A programação da segunda semana do Abril Indígena na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) promoveu espaços de escuta, formação e celebração.
No dia 28 de abril, o Auditório da Escola de Enfermagem e de Saúde Coletiva sediou a roda de conversa “Ações Afirmativas e Permanência de Estudantes Indígenas: Caminhos da Saúde e do Bem Viver na Universidade”. Organizado pelo Projeto Xaxará (AfirmaSUS/UFRGS) e o curso de Saúde Coletiva, a atividade contou com a participação de Rejane Pafej Kanhág, que abordou o tema Psicologia das Florestas, trazendo perspectivas indígenas sobre cuidado e bem viver.
No dia 29 de abril, a programação iniciou com uma oficina sobre saúde mental voltada a sujeitos de direito das ações afirmativas, realizada na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança (ESEFID), em Porto Alegre. A atividade, também conduzida por Rejane Pafej Kanhág, promoveu um espaço de acolhimento coletivo e troca de saberes, reunindo participantes interessados na temática indígena.
Ainda no mesmo dia, o Centro Cultural da UFRGS foi palco de um marco histórico: a validação da tradução da Constituição Federal e de tratados internacionais para a língua Kaingang. A iniciativa foi realizada pela Proafe em conjunto com o Programa Língua Indígena Viva no Direito (LIVD), com financiamento da Advocacia-Geral da União (AGU) e dos Ministérios dos Povos Indígenas e da Justiça. O projeto busca democratizar o acesso à informação jurídica, permitindo que documentos fundamentais sejam compreendidos no idioma Kaingang — o terceiro mais falado entre as línguas indígenas no Brasil. A ação fortalece o diálogo entre o sistema de justiça e as comunidades, respeitando suas cosmologias e modos de compreensão.
A cerimônia contou com ritual de dança da comunidade Kaingang, exibição de documentário sobre o processo de tradução e a entrega de exemplares impressos da Constituição traduzida.
Encerrando a semana, no dia 30 de abril, a programação cultural trouxe uma mostra audiovisual com exibição de produções indígenas contemporâneas. Foram apresentados os filmes “Gã Vĩ: A Voz do Barro” (2022), “Fuá – O Sonho” (2025) e “Da Aldeia à Universidade” (2025), seguidos de uma roda de conversa com Raquel Kubeo, Suzana Takua e Odirlei Fidelis Kaingang. Também houve uma mostra de artesanato guarani, promovida pela estudante de artes visuais Suzana Takua.
A segunda semana do Abril Indígena reafirma a UFRGS como um espaço de construção coletiva e das políticas de ações afirmativas.











