
Seminário de Pesquisa 08/04
Ocorrerá no dia 08/04/2026, quarta-feira, às 14h na sala 401 A – FCE, o Seminário de Pesquisa “Investimento público e investimento privado no Brasil: complementaridade ou substituição? Evidências empíricas recentes.”, na área de Economia Aplicada, ministrado pelo Prof. Carlos Gilbert Conte Filho (UFRGS).
Resumo:
O seminário discute a relação entre investimento público e investimento privado na economia brasileira, com foco no debate entre os efeitos de complementaridade (crowding-in) e substituição (crowding-out). Partindo das especificidades das economias emergentes – como restrições de crédito, incerteza macroeconômica e carências estruturais –, a análise busca compreender em que medida o investimento público atua como indutor ou como competidor do investimento privado. Com base em três abordagens empíricas complementares, a apresentação reúne evidências robustas para o caso brasileiro. Em primeiro lugar, resultados obtidos por meio de modelos VAR e VECM indicam que, no longo período (1971–2019), o investimento público exerce predominantemente um efeito de complementaridade, sobretudo quando direcionado à infraestrutura. Em segundo lugar, uma análise setorial via modelos SVAR revela que esse efeito é heterogêneo, sendo mais intenso em setores como saneamento e energia, caracterizados por fortes encadeamentos produtivos e externalidades positivas. Por fim, evidências baseadas em um modelo DSGE sugerem que essa relação é dinâmica: choques de investimento público geram efeitos de crowding-in no curto prazo, mas podem se converter em crowding-out no longo prazo, em função de restrições fiscais, da resposta da política monetária e de custos de ajuste. Ao integrar diferentes metodologias e horizontes temporais, o seminário oferece uma visão abrangente dos mecanismos pelos quais o investimento público influencia a acumulação de capital privado no Brasil. Os resultados possuem implicações diretas para o desenho de políticas públicas, destacando a importância da composição do gasto, da coordenação macroeconômica e da priorização de investimentos em infraestrutura estratégica.
