este workshop foi especialmente concebido com uma metodologia que permite uma arte interna e não exógena, de modo a não privar as participantes das suas próprias narrativas e análises, aderindo assim ao discurso de Guillaume le Blanc na conferência acima mencionada: “O pobre é, portanto, antes de tudo aquele que é privado de todo o conhecimento, de todas as narrativas, de todas as imagens, de tal forma que, obviamente, em contraponto, trazer de volta as narrativas dos pobres, as imagens, as artes, as práticas – não uma prática de arte exógena, mas uma prática de arte interna – é algo absolutamente fundamental”.

REALIZAÇÃO E FINANCIAMENTO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

Av. Paulo Gama, s/n – prédio 12.201 – sala 729 – Bairro Farroupilha – CEP 90.046-900 – Porto Alegre/RS – Brasil
Telefone: +55 (51) 3308-4142 – E-mail: gilbertoicle@gmail.com

enfrpt
STAMP: 01/11/2024 10:06 am

CEAC – Centre d’Étude des Arts Contemporains

COORDINATOR(S):
Sophie Proust
UniversiTY :
FINANCING INSTITUTIONS:

Université de Lille – Centre d’études des arts contemporains

Research Title:

Theater and poverty: a difficult subject of research

This specific research on the relationship between poverty and performance raised many questions, challenging conventional methodologies and confronting me as a researcher with dead ends and paradoxes, until I found answers in Guillaume le Blanc’s book, Vies ordinaires, vies précaires (Ordinary Lives, Precarious Lives), published by Seuil in 2007. Its highlight is to have demonstrated that “poor lives are told through the words of others, do not belong to themselves, are dispossessed,” as he indicated at the opening of the international conference “De la pauvreté. Histoires, représentations et arts” (Poverty: Stories, Representations, and Arts), organized by the University of Paris Nanterre and the Universidade Federal do Rio Grande do Sul, at the University of Paris-Nanterre on February 27, 2024. The question of mediation then became fundamental to consider so that the voice of the poor could be expressed by the poor, in this case through theater.

Three key points were the focus of our attention in addressing this relationship between poverty and performance:

  • Condemnation of Accepting the Poor Person’s Account as Merely Testimony: The Question of the Mediator
    We fully agree with Guillaume Le Blanc’s strong condemnation of accepting the account of the poor person as merely testimony, as if the poor person were incapable of analyzing their own situation. This raises questions about the role of the mediator in theater, such as the director, when addressing poverty on stage: Which actors and authors will be involved, and what is the purpose and intended audience?
  • Femicide as a concept of “universal poverty”
    I propose the concept of “universal poverty” to discuss femicide through artistic, performative, and political acts that denounce it. Indeed, feminicide is a representation of poverty as total dispossession; this absolute poverty allows me to propose this concept of “universal poverty”: the poverty of the woman who will remain silent forever, the poverty of the perpetrator, dispossessed of all humanity, regardless of his social status.
  • Report on a workshop with and for migrant women living in a shelter in France
    This workshop was specially designed using a methodology that encourages internal rather than external art, so as not to deprive participants of their own stories and analyses, in line with Guillaume le Blanc’s comments at the conference mentioned above: “The poor are therefore first and foremost those who are deprived of all knowledge, all narratives, all images of such kinds that, obviously, as a counterpoint, bringing back the narratives of the poor, the images, the arts, the practices—not an exogenous art practice but an internal art practice—is something absolutely fundamental.”

IMPLEMENTATION AND FINANCING

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

Av. Paulo Gama, s/n – prédio 12.201 – sala 729 – Bairro Farroupilha – CEP 90.046-900 – Porto Alegre/RS – Brasil
Telefone: +55 (51) 3308-4142 – E-mail: gilbertoicle@gmail.com

TIMBRE : 01/11/2024 10:06 am

CEAC – Centre d’Étude des Arts Contemporains

COORDONNATEUR(S) :
Sophie Proust
Université :
INSTITUTIONS DE FINANCEMENT :

Université de Lille – Centre d’études des arts contemporains

Titre de la recherche :

Théâtre et pauvreté : un difficile objet de recherche

Cette recherche spécifique sur la relation entre pauvreté et performance a suscité bien des interrogations, bousculant les méthodologies habituelles et me confrontant comme chercheuse à des impasses et paradoxes, jusqu’à trouver des réponses dans l’ouvrage de Guillaume le Blanc, Vies ordinaires, vies précaires, paru au Seuil, en 2007. Son point d’orgue est d’avoir démontré que « les vies pauvres sont racontés par les mots des autres, ne s’appartiennent pas, sont dépossédées » comme il l’a indiqué en ouverture du Colloque international « De la pauvreté. Histoires, représentations et arts », organisé par Université Paris Nanterre et l’Universidade Federal do Rio Grande do Sul, à l’Université Paris-Nanterre, le 27 février 2024. La question de la médiation est alors devenue fondamentale à réfléchir afin que la parole du pauvre soit exprimée par le pauvre, par le biais du théâtre ici.

Trois points forts ont fait l’objet de notre attention pour traiter cette relation entre pauvreté et performance.

  • Condamnation de l’acceptation du récit du pauvre comme unique valeur de témoignage : la question du médiateur
    On rejoint pleinement ici Guillaume le Blanc lorsqu’il condamne fermement l’acceptation du récit du pauvre que lorsqu’il aurait valeur de témoignage, comme si le dit pauvre n’avait pas lui-même la capacité d’analyser sa situation. D’où une interrogation sur le médiateur dans le théâtre par exemple (le metteur en scène) quand il est question d’aborder la pauvreté sur scène, avec quels acteurs, quel(s) auteur(s) et à quelle finalité, devant quel public ?
  • Le féminicide comme concept de « pauvreté universelle »
    J’avance le concept de « pauvreté universelle » pour parler des féminicides avec les gestes artistiques, performatifs et politiques qui les dénoncent. En effet, le féminicide est une représentation de la pauvreté comme dépossession totale ; cette pauvreté absolue m’autorise à proposer ce concept de « pauvreté universelle » : pauvreté de celle qui se taira à jamais, pauvreté de celui qui commet l’acte, dépossédé de toute humanité, quel que soit lui aussi son rang social.
  • Compte rendu de la réalisation d’un atelier avec et pour des femmes migrantes hébergées dans un foyer en France
    Cet atelier a été spécialement conçu avec une méthodologie permettant un art interne et non exogène afin de ne pas déposséder les participantes de leurs propres récits et analyses en adhérant ainsi au propos de Guillaume le Blanc lors de la conférence mentionnée plus haut : « Le pauvre est donc d’abord celui qui est dépossédé de tous les savoirs, de tous les récits, de toutes les images de telles sortes qu’évidemment en contrepoint faire revenir les récits des pauvres, les images, les arts, les pratiques – non pas une pratique d’art exogène mais une pratique d’art interne – c’est quelque chose d’absolument fondamental ».