Em qualquer tipo de obra, qualquer erro de planejamento pode acarretar consequências muito maiores do que as previstas anteriormente. Na obra analisada pela aluna Beatriz Ferreira – um prédio residencial de 30 unidades – foi utilizado o software MS Project para planejamento e gerenciamento da obra. Este software é um dos mais populares programas de gerenciamento e permite a criação de cronogramas (imagem 1), dentre outras ferramentas, para que haja um melhor controle das atividades empregadas. O planejamento deve ser constantemente atualizado para acomodar imprevistos e alterações.
O MS Project possibilita a integração das informações da gestão da qualidade e do planejamento. Por exemplo, na obra analisada, as informações obtidas por CQEs (planilhas de controle de qualidade da execução dos serviços) e FENs (planilhas de conferência das atividades em campo) eram alinhadas ao PPC (plano de pacotes de curto prazo), que é o cronograma semanal, para realizar uma análise mensal do andamento da obra. Com essas informações, pode ser realizado um Look Ahead – isto é, o planejamento de médio prazo que possibilita uma análise antecipada de etapas futuras. Isso pode auxiliar em uma melhoria contínua dos processos da obra (ciclo PDCA), facilitando o trabalho de todos os envolvidos (imagem 2).
Muitos empreendimentos residenciais oferecem a possibilidade de personalização de apartamentos antes da conclusão da obra, evitando desperdícios e agilizando a construção; por exemplo, não construindo paredes que serão removidas no projeto personalizado do cliente. Nesta obra havia a possibilidade de personalização; contudo, a falta de prazos para a definição das personalizações gerou muitos retrabalhos (imagem 3). Uma solução seria estabelecer prazos pré-programados para a definição dos projetos de personalização pelos clientes, de modo que haja tempo para a realização das tarefas e que não haja retrabalhos e atrasos na obra por causa disso.
Falhas no processo de compatibilização entre os diversos projetos realizados também podem levar a problemas resolvidos com base na improvisação, que podem prejudicar tanto a funcionalidade quanto a estética de um projeto, bem como a operação e a manutenção da edificação em fase de ocupação. No caso estudado, a falta de compatibilização entre projetos estruturais e complementares levaram à necessidade de furar vigas para a passagem de tubulações (imagem 4) e no desalinhamento de estruturas (imagem 5). Isso poderia ser resolvido com a utilização do sistema BIM, como com o software Navisworks, que analisa os modelos 3D e encontra possíveis erros de compatibilização.
Matéria elaborada pela monitora Ana Carolina Voelcker a partir de pesquisa e imagens da aluna Beatriz Ferreira em 2017/1.




