A adoção do sistema Last Planner

Planejar a execução de uma obra é algo que, embora trabalhoso, resulta em inúmeros benefícios, diminuindo desperdícios de tempo, de material e de dinheiro. Dentre as ferramentas utilizadas para o planejamento de uma obra, existe o sistema Last Planner (Ballard and Howell, 1994)[1]. O trabalho do aluno Dany Delfim Silbermann, realizado em 2017, analisa como o Last Planner poderia contribuir para a obra acompanhada.

O empreendimento foi realizado por uma empresa que executa edificações comerciais e residenciais em áreas nobres, com filiais em duas cidades gaúchas. A obra em questão era um edifício residencial. No caso, o plano de execução do empreendimento em longo prazo não era compartilhado com todos, causando possíveis dificuldades no entendimento da obra como um todo. O plano de médio prazo era inexistente, enquanto que o planejamento de curto prazo era mal-organizado, com reuniões informais sem documentação.

O sistema Last Planner divide o planejamento em três categorias: longo, médio e curto prazo. Propõe maior horizontalidade no sistema de organização da obra, uma vez que os funcionários têm acesso ao processo de planejamento, proporcionando mais transparência e comunicação, aumentando a eficiência. A longo prazo, define o escopo do projeto: usos, público-alvo, sítio, programa de necessidades, além da orçamentação e do prazo propostos para a obra. Analisa também o caminho crítico, ou seja, define as etapas necessárias a fim de concluir as atividades no prazo. Além disso, define atividades suplentes que não dependem umas das outras, de modo que a ociosidade seja evitada. Para o curto prazo, o aluno propôs rotinizar as reuniões semanais (definir um turno específico para elas) e incluir as equipes no processo de planejamento.

Ademais, o aluno defendeu a ideia dos 5 sensos[2] para a otimização do processo. O primeiro, organização, implica em reduzir desperdícios, eliminando tarefas que não agregam valor. O segundo, arrumação, significa redefinir o layout do canteiro, posicionando os elementos estrategicamente, diminuindo, por exemplo, atividades de transporte. O próximo senso, limpeza, ajuda a evitar certas atividades desnecessárias, priorizando o não sujar para não precisar limpar posteriormente – por exemplo, descartar o resíduo corretamente no primeiro momento evita que ele precise ser separado mais tarde. O asseio, quarto senso, mantém padrões de bem-estar dos trabalhadores, frisando o uso de equipamentos de proteção individual e coletiva e a manutenção da higiene. O último senso, a disciplina, defende a ética de trabalho, mantendo a assiduidade, o respeito e a moral como essenciais a uma boa execução de obra.

Matéria elaborada pela monitora Ana Carolina Voelcker a partir de pesquisa e imagens do aluno Dany Delfim Silbermann em 2017/1.

[1] Ballard, G. and Howell, G. (1994) Implementing lean construction: stabilizing work flow, Proceedings of the 2nd Annual Meeting of the International Group for Lean Construction, Santiago, Chile. (Available in Lean Construction, A.A. Balkema Publishers, Rotterdam, Netherlands, 1997, pp. 101 – 110.)

[2] O Programa 5 S’s tem sua origem no Japão, quando em Maio de 1950, o professor Kaoro Ishikawa apresenta um método para combater o desperdício, e ajudar o país destroçado pela guerra, e sem recursos naturais (fonte: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/administracao/origem-do-programa-5s-s/55167)