Uma conquista que inspira!

Andressa Valentin, egressa da UFRGS, mulher negra, arquiteta e urbanista de 29 anos, foi aprovada para um PhD em Planejamento Urbano na Ohio State University, nos Estados Unidos, com bolsa de estudos integral estimada em mais de R$ 2 milhões. A bolsa cobre integralmente o curso e ainda prevê remuneração para atuação como professora assistente, em um programa altamente competitivo que seleciona um número restrito de estudantes com trajetória acadêmica sólida.

Sua trajetória acadêmica foi construída integralmente na educação pública: da escola básica em Sapucaia do Sul ao ensino médio em São Leopoldo, até o ingresso na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, onde se formou em Arquitetura e Urbanismo e concluiu o mestrado em Planejamento Urbano e Regional. Ao longo desse percurso, as políticas de ações afirmativas foram determinantes para enfrentar desigualdades estruturais e garantir não apenas o acesso ao ensino superior, mas também condições reais de permanência e continuidade da formação.

A equipe da PROAFE conversou com Andressa, a fim de parabenizar pela sua conquista e dialogar sobre o papel das políticas de ações afirmativas em sua trajetória. Para ela, as ações afirmativas não são apenas mecanismos de inclusão, mas instrumentos fundamentais de justiça social: “Durante toda a minha trajetória acadêmica, as políticas de ações afirmativas tiveram um papel decisivo no meu acesso a oportunidades que, de outra forma, teriam sido muito mais difíceis de alcançar. O primeiro momento marcante foi o ingresso na graduação, que não apenas me garantiu a chance de cursar uma universidade de qualidade, mas também abriu novas possibilidades e ampliou meus horizontes. Mais recentemente, ingressei no mestrado também por meio das ações afirmativas, implementadas no Propur no mesmo ano da minha entrada. Essa continuidade de políticas inclusivas reforçou ainda mais o impacto transformador das ações afirmativas na minha formação, especialmente na forma como passei a compreender meu lugar e meu direito de estar na academia.”

Além do ingresso, Andressa enfatiza que o maior desafio está na permanência — dimensão frequentemente invisibilizada, mas essencial para a efetividade dessas políticas. Nesse sentido, o fortalecimento das ações afirmativas, especialmente por meio de políticas de assistência estudantil, mostra-se indispensável: “De fato, entrar na universidade é apenas o primeiro passo; o maior desafio, muitas vezes, é conseguir permanecer. Morei na Casa do Estudante durante boa parte da graduação e, sem esse apoio, a rotina intensa e a distância teriam me afastado do sonho de dar continuidade aos meus estudos. Além disso, recebi suporte para a compra de materiais no início dos semestres, auxílio-alimentação e outros incentivos que fizeram enorme diferença no meu dia a dia acadêmico. São apoios que podem parecer básicos, mas que, para estudantes de baixa renda, representam a possibilidade real de seguir estudando. Por isso, acredito que as ações afirmativas não só precisam ser defendidas, como também ampliadas.”

O foco do doutorado será o planejamento urbano e os efeitos da crise climática, tema que ganhou força após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Mais do que uma conquista individual, sua aprovação simboliza o impacto concreto das políticas de ações afirmativas quando articuladas ao ensino público de qualidade: elas não apenas ampliam o acesso, mas criam condições para que estudantes historicamente excluídos superem barreiras, concluam sua formação e alcancem espaços acadêmicos de excelência, no Brasil e no exterior.

Parabenizamos Andressa por essa conquista extraordinária, que a torna uma inspiração para tantos outros estudantes que sonham com a universidade e com a transformação de suas realidades por meio da educação. Sua trajetória reafirma a importância de fortalecer e ampliar as políticas de ações afirmativas no Brasil, garantindo que mais pessoas tenham acesso, permanência e diplomação no ensino superior com dignidade e equidade.